Lidiane Dutra
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Blogagem Coletiva Reflexões

Eu fui, eu tava: Ensino remoto raiz 📪


A querida Re, do blog Mulher Vitrola, lançou uma Blogagem Coletiva (já participei de várias) muito especial, um grande encontro de gerações, para falar sobre coisas nostálgicas que vivemos e épocas marcantes das nossas vidas. O tema eu fui, eu tava é para unir todas as tribos, como o Norvana...

Eu resolvi falar de uma coisa que está bastante em alta (e enquanto professora, estou participando em modo hard), mas na sua forma raiz: o ensino remoto. Lá nos idos do filme Titanic, antes da internet e dos tutoriais sobre absolutamente tudo, vi uma propaganda do Instituto Universal Brasileiro numa revista, e resolvi me inscrever. Eu era uma adolescente morando no interior, com pouco acesso a qualquer coisa mais "atual", e tinha uma vontade absurda de melhorar meu desenho, mas as seleções para a Escola de Belas Artes da cidade não estavam nos planos da minha família. Então peguei minha mesada e investi no curso de Desenho Artístico, Publicitário e Pintura.

Funcionava assim: todo mês eu recebia uma apostila pelo correio, e elas se alternavam entre os três temas do curso: desenho artístico, publicidade e pintura. Periodicamente, também, vinham as avaliações. O curso era apostilado e o tira-dúvidas era por telefone, ou então no acompanhamento das avaliações, ou seja: falar com o professor era uma tarefa impensável, se comparada aos dias de hoje.

Eu só consegui enviar uma avaliação, pois tive muita dificuldade em encontrar os materiais para realizar o curso, principalmente a parte do desenho publicitário. Mas paguei tudo e fiquei com as apostilas e, ao longo dos anos, principalmente os que antecederam a faculdade, fui estudando aqueles fundamentos ali. A parte publicitária ficou bastante defasada e, com o tempo, me desfiz dela. Mas a de desenho e pintura é muito boa, e dá uma ótima base para quem quer começar a desenhar, num modo mais tradicional (gesture, por exemplo, não é abordado).

Separei algumas fotos dessas apostilas e gostaria de ir comentando ao longo do post:


Essas acima são as apostilas do curso de Pintura. Um dos primeiros conteúdos abordados é a teoria das cores e o círculo cromático, e isso mostra o quanto o curso era correto, apesar de parecer duro aos olhos de hoje: ele começava do zero e do que é fundamental.



Alguns exercícios de natureza-morta (still life) em aquarela e de contraste tonal. Sempre havia uma demonstração do conteúdo abordado através de um exercício, que precisávamos replicar. Nesse exercício, além do conteúdo, era também apresentada uma técnica, como aquarela, pastel, óleo, acrílica. Tudo era realmente muito explicado, pois como não havia a figura do professor presente, o estudante tinha que ser capaz de aprender o que estava na apostila sozinho.



Agora, algumas páginas das apostilas de desenho artístico. Dá pra ter uma ideia do que era estudado pelo sumário, novamente com ênfase no básico dos fundamentos, indo gradativamente para a parte mais complexa. E também a parte do desenho da figura humana permeava todas as apostilas, começando da construção da cabeça e seus elementos, para depois as composições mais complexas, envolvendo a figura de corpo inteiro.



Os famosos esquemas para desenhar as partes do rosto, que vemos bastante hoje em dia nas redes sociais... E um estudo detalhado da posição das mãos.



Incidência de sombra e luz e diferentes rotações da cabeça.



Os conteúdos relacionados à anatomia eram bem completos, falando sobre a musculatura e ossatura do corpo humano, bem como mostrando esquemas de proporção das partes.



Por fim, alguns exemplos de composição com tecidos, desenho de animais e, é claro, ilustração botânica. Por mais que seja um material que tem, por alto, uns 30 anos e já esteja defasado em vários pontos (optei por não mostrar os nus, pois o que mais aparece é mulher pelada pra desenhar...), algumas coisas são atemporais, embora hoje em dia se encontre esse conteúdo muito melhor explicado em plataformas como a Domestika, e também no YouTube e outras redes sociais.



Foi muito legal revisitar essas apostilas, pois muito do que sei vem daqui, e também como forma de mostrar para quem está começando agora o quanto era difícil achar conteúdos sobre artes, gratuitos então, nem se fala! Sempre existiram as boas almas que disponibilizavam materiais e traduções preciosas, mas comparado à oferta de conteúdos que temos hoje em dia, foi um salto e tanto.


Por isso, valorize o artista que produz conteúdo, que ensina a desenhar e pintar, e disponibiliza esse material de graça na internet. Sempre curta, compartilhe e apoie da maneira que for possível, pois é uma luta permanente por reconhecimento e para driblar algoritmos. E se o seu artista favorito lançou um curso ou material pago, e você puder investir, faça isso! Todo mundo sai ganhando. 😉


Para saber como participar da Blogagem Coletiva, é só clicar aqui.

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Aquarela Portfólio Processo criativo

Bonsai de Ficus 🌳



Eu ainda não tinha vindo aqui depois da mudança de layout do blog, na realidade não venho aqui há mais de um mês e acho interessante como, apesar de tudo, aqui é um espaço atemporal, nunca sinto que estou tirando a poeira de algo antiquado; é um lugar para o tempo certo.


E justamente nesse intervalo que estive ausente daqui, aconteceram várias discussões sobre - novamente - os algoritmos das redes sociais, o quanto a rede x ou a y vai privilegiar um conteúdo em detrimento ao outro. Enquanto isso, por aqui, sinto que estou longe de toda essa pressão, enquanto várias pessoas estão retomando as blogagens coletivas, se engajando em newsletters e mostrando que a internet é um espaço muito mais diverso do que qualquer rede comprada pelo tio Zuck. 


Resumindo um pouco desse layout: eu já queria trocar a carinha do blog há horas, mas não encontrava um template que correspondesse ao que gostaria de passar daqui por diante, até que fui de rodapé em rodapé nos blogs que leio (onde geralmente se encontra quem fez o template) e cheguei na loja da Kate. E agora tenho tudo o que queria para meu blog, que era dar bastante destaque para o portfólio, a loja e como entrar em contato comigo.  


🌳


Essa aquarela de bonsai (na verdade, pré-bonsai) surgiu de um rascunho feito em 2018! É pra isso que eu mantenho meu banco de ideias: além de sempre ter alguma coisa "no forninho", estou sempre me retroalimentando de coisas boas que fiz no passado, e que podem ser aproveitadas no futuro. É uma forma de olhar com carinho para a minha própria produção, e ver que nem tudo precisa ser uma grande novidade nunca antes vista. O processo criativo é cheio de surpresas, lidamos com fases de pura espontaneidade, alternando com outras de intensa pesquisa interna e externa.


E essa aquarela foi um grande exercício de construção de camadas de cor e textura, a partir das referências visuais das plantas aqui de casa. A figueira é uma árvore linda e que oferece muitas possibilidades de estudo, assim como a natureza de uma maneira geral. Observar árvores, flores, jardins e parques abre a nossa mente para a criação, é por isso que existe todo um movimento para desemparedar a infância, tornando as escolas lugares com amplo acesso às áreas naturais (tem um livro muito bom sobre o assunto aqui).


E como a era louca das plantas chega para todas, me aguardem, pois o que aparecia pontualmente entre um trabalho e outro vai se tornar bastante corriqueiro: já tenho uma costela-de-adão para chamar de minha e comecei a espalhar suculentas pela casa. Os motivos florais vêm com tudo.


Dolores II, a minha costela-de-adão. O hit vem!


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Aquarela Portfólio Processo criativo

Lilith 🔥


Já faz alguns anos que criei um "banco de projetos", que já foi uma prancheta na parede e hoje é um gaveteiro muito mais organizado, onde guardo absolutamente todo e qualquer rascunho, referência impressa, anotação, line art e tudo mais que envolve ideias que desejo transformar em ilustração. Algumas passam nesse "banco" alguns dias, outras ficam ali por anos, como que esperando o momento certo para aflorar no papel. É como se elas e eu estivéssemos nos preparando, e tem muita coisa que simplesmente fica por ali. Recentemente, incluí dois sketchbooks nesse banco, mas a maioria são folhas soltas, já falei em outras oportunidades que é assim que gosto de trabalhar.


E foi ali pelo final do ano passado que tive a ideia de representar Lilith, essa deusa tão misteriosa, juntando referências de livros sobre mitologias e da cultura pop, como o vindouro jogo Diablo IV. Como quase tudo o que acontece no meu Instagram, postei e saí correndo, nunca mais dei satisfação daquele sketch. Foi lá para o tal "banco". 


Algumas semanas atrás, resolvi revisitar esse projeto, mas me deparei com uma dificuldade gigante em encontrar o material adequado e acertar o tom da finalização. Comecei com aquarela e abandonei. Investi no pastel seco e achei tudo péssimo. Nesse momento, parei para pensar: o que estava me bloqueando tanto? E novamente me peguei pensando, um pensamento bastante obsessivo que tento sempre dissipar, que é nossa, como eu fazia coisas boas há uns quatro anos atrás e agora só faço merda. E ao invés de lamentar como o passado era bom, voltei aqui ao blog e fui dar uma olhada no meu processo criativo daquela época, para refletir sobre o que eu precisava melhorar agora.


Percebi que eu simplesmente havia perdido o hábito de marcar os valores da pintura com lápis e, posteriormente, com payne's grey ou dioxazine, um processo que era a espinha dorsal do meu trabalho e me ajudava a dimensionar o que fazer na pintura. Munida dessa informação, deixei de me lamentar e botei a mão na massa, à moda antiga.



E voltei ao processo de sempre: marcando os valores com lápis grafite 3B, em seguida cobrindo com payne's gray e dando um reforço de dioxazine nas maçãs do rosto e nariz, para aumentar a profundidade. Em seguida, coloquei os marrons em ação nos chifres, dando uma pitada de aquarela dourada para deixar um aspecto de ferrugem, que gostei bastante.


O cabelo ganhou um tom de vermelho amarronzado quente, para dialogar com o efeito dos chifres, e a pele um vermelho quente também, mas que em contraste com o que já estava pintado, ficou um pouco mais frio e ajudou a não deixar tudo uma única massa avermelhada. A magia das cores é incrível. E como Lilith é uma deusa negra, nada melhor do que colocá-la encarando de frente e sem medo a escuridão, para isso usei guache preto. O resultado:


Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Canson XL;
  • Aquarelas Van Gogh;
  • Guache TGA;
  • Pincéis Giotto;
  • Marcadores Pentel e lápis de cor Polycolor para as finalizações.

Lillith simboliza a consciência de absoluta igualdade entre homem e mulher. Essa igualdade é reforçada pelo potencial andrógino em suas lendas. Sem suas bênçãos as águas da vida recaem em conhecimento empoeirado. Ela é o aspecto instintivo, o aspecto terreno do feminino e as lembranças da incorporação do despertar sexual. - Todas as Deusas do Mundo, Claudiney Prieto
A primeira mulher sobre a terra que era igual ao homem e um espírito livre foi condenada a sobreviver pela eternidade como uma mulher-demônio, acasalando com demônios e diabos, parindo monstros em vez de crianças humanas. Essa imagem servia como uma ameaça e um aviso para qualquer mulher que tivesse a intenção de abandonar o marido ou desafiar a autoridade masculina. - Mistérios da Lua Negra, Demetra George
As duas citações acima foram tiradas de livros da minha biblioteca pessoal, mas existe uma vasta bibliografia sobre Lilith e sobre as deusas negras em geral. Todas as Deusas do Mundo é uma boa porta de entrada para descobrir novas divindades, sempre recomendo para entusiastas no assunto.

E para seguir acompanhando minhas produções, é só me seguir no Instagram.
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Aquarela Processo criativo

Um vestido tropical 🌿

Desde que vi um post no Instagram, mostrando um vestido da marca Dion Lee em formato de costela-de-adão, senti que precisava voltar a desenhar as folhagens que tanto gosto (e também pensei em COMO isso não me ocorreu antes, um vestido de monstera).
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Dicas Livros

Van Gogh: a salvação pela pintura 🌻

Este livro representou um bálsamo, para mim, em meio à pandemia e ao pandemônio nosso de cada dia. Por isso, resolvi comentar brevemente sobre Van Gogh: a salvação pela pintura, do Rodrigo Naves (para quem acha que já ouviu esse nome em algum lugar, ele é o responsável pela introdução do livro Arte Moderna, de Giulio Carlo Argan).

Não tenho pretensão de fazer uma resenha completa, apenas a indicação de uma obra que me fez passar dias pensando em suas proposições. Sinopse:

A obra crítica de Rodrigo Naves caminha em tensão permanente entre as noções de forma e história. Seu livro A forma difícil, lançado originalmente em 1996, é um marco na interpretação da arte brasileira. A partir de leituras minuciosas das obras de Guignard, Volpi, Debret e Amilcar de Castro, Rodrigo discute a dificuldade de emancipação da forma moderna na arte brasileira. Em seus ensaios, a análise da materialidade específica de cada trabalho é sempre o ponto de partida. Não é diferente nesta poderosa interpretação da obra de Van Gogh. Atento à fatura expressiva das icônicas telas do artista holandês, Rodrigo procura entendê-las à luz da ideia de salvação, profundamente enraizada na formação protestante do pintor (seu pai era pastor de orientação calvinista e ele próprio foi pastor assistente). As consequências críticas do argumento são inúmeras ― e contribuem para uma imagem mais nuançada da trajetória do artista, refém de incontáveis estereótipos associados à genialidade e à loucura. O Van Gogh que surge destas páginas não é apenas o gênio instável e atormentado, mas um artista consciente dos mínimos aspectos de seu ofício, ao qual se via ligado como a uma predestinação religiosa. A liberdade de referências típica dos mais prendados ensaístas, o rigor da análise formal ― devedor de exigentes leituras de estética ―, a limpidez do estilo, a originalidade dos pontos de vista, a assertividade das opiniões, o espírito de provocação, todos esses predicados da influente obra de Rodrigo Naves se fazem presentes neste ensaio. Como nos quadros do pintor holandês, vaza luz das páginas deste livro. E ela nos ajuda a enxergar com mais nitidez os enigmas do mundo lá fora.

Como a sinopse já entrega, esse pequeno grande ensaio (pouco mais de 100 páginas, algumas delas preenchidas por imagens, mas de uma densidade gigante) desloca o olhar relacionado estritamente à doença mental, que muitas pessoas imputam à obra de Van Gogh. Aqui, Rodrigo Naves enfatiza outros aspectos que  levaram o artista a desenvolver seus quadros da maneira como conhecemos hoje: sua religiosidade, sua ideia de trabalho, sua postura política e sua maneira de encarar o mundo.

Van Gogh era de família protestante, tendo inclusive atuado como pastor metodista. E, de acordo com o que sugere Naves no livro, o protestantismo está intimamente ligado à ideia de trabalho árduo, e de que há valor em todo tipo de trabalho, desde um açougueiro (atividade considerada "suja"), até um operário. Todos têm a bênção divina. O pintor também era socialista, de esquerda, e sempre buscou estar ao lado da classe trabalhadora. Seus olhar diante das mudanças do mundo moderno e o impacto disso nos mais pobres e na paisagem, também são partes constituintes da sua obra artística.

Vale a pena a leitura das Cartas a Theo, compilado de correspondências que Van Gogh enviou ao irmão, como leitura complementar ao livro de Rodrigo Naves. Deixo aqui um trecho sobre o que Vincent fala sobre desenho:
Que quer dizer desenhar? Como se consegue fazê-lo? É a ação de abrir passagem através de um muro de ferro, que parece interpor-se entre o que se sente e o que é possível realizar. Que fazer para atravessar esse muro, porque não adianta bater fortemente sobre ele; para conseguir, é preciso corrê-lo lenta e pacientemente com uma lima, esta é a minha opinião. (p. 28)
Abaixo, vou deixar o vídeo da live com o autor, que por si só já é uma aula de História da Arte. E a forte recomendação de leitura desse livro. 😉

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Dicas Materiais

Limpando minhas paletas de aquarela 🎨


Resolvi aproveitar o feriado de ontem (03/06) para fazer algo que queria há bastante tempo: limpar meu godê de aquarelas, que uso ininterruptamente desde 2016, e estava em petição de miséria, como dá para ver acima. Sim, eu sei que não existe aquarela "suja", podemos reaproveitá-las, basta adicionar água e tomar cuidados contra o mofo, mas já não era mais o meu caso. Muitas tintas acabaram, sim, mofando. Além disso, como fui adicionando cores novas à medida que comprava, os tons estavam fora de ordem, o que causava uma confusão na hora do uso. E isso era uma das coisas que eu mais queria arrumar. 


Além disso, vários tons já não me agradavam, e tenho pensado bastante em reduzir minha paleta de cores nas ilustrações. Fiquei pensando nisso depois da última participação no art vs artist, achei tudo muito colorido e desordenado, queria dar um sentindo de unidade aos meus trabalhos. Quando falo em reduzir a paleta de cores, me refiro a usar menos cores nas ilustrações (no máximo 4) e aproveitar seus subtons para fazer misturas, como fiz no meu retrato para o curso da Isadora Zeferino. Algumas ilustradoras com paletas bem definidas que me inspiram são a Pri Barbosa e a Nanda Corrêa. Mas sinto que ainda estou tateando na busca pela "minha paleta".



Como limpei o godê: como disse, tenho esse godê da Keramik desde 2016, quando fiz o curso da Sabrina Eras. Algum tempo depois, comprei um menor, da Sinoart, mas acabei dando pouco uso para esse segundo. Acabei limpando e guardando, talvez no futuro use para guache. Para tirar toda essa tinta encalacrada, usei um lava jato (sim, aqueles de lavar carro, que é pressurizado) e uma espátula para ir tirando o que estava mais encrustado. Depois, usei sabão líquido e uma escova de dentes para terminar a limpeza. Embora tenha ficado limpinho, o estojo ficou bastante manchado, principalmente de azuis e roxos, para isso não teve jeito. Em seguida, separei as cores que eu realmente queria continuar usando, e as coloquei em ordem.


Agora todos os meus marrons e terrosos estão juntos, seguido pelos vermelhos, rosados, roxos, azuis e verdes. Fiquei muito feliz com essa disposição, pois me dá uma organização visual muito boa na hora de usar as tintas. Além disso, posso visualizar também como combinar melhor através do círculo cromático, já que fui dispondo a cor e seus tons quentes e frios lado a lado.



Aproveitei para juntar também todas as aquarelas em pastilha que tenho num único estojo. Ainda vou organizá-lo melhor, nesse momento só passei as half pans para cá, mas deixarei com a mesma disposição da paleta das aquarelas em bisnaga, e procurarei alternar entre as duas quando for trabalhar, pensando em como aproveitar ao máximo o que o estojo me oferece. Ainda são muitas cores, eu sei. Mas acredito que organizá-las já é um bom caminho para pensar na minha paleta de cores pessoal. 


Para acompanhar meus trabalhos em tempo quase real, é só seguir no Instagram.

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Aquarela Portfólio Processo criativo

Antúrio 🌿


Desenterrei a vontade de trabalhar numa ilustração totalmente baseada na força do ódio. Enquanto professora da rede pública do RS, estamos em meio ao caos do retorno presencial/híbrido, num dos piores momentos da pandemia, no qual faltam vacinas, leitos e vergonha na cara dos governantes.

E, embora não haja mais disposição criativa nesse corpo que dê conta de tantas tragédias que acontecem dia após dia, senti que se eu não pegasse um momento para desligar da vida docente e focar na arte, tudo ficaria pior. Então, vinha ensaiando a algumas semanas retomar um esboço (daqueles que ficam eternamente guardados) para colocar a cabeça em ordem.

Como meu último trabalho da série Botânicas foi em 2019, achei que era hora de dar vida a Antúrio, resgatando minhas aquarelas, que estavam paradas desde fevereiro. Decidi, também, usar o que eu mais gostava, desde a técnica escolhida até o papel e as tintas, para que realmente fosse um momento só meu e da ilustração. Como foi em tantos momentos anteriores à pandemia e como idealizei que fosse no meu ateliê.
 


Para essa ilustração, usei somente as aquarelas da White Nights, pois preciso aprender a trabalhar com aquelas cores e tirar o melhor daquele estojo. Fiz uma base em azul cerúleo para as sombras e os valores das plantas. E para a figura, trabalhei com vermelhos e azuis misturados para criar a base, que foi utilizada em maior intensidade nas sombras. Tenho optado por essa forma de preencher pele, ao invés de marcar os valores em cinza ou azul, pois acredito que traz uma leveza maior. Os retoques foram com lápis de cor e marcadores, mas tenho tentado usá-los cada vez mais pontualmente. O resultado:


Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Arches grana fina 300g;
  • Aquarelas White Nights;
  • Pincéis sintéticos Giotto;
  • Marcadores Posca e Sakura;
  • Lápis de cor  Rijksmuseum Bruynzeel.


Fiquei especialmente satisfeita com o contraste entre as flores e as formas femininas, e as folhagens crescendo pelos cabelos, como se tudo fizesse parte da mesma força natural. Depois de digitalizada, apenas reduzi um pouco de poeira e saturação, e apliquei multiply no Phtoshop. A textura do papel ficou muito bonita e ajudou a dar o aspecto granulado da planta. Mais detalhes:


Esse trabalho me fez muito bem, me fez reconduzir minha prática artística, algo que não posso viver sem, e que toca outras pessoas também. Mas ainda é muito difícil, para mim, criar em meio a esse desastre pandêmico. Ainda me sinto exausta só por olhar o noticiário.

Seguimos dia após dia, de flor em flor... 🌹
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Processo criativo

tiktoker 👁👄👁

Este post deve ser apreciado ao som de Telepatía, da Kali Uchis:




Depois de quase dois meses em hiato, consegui me dedicar a algo só pra mim, me senti retornando à época em que pegava várias referências de fotos de maquiagem para desenhar. Só que dessa vez as inspirações foram os vídeos de make do TikTok. Embora eu não tenha mais perfil nessa rede (zero paciência), acompanho o que o pessoal posta no Pinterest e Instagram.

De tanto ver as tendências e como as meninas se maquiam, surgiu esse desenho, feito todo com lápis de cor e marcadores, com direito a caneta holográfica. Tentei reproduzir a pele glow, as sardas e os delineados surpreendentes, mas no fundo eu só queria me divertir um pouco e desopilar dessa realidade pavorosa que nos assola.
Tenho curtido bastante esse sketchbook da Tilibra, da linha Académie. As folhas são muito gostosas para usar lápis e marcador. Já havia feito essa ilustra usando ele, e tem sido uma boa forma de encarar a arte com espontaneidade e experimentar mais. 

Os materiais utilizados na coloração são os lápis e marcadores favoritos que citei aqui.

Quem mais acompanha as ~tendênças~ do TikTok?
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