Lidiane Dutra
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Aquarela Portfólio Processo criativo

Lilith 🔥


Já faz alguns anos que criei um "banco de projetos", que já foi uma prancheta na parede e hoje é um gaveteiro muito mais organizado, onde guardo absolutamente todo e qualquer rascunho, referência impressa, anotação, line art e tudo mais que envolve ideias que desejo transformar em ilustração. Algumas passam nesse "banco" alguns dias, outras ficam ali por anos, como que esperando o momento certo para aflorar no papel. É como se elas e eu estivéssemos nos preparando, e tem muita coisa que simplesmente fica por ali. Recentemente, incluí dois sketchbooks nesse banco, mas a maioria são folhas soltas, já falei em outras oportunidades que é assim que gosto de trabalhar.


E foi ali pelo final do ano passado que tive a ideia de representar Lilith, essa deusa tão misteriosa, juntando referências de livros sobre mitologias e da cultura pop, como o vindouro jogo Diablo IV. Como quase tudo o que acontece no meu Instagram, postei e saí correndo, nunca mais dei satisfação daquele sketch. Foi lá para o tal "banco". 


Algumas semanas atrás, resolvi revisitar esse projeto, mas me deparei com uma dificuldade gigante em encontrar o material adequado e acertar o tom da finalização. Comecei com aquarela e abandonei. Investi no pastel seco e achei tudo péssimo. Nesse momento, parei para pensar: o que estava me bloqueando tanto? E novamente me peguei pensando, um pensamento bastante obsessivo que tento sempre dissipar, que é nossa, como eu fazia coisas boas há uns quatro anos atrás e agora só faço merda. E ao invés de lamentar como o passado era bom, voltei aqui ao blog e fui dar uma olhada no meu processo criativo daquela época, para refletir sobre o que eu precisava melhorar agora.


Percebi que eu simplesmente havia perdido o hábito de marcar os valores da pintura com lápis e, posteriormente, com payne's grey ou dioxazine, um processo que era a espinha dorsal do meu trabalho e me ajudava a dimensionar o que fazer na pintura. Munida dessa informação, deixei de me lamentar e botei a mão na massa, à moda antiga.



E voltei ao processo de sempre: marcando os valores com lápis grafite 3B, em seguida cobrindo com payne's gray e dando um reforço de dioxazine nas maçãs do rosto e nariz, para aumentar a profundidade. Em seguida, coloquei os marrons em ação nos chifres, dando uma pitada de aquarela dourada para deixar um aspecto de ferrugem, que gostei bastante.


O cabelo ganhou um tom de vermelho amarronzado quente, para dialogar com o efeito dos chifres, e a pele um vermelho quente também, mas que em contraste com o que já estava pintado, ficou um pouco mais frio e ajudou a não deixar tudo uma única massa avermelhada. A magia das cores é incrível. E como Lilith é uma deusa negra, nada melhor do que colocá-la encarando de frente e sem medo a escuridão, para isso usei guache preto. O resultado:


Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Canson XL;
  • Aquarelas Van Gogh;
  • Guache TGA;
  • Pincéis Giotto;
  • Marcadores Pentel e lápis de cor Polycolor para as finalizações.

Lillith simboliza a consciência de absoluta igualdade entre homem e mulher. Essa igualdade é reforçada pelo potencial andrógino em suas lendas. Sem suas bênçãos as águas da vida recaem em conhecimento empoeirado. Ela é o aspecto instintivo, o aspecto terreno do feminino e as lembranças da incorporação do despertar sexual. - Todas as Deusas do Mundo, Claudiney Prieto
A primeira mulher sobre a terra que era igual ao homem e um espírito livre foi condenada a sobreviver pela eternidade como uma mulher-demônio, acasalando com demônios e diabos, parindo monstros em vez de crianças humanas. Essa imagem servia como uma ameaça e um aviso para qualquer mulher que tivesse a intenção de abandonar o marido ou desafiar a autoridade masculina. - Mistérios da Lua Negra, Demetra George
As duas citações acima foram tiradas de livros da minha biblioteca pessoal, mas existe uma vasta bibliografia sobre Lilith e sobre as deusas negras em geral. Todas as Deusas do Mundo é uma boa porta de entrada para descobrir novas divindades, sempre recomendo para entusiastas no assunto.

E para seguir acompanhando minhas produções, é só me seguir no Instagram.
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Aquarela Processo criativo

Um vestido tropical 🌿

Desde que vi um post no Instagram, mostrando um vestido da marca Dion Lee em formato de costela-de-adão, senti que precisava voltar a desenhar as folhagens que tanto gosto (e também pensei em COMO isso não me ocorreu antes, um vestido de monstera).
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Dicas Livros

Van Gogh: a salvação pela pintura 🌻

Este livro representou um bálsamo, para mim, em meio à pandemia e ao pandemônio nosso de cada dia. Por isso, resolvi comentar brevemente sobre Van Gogh: a salvação pela pintura, do Rodrigo Naves (para quem acha que já ouviu esse nome em algum lugar, ele é o responsável pela introdução do livro Arte Moderna, de Giulio Carlo Argan).

Não tenho pretensão de fazer uma resenha completa, apenas a indicação de uma obra que me fez passar dias pensando em suas proposições. Sinopse:

A obra crítica de Rodrigo Naves caminha em tensão permanente entre as noções de forma e história. Seu livro A forma difícil, lançado originalmente em 1996, é um marco na interpretação da arte brasileira. A partir de leituras minuciosas das obras de Guignard, Volpi, Debret e Amilcar de Castro, Rodrigo discute a dificuldade de emancipação da forma moderna na arte brasileira. Em seus ensaios, a análise da materialidade específica de cada trabalho é sempre o ponto de partida. Não é diferente nesta poderosa interpretação da obra de Van Gogh. Atento à fatura expressiva das icônicas telas do artista holandês, Rodrigo procura entendê-las à luz da ideia de salvação, profundamente enraizada na formação protestante do pintor (seu pai era pastor de orientação calvinista e ele próprio foi pastor assistente). As consequências críticas do argumento são inúmeras ― e contribuem para uma imagem mais nuançada da trajetória do artista, refém de incontáveis estereótipos associados à genialidade e à loucura. O Van Gogh que surge destas páginas não é apenas o gênio instável e atormentado, mas um artista consciente dos mínimos aspectos de seu ofício, ao qual se via ligado como a uma predestinação religiosa. A liberdade de referências típica dos mais prendados ensaístas, o rigor da análise formal ― devedor de exigentes leituras de estética ―, a limpidez do estilo, a originalidade dos pontos de vista, a assertividade das opiniões, o espírito de provocação, todos esses predicados da influente obra de Rodrigo Naves se fazem presentes neste ensaio. Como nos quadros do pintor holandês, vaza luz das páginas deste livro. E ela nos ajuda a enxergar com mais nitidez os enigmas do mundo lá fora.

Como a sinopse já entrega, esse pequeno grande ensaio (pouco mais de 100 páginas, algumas delas preenchidas por imagens, mas de uma densidade gigante) desloca o olhar relacionado estritamente à doença mental, que muitas pessoas imputam à obra de Van Gogh. Aqui, Rodrigo Naves enfatiza outros aspectos que  levaram o artista a desenvolver seus quadros da maneira como conhecemos hoje: sua religiosidade, sua ideia de trabalho, sua postura política e sua maneira de encarar o mundo.

Van Gogh era de família protestante, tendo inclusive atuado como pastor metodista. E, de acordo com o que sugere Naves no livro, o protestantismo está intimamente ligado à ideia de trabalho árduo, e de que há valor em todo tipo de trabalho, desde um açougueiro (atividade considerada "suja"), até um operário. Todos têm a bênção divina. O pintor também era socialista, de esquerda, e sempre buscou estar ao lado da classe trabalhadora. Seus olhar diante das mudanças do mundo moderno e o impacto disso nos mais pobres e na paisagem, também são partes constituintes da sua obra artística.

Vale a pena a leitura das Cartas a Theo, compilado de correspondências que Van Gogh enviou ao irmão, como leitura complementar ao livro de Rodrigo Naves. Deixo aqui um trecho sobre o que Vincent fala sobre desenho:
Que quer dizer desenhar? Como se consegue fazê-lo? É a ação de abrir passagem através de um muro de ferro, que parece interpor-se entre o que se sente e o que é possível realizar. Que fazer para atravessar esse muro, porque não adianta bater fortemente sobre ele; para conseguir, é preciso corrê-lo lenta e pacientemente com uma lima, esta é a minha opinião. (p. 28)
Abaixo, vou deixar o vídeo da live com o autor, que por si só já é uma aula de História da Arte. E a forte recomendação de leitura desse livro. 😉

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Dicas Materiais

Limpando minhas paletas de aquarela 🎨


Resolvi aproveitar o feriado de ontem (03/06) para fazer algo que queria há bastante tempo: limpar meu godê de aquarelas, que uso ininterruptamente desde 2016, e estava em petição de miséria, como dá para ver acima. Sim, eu sei que não existe aquarela "suja", podemos reaproveitá-las, basta adicionar água e tomar cuidados contra o mofo, mas já não era mais o meu caso. Muitas tintas acabaram, sim, mofando. Além disso, como fui adicionando cores novas à medida que comprava, os tons estavam fora de ordem, o que causava uma confusão na hora do uso. E isso era uma das coisas que eu mais queria arrumar. 


Além disso, vários tons já não me agradavam, e tenho pensado bastante em reduzir minha paleta de cores nas ilustrações. Fiquei pensando nisso depois da última participação no art vs artist, achei tudo muito colorido e desordenado, queria dar um sentindo de unidade aos meus trabalhos. Quando falo em reduzir a paleta de cores, me refiro a usar menos cores nas ilustrações (no máximo 4) e aproveitar seus subtons para fazer misturas, como fiz no meu retrato para o curso da Isadora Zeferino. Algumas ilustradoras com paletas bem definidas que me inspiram são a Pri Barbosa e a Nanda Corrêa. Mas sinto que ainda estou tateando na busca pela "minha paleta".



Como limpei o godê: como disse, tenho esse godê da Keramik desde 2016, quando fiz o curso da Sabrina Eras. Algum tempo depois, comprei um menor, da Sinoart, mas acabei dando pouco uso para esse segundo. Acabei limpando e guardando, talvez no futuro use para guache. Para tirar toda essa tinta encalacrada, usei um lava jato (sim, aqueles de lavar carro, que é pressurizado) e uma espátula para ir tirando o que estava mais encrustado. Depois, usei sabão líquido e uma escova de dentes para terminar a limpeza. Embora tenha ficado limpinho, o estojo ficou bastante manchado, principalmente de azuis e roxos, para isso não teve jeito. Em seguida, separei as cores que eu realmente queria continuar usando, e as coloquei em ordem.


Agora todos os meus marrons e terrosos estão juntos, seguido pelos vermelhos, rosados, roxos, azuis e verdes. Fiquei muito feliz com essa disposição, pois me dá uma organização visual muito boa na hora de usar as tintas. Além disso, posso visualizar também como combinar melhor através do círculo cromático, já que fui dispondo a cor e seus tons quentes e frios lado a lado.



Aproveitei para juntar também todas as aquarelas em pastilha que tenho num único estojo. Ainda vou organizá-lo melhor, nesse momento só passei as half pans para cá, mas deixarei com a mesma disposição da paleta das aquarelas em bisnaga, e procurarei alternar entre as duas quando for trabalhar, pensando em como aproveitar ao máximo o que o estojo me oferece. Ainda são muitas cores, eu sei. Mas acredito que organizá-las já é um bom caminho para pensar na minha paleta de cores pessoal. 


Para acompanhar meus trabalhos em tempo quase real, é só seguir no Instagram.

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Aquarela Portfólio Processo criativo

Antúrio 🌿


Desenterrei a vontade de trabalhar numa ilustração totalmente baseada na força do ódio. Enquanto professora da rede pública do RS, estamos em meio ao caos do retorno presencial/híbrido, num dos piores momentos da pandemia, no qual faltam vacinas, leitos e vergonha na cara dos governantes.

E, embora não haja mais disposição criativa nesse corpo que dê conta de tantas tragédias que acontecem dia após dia, senti que se eu não pegasse um momento para desligar da vida docente e focar na arte, tudo ficaria pior. Então, vinha ensaiando a algumas semanas retomar um esboço (daqueles que ficam eternamente guardados) para colocar a cabeça em ordem.

Como meu último trabalho da série Botânicas foi em 2019, achei que era hora de dar vida a Antúrio, resgatando minhas aquarelas, que estavam paradas desde fevereiro. Decidi, também, usar o que eu mais gostava, desde a técnica escolhida até o papel e as tintas, para que realmente fosse um momento só meu e da ilustração. Como foi em tantos momentos anteriores à pandemia e como idealizei que fosse no meu ateliê.
 


Para essa ilustração, usei somente as aquarelas da White Nights, pois preciso aprender a trabalhar com aquelas cores e tirar o melhor daquele estojo. Fiz uma base em azul cerúleo para as sombras e os valores das plantas. E para a figura, trabalhei com vermelhos e azuis misturados para criar a base, que foi utilizada em maior intensidade nas sombras. Tenho optado por essa forma de preencher pele, ao invés de marcar os valores em cinza ou azul, pois acredito que traz uma leveza maior. Os retoques foram com lápis de cor e marcadores, mas tenho tentado usá-los cada vez mais pontualmente. O resultado:


Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Arches grana fina 300g;
  • Aquarelas White Nights;
  • Pincéis sintéticos Giotto;
  • Marcadores Posca e Sakura;
  • Lápis de cor  Rijksmuseum Bruynzeel.


Fiquei especialmente satisfeita com o contraste entre as flores e as formas femininas, e as folhagens crescendo pelos cabelos, como se tudo fizesse parte da mesma força natural. Depois de digitalizada, apenas reduzi um pouco de poeira e saturação, e apliquei multiply no Phtoshop. A textura do papel ficou muito bonita e ajudou a dar o aspecto granulado da planta. Mais detalhes:


Esse trabalho me fez muito bem, me fez reconduzir minha prática artística, algo que não posso viver sem, e que toca outras pessoas também. Mas ainda é muito difícil, para mim, criar em meio a esse desastre pandêmico. Ainda me sinto exausta só por olhar o noticiário.

Seguimos dia após dia, de flor em flor... 🌹
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Processo criativo

tiktoker 👁👄👁

Este post deve ser apreciado ao som de Telepatía, da Kali Uchis:




Depois de quase dois meses em hiato, consegui me dedicar a algo só pra mim, me senti retornando à época em que pegava várias referências de fotos de maquiagem para desenhar. Só que dessa vez as inspirações foram os vídeos de make do TikTok. Embora eu não tenha mais perfil nessa rede (zero paciência), acompanho o que o pessoal posta no Pinterest e Instagram.

De tanto ver as tendências e como as meninas se maquiam, surgiu esse desenho, feito todo com lápis de cor e marcadores, com direito a caneta holográfica. Tentei reproduzir a pele glow, as sardas e os delineados surpreendentes, mas no fundo eu só queria me divertir um pouco e desopilar dessa realidade pavorosa que nos assola.
Tenho curtido bastante esse sketchbook da Tilibra, da linha Académie. As folhas são muito gostosas para usar lápis e marcador. Já havia feito essa ilustra usando ele, e tem sido uma boa forma de encarar a arte com espontaneidade e experimentar mais. 

Os materiais utilizados na coloração são os lápis e marcadores favoritos que citei aqui.

Quem mais acompanha as ~tendênças~ do TikTok?
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Portfólio Processo criativo Projetos

Vênus à deriva 🌊


Essa ilustração foi criada para a capa da primeira edição da Zine Marítimas, cujo tema é à deriva. Trata-se de uma releitura da obra O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli, pintada em 1486. Para quem não sabe de que obra estou falando, é esta aqui:


Quando tive a ideia da releitura, não estava pensando diretamente na zine (foi de tanto ver a capa do livro Mulheres, Mitos e Lendas), mas os conceitos foram se encaixando. Acabei fazendo mais dois trabalhos inspirados nessa Vênus saindo do mar, mas que estão em stand by. Tentei utilizar vários materiais, como grafite e aquarela (abaixo), mas senti que não estava conseguindo comunicar bem o que queria transmitir, algo que lembrasse levemente as estéticas seapunk e vaporwave. Daí, cheguei num material que já fazia um bom tempo que não utilizava: o pastel seco.


Na realidade, o pastel seco entrou mais para resolver o problema da coloração da pele. Nos cabelos, apostei em quem nunca me deixa não mão, o bom e velho lápis de cor, com alguns filetes de caneta holográfica e muito dourado. O recorte da imagem também se deve à referência do livro Mulheres, Mitos e Lendas, sendo que fiz questão de ressaltar a espiral de cabelos no ombro (que no quadro original tem proporção áurea).


Materiais utilizados

  • Papel Hahnemühle Nostalgie;
  • Pastel seco Derwent;
  • Esfuminho Derwent;
  • Lápis de cor Staedtler Karat;
  • Caneta holográfica Pentel;
  • Caneta dourada Sakura.
Neste post antiguinho, tem um pequeno tutorial com minhas primeiras experiências com pastel seco, mas continua válido. A Suellen Rubira escreveu o editorial da Zine Marítimas e falou muito amorosamente tanto dessa releitura, quando da nossa proposta nesse primeiro volume. Abaixo, a capa completa:


Para ler a zine, clique aqui. Abaixo, o episódio de We Can Be Readers no qual falamos da zine: 

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Reflexões

Não há mais vontade criativa que chegue ☔


Eu tenho tentado, em meio à montanha de trabalho que necessito vencer diariamente, manter um mínimo de sanidade me agarrando aos livros. Atualmente, estão na minha cabeceira Nós, mulheres, da Rosa Montero, um daqueles socos no estômago históricos, que nos fazem perceber o quão frágeis são os direitos das minorias, e Talvez você deva conversar com alguém, da Lori Gottlieb, terapeuta que narra suas aventuras enquanto profissional e paciente.


Fora isso, tudo é trabalho, o trabalho remoto que toma conta da casa, dos móveis, do celular incansável, da hora do almoço e do banho, pois se impregna em cada cômodo, disfarçado desse conceito chique de home office. Nunca senti tanta saudade de escola, do sinal tocando para anunciar a hora de entrada, o recreio, a saída. Do cansaço na sexta-feira, pois era um cansaço que deixava a semana para trás, o sentimento de dever cumprido. Hoje o dever é quantificar mensagens recebidas pelo WhatsApp e checar se áudio e vídeo estão funcionando no Meet.


Bueno, tirando isso - as leituras para manter a sanidade, e o trabalho - o resto é preocupação. Com o governo (ou a falta dele), a irresponsabilidade das pessoas, o egoísmo, o colapso, o negacionismo, a falta de perspectiva de sair desse buraco no qual nos enfiamos e ficamos tomando água de esgoto de guti-guti.


Não sei outros criativos, mas eu já joguei a toalha há uns bons meses. Fiquei no automático, fiz algumas coisas que precisavam ser feitas a duras penas, mas absolutamente nada mais sai de mim de maneira criativa e espontânea. Tudo é fruto ou da necessidade de cumprimento de prazos, ou de uma sensação vazia de preciso continuar senão enferrujo. Mas a verdade é que já faz um mês que não pego um lápis, que não sinto vontade de criar algo, e todo material que posto para manter as redes minimamente movimentadas é um grade tbt.


Não sei de onde nasce essa vontade criativa em meio ao caos e à desesperança. A Covid chega cada vez mais perto, infectando e matando conhecidos, colegas de profissão, anônimos que não são só números, são pessoas que tiveram família, sonhos e desejos.


Eu não sei de onde tirar essa vontade de criar no meio da morte. Aplaudo quem segue firme no seu propósito, fazendo arte ativista, usando o humor para denunciar o absurdo, ou simplesmente seguindo com as suas temáticas de costume como forma de resistência.


Eu não consigo mais, só quero que tudo isso passe, que alguém jogue a corda para que possamos sair do buraco. 


Escrevo esse texto direto do celular, num lampejo de tentar colocar os sentimentos na tela/papel. A impressão é de que todos estamos gritando, mas é um grito mudo, que ninguém ouve. Que tempos horríveis para ter acesso à informação, pois quanto mais leio e me informo, mais me desespero.


Enfim, não espero chegar a nenhuma conclusão com esse texto, é apenas um desabafo, e uma maneira de preencher esse espaço e justificar o pagamento do domínio. Talvez em breve eu publique um post agendado há algum tempo, que certamente vai destoar desse aqui, então tratarei de rever o texto, para se adequar ao meu momento de total descrédito na humanidade.


Fiquem bem, usem máscara e álcool em gel, evitem aglomerações e cuidem dos seus.


Foto via.

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