Lidiane Dutra
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Inktober 2018 🎃 Semana 02


A segunda produção do Lidytober está no ar! Dessa vez, aproveitei para participar também do desafio Girls Artist Gang de outubro, cujo tema é abóbora. Nasceu, assim, a Fada Abóbora 🎃. 

Veja aqui a Semana 01



O processo de criação é sempre o mesmo, e já deu para perceber que escolhi uma paleta reduzida para todos os trabalhos, com cores outonais, que remetem ao Halloween. Coloquei um pouco de médium shine e guache dourado nas abóboras, mas o efeito se perde na digitalização. Na imagem abaixo é possível ver um pouco do brilho. Fiquei bem feliz com a textura das pedras.


O resultado final ficou assim:


Materiais utilizados


  • Papel Arches 300g grana fina;
  • Aquarelas Maimeri Venezia e Van Gogh;
  • Pinceis Keramik linha 311;
  • Caneta Posca branca e dourada;
  • Lápis grafite Staedtler Mars Lumograph 2B.


No próximo domingo teremos a terceira ilustração do Lidytober. Lá no Instagram solto os petisquinhos do que virá, ao longo da semana.

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Inktober 2018 🎃 Semana 01


A primeira produção para o Lidytober, o meu Inktober, já está no ar! E foi, certamente, um dos trabalhos que mais amei fazer na vida. Esse esboço (assim como os das próximas semanas) foi feito ano passado. Uma ideia muito amada, que deixei engavetada até ter tudo o que precisava para executá-la como imaginei, desde os materiais até definição da paleta de cores e tempo de execução. E foi assim que nasceu a Fada Cogumelo 🍄. Um pequeno ser da floresta que vive entre a grama verde e as plantinhas, livre e feliz.


Comecei da mesma maneira de sempre, com o esboço a lápis sobre o papel. Escolhi o Arches grana fina pela textura e capacidade de absorção da tinta. Esse papel é, sem dúvidas, o melhor para aquarela que já usei, e seu preço salgado é a única coisa que me impede de utilizá-lo em todos os trabalhos. Os valores foram marcados com cinza payne, para depois receber as outras camadas de cor.


Para os cogumelos, escolhi trabalhar com laranja, alizarim e ocre, para deixá-los bem com aquela cara de papel de carta dos anos 90, algo mais próximo da fantasia do que da realidade. Coloquei toques de médium shine misturado ao laranja, mas o efeito é tão sutil que o scanner não pegou, infelizmente. A grama é uma grande aguada com pequenos pontos para simular os tufos.


Depois de finalizar a pintura, optei por não fazer retoques com lápis de cor, somente um pouco no rosto e algumas partes do corpo da fada. Nem multiliner utilizei, apenas fiz um reforço onde o contorno do lápis falhou. O destaque ficou mesmo para a tinta. As bolinhas brancas e douradas foram feitas com caneta posca, também como de costume.


O resultado final ficou assim:


Materiais utilizados


  • Papel Arches 300g grana fina;
  • Aquarelas Maimeri Venezia e Van Gogh;
  • Pinceis Keramik linha 311;
  • Caneta Posca branca e dourada;
  • Lápis grafite Staedtler Mars Lumograph 2B.


Gostei muito de como a textura do papel conversou com o restante da pintura, embora o meu scanner esteja me decepcionando e eu tenha que fazer um trabalho de edição que era desnecessário com o equipamento antigo. Penso em comprar somente um scanner de mesa, para evitar a fadiga. Quem tiver indicações, já pode me passar, por favor!

No próximo domingo, além do grande evento Meu Aniversário, teremos a segunda ilustração do Lidytober. Lá no Instagram solto os petisquinhos do que virá, ao longo da semana.

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Memento Mori 🌹💀🌹


Apesar de sempre tentar compreender os códigos que fazem parte do meu processo criativo e manter um pequeno acervo de livros que me permitem aprofundar questões relativas ao sagrado feminino, eu ainda não havia parado para estudar símbolos e seus significados. E resolvi começar pelo ótimo (e ricamente ilustrado) A Linguagem dos Símbolos, de David Fontana. A leitura tem sido fácil e muito rica, principalmente nessa época de Inktober, na qual me aproximo de temais mais mórbidos.

Falando em Inktober: vou participar do desafio deste ano, porém, seguindo o modelo que adotei para o MerMay: uma ilustração por semana. Contei sobre os motivos ao final deste post. A primeira ilustra sai no dia 07.

Memento Mori foi uma espécie de "aquecimento" para o Inktober, e serviu para testar alguns materiais novos que comprei, como a brush pen da Pentel, que realmente é aquele sonho de caneta que eu imaginava hehe.


Utilizei o papel Bristol para trabalhar com lápis grafite sem interferência de alguma textura indesejada. Desde que fiz essa ilustra, lá em 2016, fiquei apaixonada por tranças espinha de peixe e, embora seja um pouco demorado para finalizar, o resultado fica tão bonito, que vale o esforço.



Utilizei a brush pen na roupa, ela é extremamente pigmentada e seca rápido. Os detalhes em dourado foram acrescentados posteriormente, inclusive a rosa que, originalmente, seria feita a lápis. Embora eu tenha parado essa ilustra no meio por conta de uma mudança, todo o processo foi muito tranquilo, pois eu sabia exatamente onde queria chegar. É reconfortante saber que estou conseguindo conciliar, da melhor maneira possível, a vida de professora com a de ilustradora.


Materiais utilizados

  • Papel Bristol Canson;
  • Lápis Lyra 2B e 4B;
  • Esfuminho Derwent;
  • Multiliner Staedtler;
  • Pentel Brush Pen;
  • Caneta gel dourada Pentel.


Uma figura comum na Renascença e no Barroco era o memento mori - literalmente, "lembre-se de morrer" em latim -, associado à brevidade da vida e à decadência inevitável da beleza. A rosa, símbolo dessa expressão, desabrocha rapidamente e dura pouco tempo até suas pétalas caírem. (A Linguagem dos Símbolos, p. 93)

Outros detalhes que estão presentes nessa ilustração são o contraste de preto e dourado que, para mim, representa ao mesmo tempo solenidade e decadência; as joias, que significam riqueza no plano material mas não serão levadas para o plano espiritual e a fechadura localizada no terceiro olho, que pode ser tanto a vontade de expandir o conhecimento, quanto o fechar-se em si. Essas são interpretações bastante pessoais, que acrescentei à ideia inicial.


A partir da semana que vem começo as ilustrações para o Inktober, que serão postadas sempre aos domingos (07, 14, 21 e 28). Mas será possível acompanhar alguns petiscos lá no Instagram.

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Hibisco n. 2 🌺


Esse é meu segundo trabalho (quase) consecutivo com o tema hibisco, dando continuidade à série Botânicas. E também minha primeira experiência com a linha de papéis para aquarela Harmony, da Hanemühle. Confesso que estou super enferrujada, sem tempo para pensar num tema legal e um pouco frustrada por ter regredido nos meus estudos. Eu vinha numa crescente de fazer coisas diferentes, testar materiais, poses, estudar fundamentos, mas fui engolida por uma espiral de cansaço, por conta da rotina, e tenho estado, desde então, bastante acomodada na minha zona de conforto, que são os retratos nesse padrãozinho aí: busto.

Mas uma das coisas que tenho tentado exercitar é não me culpar por não conseguir, neste momento, me dedicar tanto quanto estava fazendo, e pensar que tudo vai melhorar. E foi seguindo essa linha que consegui lidar com a decepção que foi a primeira tentativa de pintura dessa ilustra, completamente falha. Joguei tudo fora e comecei do zero, até chegar ao resultado que queria. 


A referência para essa ilustra veio de um anúncio de revista antigo. Gostei do clima tropical e da possibilidade de fazer uma figura sem o cabelão que costumo colocar. Só que pesei demais a mão na line art da primeira versão, que acabou ficando artificial e cafona. As aguadas que pensei para o fundo também deixaram a composição poluída, uma confusão só. Por isso, peguei a mesa de luz e parti para uma segunda rodada de finalização, dessa vez seguindo o exemplo de ilustras passadas, como Gaia. O resultado foi bem mais próximo ao que realmente queria:


Sobre o papel Harmony: achei bastante parecido com o Montval, porém os pigmentos parecem ficar um pouco mais brilhantes. É uma opção acessível de papel de alfacelulose, para quem ainda não pode investir em papéis de algodão. O preço também é compatível com seu concorrente, da Canson. Nessa ilustra também usei o medium shine, da marca Pestilento, que deixa um brilho perolado na aquarela, porém, ele sumiu quando digitalizei. Assim que tiver uma câmera que consiga captar esse brilho, faço resenha do produto.

Materiais utilizados

  • papel Harmony grana fina 300g;
  • aquarelas Maimeri Venezia;
  • lápis de cor Polycolor;
  • medium shine Pestilento;
  • Multiliner Copic;
  • Caneta gel branca e dourada.

Outubro, o melhor mês do ano, está chegando, e com ele um dos momentos mais esperados pela comunidade artística, que é o meu aniversário Inktober! E sim, eu vou participar pelo quinto ano consecutivo. Só que, desta vez, farei nos mesmos moldes do MerMay: uma ilustra por semana. Optei por esse formato por vários motivos. O primeiro, é claro, tempo. Não tenho como me dedicar a um desafio de 31 dias se mal consigo fazer uma ilustração por mês. Segundo, porque ano passado meu perfil do Instagram sofreu shadowban, por conta da frequência e das # que utilizei. Isso me desmotivou bastante, pois me senti boicotada, enquanto artista, por uma rede social que muitas vezes passa pano pra conteúdos extremamente agressivos, mas acha ok bloquear desenho. O tema vai ser FADAS, em homenagem ao Brian Froud, e vou usar alguns esboços que estão há mais de um ano parados e MERECEM um destino bem maravilhoso. Então, aguardem!

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Tumblr Girl 💚


Depois de alguns dias parada, voltei a produzir, e aproveitei para testar o papel Nostalgie, da Hahnemühle, que tem uma textura satinada e alta alvura, ideal para trabalhar com técnicas secas. Já tinha testado com o grafite (vou colocar a foto mais abaixo), mas quis usar também lápis de cor, para ver como se comportava, e achei o resultado parecido com o Layout 180, da Canson.



A imagem de referência veio de uma revista gringa, a modelo estava usando uma blusa verde muito linda, que eu quis reproduzir. O trabalho com lápis de cor segue a mesma ordem que a aquarela: primeiro, marco os valores e sombras com roxo, para depois construir com os marrons, laranjas e rosados o tom de pele que desejo. Para os cabelos, ao invés do efeito "fio-a-fio" que costumo usar, preferi uma massa de cor com bastante textura marcada. O legal desse papel é que como ele é muito liso, todas as texturas produzidas são do material e da força que aplicamos, e não da superfície.


Aqui em cima, o resultado do estudo que fiz com grafite, no mesmo papel. Usei lápis 4B, se não me engano. O esfumado fica totalmente uniforme, sem marcas de ranhuras que papéis mais texturados costumam deixar (como o Canson 200g - veja aqui uma ilustração feita nesse papel). E o resultado da minha Tumblr Girl:

Materiais utilizados

- Papel Nostalgie 190g Hahnemühle;
- Lápis de cor Polycolor Koh-I-Noor;
- Marcadores Copic;
- Canetinha com glitter da Giotto para os corações.


Para quem gosta de trabalhar com grafite e lápis de cor em papéis super lisos e brancos, recomendo fortemente o Nostalgie. O preço não é tão salgado como outros papéis profissionais e vale o investimento. Comprei meu bloco na Koralle (não é jabá!).

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Dicas

Um Pinterest analógico para chamar de meu


Lá em 2010 ou 2011 lembro de ter visto numa postagem no extinto blog da Fernanda Guedes (que eu visitava todo dia, pois era uma fonte inesgotável de inspiração) uma coisa até então desconhecida pela minha pessoa: um lookbook. Basicamente, um pequeno caderno cheio de recortes de revista com imagens de modelos, vestidos, bijouterias... achei aquilo incrível e, como eu consumia muitas revistas na época, montei os meus, que tenho até hoje.

O tempo passou, criei uma conta no Pinterest (minha rede social mais bem sucedida, diga-se de passagem) e não vi mais necessidade em ter um suporte físico para as imagens que estavam facilmente à disposição na web, organizadas em pastas por categoria. Só que, em 2014, vi que novamente tinha acumulado certo número de revistas, por razões que a própria razão desconhece, e decidi recortar as imagens mais interessantes e organizá-las num caderno.

Corta para 2018, quando estou fazendo uma faxina nas caixas nas quais guardo meus sketchbooks, e encontro o tal lookbook de 2014! Com algumas páginas preenchidas e outras vazias, acredito que minha ideia era intercalar desenhos com as imagens. Porém, por algum motivo, deixei isso de lado e simplesmente esqueci da existência desse caderno.


Como a vida de uma acumuladora é f*da, adivinhe só o que aconteceu? Não comprei mais nenhuma revista mas, em compensação, IMPRIMI várias imagens do Pinterest para usar como referência em meus trabalhos, presas por um enorme clipes de metal, que já dava sinais de ferrugem. Decidi tomar uma decisão: ao invés de jogar tudo fora, colei as imagens impressas nas folhas em branco do caderno e montei um grande Pinterest analógico, que faz uma ponte entre 2014 e o tempo presente.




A partir disso, tomei a decisão de não comprar nem imprimir imagens e tentar usar tudo o que está neste caderno, pelo menos para rascunhar e ter um banco de ideias. Ando em falta com meus sketchbooks, meus estudos têm sido em folhas soltas, e vi nesse movimento todo a oportunidade de voltar a produzir em série, num caderno, observando minha evolução, e me distrair menos na internet com coisas aleatórias (mas é óbvio que vou continuar pinando muito). Deu um gostinho de nostalgia e também de fisicalidade que há muito precisava experimentar.


Se você está na mesma situação de acumulação de imagens, recomendo este exercício: pegue um caderno antiguinho, separe o que é mais interessante e solte a imaginação!

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Brígida (Hibisco) 🌺


Ano passado comecei uma série de ilustrações chamada Botânicas que, até o momento, contava com três mocinhas que gosto muitíssimo, mas estava completamente sem tempo para dar continuidade ao projeto. Alguns meses atrás dei início ao rascunho da próxima Botânica, e desta vez queria que a planta homenageada fosse o hibisco. No meio do caminho, acabei comprando um oráculo novo, chamado O Oráculo da Deusa, e achei na carta da deusa Brígida, a carta da inspiração, um nome e um motivo bastante apropriados para batizar essa ilustra.



O início das ilustrações é sempre o mesmo, principalmente quando vou trabalhar com aquarela: rascunho, que depois é passado a limpo para o papel definitivo via mesa de luz; marcação dos valores com grafite - aqui usei lápis 4B sobre papel para aquarela satinado; em seguida, marco os valores novamente com payne's grey e só depois começo a construir a cor de fundo para a pele, cabelos e demais áreas que levarão uma maior quantidade de tinta. Depois de terminar essa etapa, parto para os detalhes:


A finalização fica por conta dos meus amados lápis Polycolor para retrato, até gostaria de testar outros, mas esses aqui cumprem tão bem sua função que não penso em gastar com materiais tão  cedo. E para o rosto, principalmente os cílios enormes, escolho sempre cantas multiliner bem fininhas, para fazer o efeito fio a fio. O resultado:


Materiais utilizados

  • papel para aquarela Moulin DuRoy satinado;
  • lápis grafite Lyra 4B;
  • aquarelas Van Gogh;
  • pinceis Keramik linha 411;
  • lápis de cor Polycolor Koh-I-Noor;
  • Multiliner Copic e marcador Stabilo;
  • Caneta gel branca e dourada para os detalhes.

Sempre finalizo com uma camada de spray fixador e trato a imagem digitalmente no Photoshop.



Deixe que eu me aproxime de você
através da bruma
através do fogo
através das plantas
através das fontes profundas e abundantes
com ideias
visões
palavras
música que penetra os ouvidos
deixe que eu a comova
anime
estimule
até que suas perspectivas mudem
e sua mente/corpo/espírito exploda
e você seja deixada em pé
no rastro do que foi revelado
e a vida pareça muito doce

O poema acima foi extraído d'O Oráculo da Deusa. Feliz com o resultado dessa ilustra e por estar me adaptando cada vez melhor ao scanner. Feliz também por conseguir, de alguma forma, seguir ilustrando, mesmo com tanto trabalho pela frente.

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Dicas Livros

Pequeno Guia de Incríveis Artistas Mulheres


Tenho trazido mais dicas, desabafos e leituras porque, basicamente, é o que tenho feito nos últimos tempos. Só consegui retomar meus estudos de desenho essa semana, em decorrência das férias escolares. Ainda pretendo fazer um resumão do meu primeiro semestre docente mas, antes disso, quero publicar outras coisas pra não ficar falando só de escola.

O livro do qual quero falar é, ao mesmo tempo, necessário e muito triste. Pequeno guia de incríveis artistas mulheres que sempre foram consideradas menos importantes que seus maridos, escrito pela Beatriz Calil, é um daqueles livros que lança uma luz sobre o apagamento da produção feminina na história da arte e, além disso, sobre o quanto artistas mulheres são lembradas como acessórias aos seus maridos e companheiros. Ou é a esposa dedicada, que cuida e deixa seu esposo criar, ou a amante/musa destruidora de lares. 

Sinopse: Como o título entrega, trata-se de um trabalho artístico corajoso: admite, desde o princípio, o equívoco de uma história que escolheu celebrar os homens artistas em detrimento de suas companheiras. Que relegou o brilhantismo delas e de suas obras às celas de manicômios, salas de estar, camas. Que transformou mulheres fortes em vítimas de abuso, artistas competentes em belas acompanhantes para eventos sociais. E então o olhar de Beatriz pousa sobre elas. É que é tempo ainda - é sempre - de lhes fazer justiça.


Beatriz selecionou 16 artistas estrangeiras (ela planeja um segundo volume só com artistas brasileiras), entre elas Simone de Beauvoir e Camille Claudel, para contar brevemente suas histórias, obras de destaque, relevância para o meio artístico e como foram sumariamente apagadas ou relegadas à coadjuvantes dos homens aos quais estavam ligadas. Um dos casos mais emblemáticos, para mim, é Yoko Ono: artista multifacetada, é vista por muitos apenas como esposa de John Lennon e responsável pela separação dos Beatles (olhos revirando).


Por também ser artista visual, a autora fez intervenções em imagens dessas artistas, apagando os homens das fotografias. É nesse espaço em branco deixado pela figura masculina que as histórias das mulheres são recontadas, num esforço para que sua relevância não seja esquecida. 

“Todo esse meu trabalho partiu, na verdade, das fotos das artistas com os maridos. Comecei a interferir nessas imagens. Em muitas delas, fica claro que o importante ali é o marido. A mulher está sorrindo olhando para ele, ou ele está em maior destaque. E muitas são divulgadas com legendas como ‘Picasso e a amante’, ‘fulano e a esposa’”. Comecei a buscar inverter isso na própria imagem.” -  Beatriz Calil, em entrevista ao NEXO.
Link para matéria © 2018 | Todos os direitos deste material são reservados ao NEXO JORNAL LTDA., conforme a Lei nº 9.610/98. A sua publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia é proibida.


Por ser um livro curto (58 páginas) li de uma só vez, e recomendo fortemente que todas as mulheres que trabalham com arte tenham acesso a este tipo de informação. Ao final do texto, a autora traz estatísticas relacionadas à representatividade feminina em galerias de São Paulo e os dados são alarmantes, apesar de não causarem surpresa. Aqui no blog já publiquei um texto sobre as musas, que deu bastante o que falar na época, e serve como complemento para quem se interessou pelo livro. Adquiri meu exemplar diretamente pelo site da Editora Urutau. 

Dois links com entrevistas de Beatriz Calil:
  • "A raiz do machismo não se encontra isolada no mundo das artes; é um problema político e social que precisa seguir mudando" - para o Portal Geledés;
  • "O guia das 'incríveis artistas vistas como menos importantes que os maridos'" - para o NEXO.

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