Lidiane Dutra
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Reflexões

13 lições em 13 anos 💜

Quem estava por aqui nessa época? Print resgatado do web archive.

O post a seguir é uma carta de amor nada disfarçada a este blog.

Sempre que o blog faz aniversário só consigo pensar que estou aqui há x anos e contando… E a última vez que parei para pensar e escrever sobre isso foi há 5 anos.

Em 2018 o futuro parecia glorioso: eu recém tinha sido nomeada e achava que todos os meus problemas se resolveriam com um concurso público. Eu postei aquelas palavras de dentro do meu antigo quarto, na casa dos meus pais, me sentindo um pouco estagnada por ainda morar com eles e um outro tanto feliz por estar na minha melhor fase artística. Vou elaborar melhor esse pensamento mais para frente…

De lá pra cá, perdi e ganhei tanta coisa, que nem sei dizer se perdi mais ou ganhei mais. Acho que é um empate. Ganhei coisas que jamais sonhei, mas perdi meu chão, o que me deu a real noção da mortalidade.

13 anos é a idade de um estudante do 7º ano. Enquanto eu digitava desenharehpreciso no blogspot, esse estudante, que passou pelas minhas mãos ano passado, estava nascendo. E hoje esse mesmo estudante me chama de coroa e se pergunta que internet é essa que frequento, na qual as pessoas ainda escrevem. Porque hoje a moda são os vídeos, amanhã sabe-se lá o que será (a IA já está mostrando a que veio).

E o blog está aqui, não com tanta cara de blog assim, mas ainda aqui. Revisando os arquivos, foram tantas coisas que já passei, que seria difícil enumerar. Resolvi, então, listar 13 experiências em 13 anos de blog. Pegue o bloco de notas, abra a tag <head> e vem comigo!

Primeiro banner oficial do blog, e banner que fiz em 2012. Nessa época, ilustrei muitos banners para outras pessoas.

  1. aprendi a tirar meu trabalho de pastas e gavetas e mostrá-lo ao mundo, mesmo na época em que ele não era bom o suficiente para ser apreciado. Isso me deu coragem;
  2. entendi que precisaria lidar com as críticas, que não daria pra me esconder atrás de um sorriso amarelo, e que precisaria separar o que era construtivo e para o meu bem, daquilo que era o puro suco do chorume que só uma caixa de comentários raiz poderia proporcionar;
  3. acabei criando uma comunidade de pessoas dispostas a me acompanhar e a trocar suas experiências comigo, a se fortalecer a partir da arte e buscar melhorar, e isso me fez ver que o conhecimento se torna melhor quando compartilhado, e que ele não está restrito à academia ou um artigo publicado em revista com qualis A: ele pode estar na atenção e disponibilidade de alguém que tirou um tempo do seu dia pra dizer o quando você evoluiu do ponto x ao z. Houve uma época que consegui listar mais de 300 artistas mulheres no meu blogroll, para se ter uma ideia;
  4. aprendi a lidar com os trolls e vi como tem gente com tempo ocioso suficiente a ponto de criar vários perfis fake para dar unlike em série nos seus vídeos, e até mesmo só acompanhar a sua vida. E que o melhor remédio é não dar palco pra esse povo, que eles somem rapidinho;
  5. se hoje eu consigo chegar diante de uma turma com 30 adolescentes e falar a plenos pulmões, foi porque tive que aprender a ser comunicativa aqui e me mostrar sem medo. No começo eu era só uma assinatura nas postagens, hoje sou alguém que vai usar suas experiências para se comunicar com o público e comunicar suas intenções;
  6. percebi a seriedade em compartilhar o conhecimento que adquiri lá na construção da comunidade, e que a minha opinião poderia ser muito útil ou causar um efeito devastador em alguém. Foi por isso que parei tanto de fazer resenhas de materiais isoladamente, só para mostrá-los e causar a impressão de que aquilo precisaria ser comprado. Hoje prefiro falar o que uso dentro de um contexto e do que funciona para mim, e que isso pode ser diferente para os outros. Vez ou outra publico compras, mas deixo isso para a rede social das dancinhas;
  7. estudei a fundo as leis e direitos que falam sobre autoria, fui plagiada tantas vezes que fica difícil contabilizar, e o mais curioso é que muitas vezes o plagiador é uma pessoa com perfil acolhedor, que parece ser mais um admirador do seu trabalho, pra ganhar sua confiança e te confundir quando o plágio acontecer. Hoje sou muito mais atenta a copyright e copyleft, principalmente com a IA e as NFTs dominando o mercado de arte;
  8. aprendi a vender meu peixe, a diferenciar preço de valor e briguei muito, muito mesmo, para que a arte fosse reconhecida como o trabalho que é, pelo menos entre meus pares. Fui muito mal interpretada por isso, chamada de mercenária por perguntar se pagariam por um serviço, de reclamona por achar absurdo que um quadro deveria dividir espaço com uma goteira, e de ingrata quando questionei o que era arte para um grupo, se era só o belo decorativo, ou também o que nos incomoda e desacomoda. Hoje estou muito mais paz e amor por questões de saúde, já tive minha cota de briga pra essa vida. Respondi tantas vezes a pergunta “como faço pra ter uma loja virtual?” Que já perdi as contas;
  9. comecei a mexer em html e coisas básicas de programação para poder fazer ajustes pequenos de layout, e ajudei tantas pessoas a criar seu próprio blog com isso! E foi essa curiosidade de saber como a página funcionava por dentro que sempre fez eu me manter curiosa a respeito de tecnologias, embora eu não entenda nada além de abrir e fechar tag. Devo muito, muito mesmo, à Elaine Gaspareto, pessoa incrível que a todos ajudava com seus tutoriais, e que infelizmente foi mais uma vítima da Covid em nosso país;
  10. entendi que ser criativa é pesquisar e explorar sempre, que tudo muda o tempo todo e precisamos estar atentos ao que acontece à nossa volta. Seja pesquisar tendências de cores, redes sociais do momento, materiais, softwares, leituras… o mundo é fluido e o artista precisa entender isso;
  11. aprendi através do exemplo dos outros, para o bem e para o mal. Como lá no início tudo era mato, eu ia vendo o que os outros faziam e pensava se aquilo funcionaria pra mim ou não. Foi assim que descobri as lojas virtuais, os concursos de estampa, as publicações, como precificar commissions, dentre outros;
  12. experimentei várias formas de financiamento coletivo e descobri que não é o modelo ideal para mim, pois me senti muito cobrada pelos patronos a produzir, a estar sempre alegre e receptiva, mesmo quando me falavam coisas que me machucavam ou quando simplesmente não pagavam o boleto do apoio. Todo meu respeito a quem usa essa modalidade de renda, tento ser uma patrona que respeita os limites do artista que ajudo;
  13. por último, o poder da rede. Hoje em dia, ter uma persona online está muito ligado à fama, aos números, ao engajamento. Mas com o blog aprendi sobre o poder de várias pessoas se mobilizando em torno de algo. Seja uma blogagem coletiva sobre livros, um projeto fotográfico, o follow friday (compartilhar perfis e blogs amigos toda sexta-feira), e o boca a boca virtual: se eu trabalho com retratos, mas o cliente quer personagens, posso indicar quem faça, e sempre sou retribuída. E os clientes chegam porque conhecem não só o meu trabalho, mas a minha escrita e minha ética. E tudo isso vem desse organismo vivo e em eterno movimento que é a rede, a autonomia compartilhada que uma amiga querida cunhou para a sua tese.

Mais banners de épocas distintas, quando eu ainda colocava uma linha explicando o que fazia, e quando passei a usar somente o meu nome, até chegar à assinatura "crua"como é hoje em dia.

Eu não sei se o blog completará 14, 15, 20 anos… nunca é possível saber o próximo passo, mas estou muito feliz com a trajetória que construí até aqui, e que faz parte de mim. Assim como ser professora é só uma parte, ser blogueira raiz é outra, e que defendo! Blogueira pra mim não é termo pejorativo, foi o que me salvou de um bloqueio de escrita, e é o que continua me salvando toda vez que me sinto sozinha demais, e lembro que esse espaço está aqui. Pelo tempo que for, e contando…
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Aquarela Portfólio Projetos

Rótulos para Bruta Flor ❀



Nas últimas semanas me envolvi num projeto muito lindo, que foi a rotulagem das novas latas de chás da marca Bruta Flor, criada pela Juliana Votto e baseada na Praia do Cassino. A Ju entrou em contato comigo e fiquei bastante feliz, pois há muito tempo queria fazer uma parceria de trabalho com ela. Ela já tinha uma visão muito consolidada do que queria para as latinhas, e foi uma jornada incrível co-criar as ilustrações com ela. É muito bom trabalhar com alguém que está disposta a dialogar e somar ao seu trabalho, e cada ilustração busca não só apresentar visualmente o chá, como também representar as cores, os ingredientes e a identidade de cada um.



A ideia principal foi interligar um rótulo ao outro, buscando elementos, cores e padrões que se repetissem em cada um. Para isso, posicionei as personagens sempre ao lado esquerdo do centro do rótulo, e busquei trazer pelo menos um elemento de cor de um para o outro, criando uma unidade. Os padrões ao fundo também são pensados para que dialoguem com a proposta da ilustra e entre si.



Para o chá Vento, a ilustração é de uma mulher indígena, com cabelos soltos formando as ondas do mar. Esse chá foi criado especialmente para o livro O céu riscado na pele, da Andréia Pires. Para o chá Dolce far niente, temos uma mulher gorda aproveitando a praia, com paisagem inspirada nos Lençóis Maranhenses, porque todo corpo é um corpo de praia. Para o chá As mil e uma noites, temos a Sherazade com seu rosto descoberto, pois ela tem o dom da palavra. E para o chá Sonho de uma noite de verão, temos uma mulher negra aproveitando o crepúsculo.



Depois de concluídas as ilustrações, fiz também o design do restante do rótulo, com a aplicação do logo, nome e informações de preparo e composição. Todas as ilustrações foram feitas com as aquarelas da White Nights, incluindo um estojo de aquarelas granuladas lindo que comprei recentemente. Dá pra perceber bastante esse efeito principalmente nas aquarelas Vento e As mil e uma noites. Abaixo, fiz um vídeo para mostrar os detalhes de cada uma:


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-- Atualizando os rótulos novos --



Para essa segunda leva de rótulos, fizemos "duplinhas", com Gaia e Intuição se complementando; Black Bird e Jardim das Delícias trazendo elementos de colagem e Tantra Tea e Tropical com texturas e padronagens bem vibrantes.

Essa parceria com a Bruta Flor ainda vai longe, aguardem que tem muito mais por vir. E quem também quiser um produto ilustrado por mim ou uma ilustração original para chamar de sua, é só dar uma olhadinha em Encomendas, para saber o que eu faço, e entrar em contato através do e-mail lidiane@lidydutra.com.
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Portfólio

I can buy myself flowers 💐


Colagem que fiz no meu sketchbook inteligente, inspirada na música Flowers, da Miley Cyrus. O desenho foi feito com lápis grafite e caneta preta, e as flores são do livro de colagens Extraordinary Things to Cut Out and Collage (sim, resolvi comprar minhas próprias flores, ao invés de desenhá-las hehe).


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Aquarela Portfólio Técnica Mista

Kali 🌺


Kali é uma Deusa Negra hindu (para aprofundamento no conceito das Deusas Negras, recomendo fortemente a leitura do livro Mistérios da Lua Negra, de Demetra George), também relacionada ao aspecto triplo (criação, preservação e destruição). Ela controla o poder do tempo, que a tudo devora. De acordo com Claudiney Prieto, no livro Todas as deusas do mundo:

    Kali é uma deusa muito antiga. Sua pele negra demonstra que ela pré-data a invasão ariana, de pele clara, no continente indiano. Esse conflito torna-se visível em muitos mitos em que Kali se esforça para defender seu povo contra invasores. A paixão e a ferocidade de Kali são divididas em seu aspecto de Deusa pré-ariana e como consorte de Shiva, que inspira o seu poder de Shakti ou energia feminina.

    Os invasores introduziram a cultura dos Deuses patriarcais na Índia, mas Kali continuou a ser cultuada por várias tribos matriarcais, como os Shabara de Orissa. (p. 163)

Kali é retratada de muitas formas e possui também muitos epítetos. Em sua representação mais conhecida, ela apresenta longos cabelos pretos, a língua estendida para fora, dentes afiados e brancos, vários braços (o número de braços varia) e um colar de cabeças ou crânios, dentre outros simbolismos. Na arte popular indiana, as divindades de pele negra são retratadas na cor azul, por isso Kali (a negra) aparece sempre dessa cor. Também acompanha as representações de Kali o hibisco vermelho, que representa sua língua.


🌺 🌺 🌺 


Eu não vou me aprofundar nos mitos e lendas indianos, prefiro sempre indicar um livro com um estudo mais denso. Os dois livros que cito acima são muito bons, mas para quem deseja ler um texto na internet, recomendo este aqui: Kali: a mulher mais poderosa do universo.


Fazer a representação de uma divindade de outra cultura, principalmente oriental, sempre é inquietante, pois me coloca de frente à questão: estou fazendo uma leitura respeitosa dessa cultura ou cometendo um ato de apropriação cultural? E acho importante, enquanto artista, não me escorar na "liberdade criativa" para realizar um trabalho vazio e até mesmo ofensivo.


Por isso, quando li Mistérios da Lua Negra, dentre outros livros, e tomei contato com Kali, assim como tem acontecido com outras divindades, decorrente do meu estudo sobre bruxaria, entendi que poderia utilizar os meus conhecimentos para representá-la com o máximo de respeito e unidade, e que não se tornasse um trabalho puramente estético e sem sentido. Eu não queria tomar decisões que visualmente parecessem bonitas, mas que desrespeitassem a religião e a espiritualidade de outras pessoas. E espero ter conseguido isso, tomando as decisões que vou explicar a seguir. 



A primeira atitude que tomei foi procurar representações de Kali na internet, e achei muitas imagens, que dividi em duas categorias: as imagens tradicionais indianas, que seguem a corrente popular de representação, com cores muito saturadas, atenção aos detalhes e uma fisicalidade como se fosse uma escultura representada na pintura; e as imagens ocidentalizadas, que mostram uma imagem embranquecida da deusa, geralmente com um corpo mais magro, com traços ocidentais, com a expressão suavizada, e com uma paleta de cores mais neutra.


Eu quis me afastar das imagens ocidentalizadas, por entender que elas representam um whitewashing gigante, assim como já acontece com outras figuras orientais, que sempre têm suas características culturais substituídas por características ocidentais alinhadas ao padrão estético dominante. Por isso, mantive tanto a paleta de cores, como a expressão facial de fúria o mais próximo possível das imagens tradicionais. Mesmo colocando o meu olhar, e optando pelo retrato, que é meu foco, esse foi o ponto que me guiou, nem que eu tivesse que sair da minha paleta de cores ou da minha zona de conforto neutra. E foi a partir daí que construí a figura.



Outro ponto é que, nas imagens tradicionais, geralmente Kali está com o rosto em meio perfil, por isso também quis manter essa representação. O azul é muito saturado, e se acentua no rosto, com todo sombreamento em preto, que geralmente não uso. Para essa ilustração, fiz toda a base com aquarela (úmido sobre úmido) e complementei os contrastes com lápis de cor. Os cabelos são uma massa escura e esvoaçante. Suas joias são em tons dourados com detalhes em pedraria, que se complementam nos hibiscos (em tons de vermelho vivo e vermelho alaranjado) e no fundo da imagem. Sobre o colar de crânios, coloquei 7 em evidência, por ser o número regente do ano de 2023, e por não conseguir colocar a variação total de crânios, que pelas minhas pesquisas fica entre 51 e 108.



Materiais utilizados

  • Papel para aquarela 100% algodão Hahnemühle;
  • Aquarelas White Nights;
  • Lápis de cor Albrecht Dürer e Bruynzeel;
  • Pincéis que comprei na Shein;
  • Marcadores Pilot e Derwent.

O resultado desse trabalho me encantou e me trouxe muita paz. Não sei se consegui integrar meu pensamento com a minha prática e tornar essa representação respeitosa o suficiente, por isso estou aberta às críticas de quem segue o hinduísmo e viu incongruências na ilustração. Vou deixar aqui um vídeo mostrando detalhes que a digitalização não pega, e também um trecho do Claudiney Prieto:

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    Kali é a corporificação da violência feminina, protetora do coração, aquela que vem para nos afastar de tudo o que não é verdadeiro. É a feroz energia da psique, a luz da discriminação, a espada do conhecimento, o poder para reconhecer o que precisa ser feito. A espada de Kali se transforma e redefine nossas vidas, nos afiando e nos esculpindo, trazendo a ordem para fora do caos, nos ensinando os significados, as belezas e os propósitos de nossas vidas. Kali é a sombra fertilizadora, a guardiã da profunda escuridão vazia, os sempre mutantes ciclos do tempo. (p. 166)
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Aquarela Portfólio Processo criativo Projetos

Rhiannon 🐎

Rhiannon rings like a bell through the night

Eu já havia dito que 2022 foi o ano do rascunho, com vários trabalhos que comecei a esboçar, várias ideias de temáticas e séries, mas que ficaram somente no rascunho. Por isso, estou me dedicando (e pretendo continuar ao longo do ano) a tirar esses projetos somente do esboço e transformá-los em artes finalizadas.


Depois de passar o ano todo mergulhada na leitura de Mistérios da Lua Negra, da Demetra George, livro que me ajudou a lidar com o luto e, principalmente, com o luto dentro do processo criativo, me peguei desenhando muitas deusas, divindades de diversas partes do mundo, e também animais, grupos de mulheres, mulheres mais velhas...


E nesse processo surgiu a imagem de Rhiannon, a deusa galesa dos cavalos, a Grande Rainha, que casou-se com o mortal Pwyll e lhe deu um filho, que desapareceu ao nascer. As servas de Rhiannon enganaram a rainha, esfregando sangue de um animal em suas vestes, e acusando-a de ter devorado a criança. Como castigo, Rhiannon foi condenada a carregar os hóspedes que passavam pela sua casa nas costas, como se fosse um cavalo. Após a criança ser finalmente encontrada, o castigo da deusa foi retirado (contei a lenda de maneira muito reduzida, recomendo o livro Divinas Mulheres, da Ann Shen, para conhecer essa e outras lendas).


Rhiannon vai falar sobre resiliência, perseverança e sobre acreditar em si mesma. Num mundo cada vez mais focado na performance da felicidade e da vida perfeita, acolher as nossas feridas e carregar nossos próprios fardos é um ato de coragem.



Por acreditar que essa ilustração merecia estar num papel A3 (que eu não tinha!), resolvi comprar às pressas o único papel disponível na loja - o da linha universitária da Canson, e deu tudo errado, pois detesto a textura desse papel e, por mais que esteja pintando com uma tinta excelente, não consigo alcançar os resultados desejados com ele. Respirei fundo, resolvi digitalizar o rascunho, ajustá-lo para A4 e finalizar no papel 100% algodão que já estou acostumada a usar. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos.


All your life you've never seen
A woman taken by the wind

Materiais utilizados

  • Papel para aquarela 100% algodão Hahnemühle;
  • Minhas tintas e pincéis de sempre;
  • Lápis de cor aquarelável Albrecht Dürer;
  • Marcadores Pentel e Derwent.



Quem prestou um pouquinho mais de atenção, viu que essa ilustra conversa com outra, Wild Spirit, que fiz em 2021. E é uma conversa intencional, e que pretendo fazer mais vezes, como parte do mapeamento que tenho feito de todos os elementos que se repetem no meu trabalho, bem como as paletas de cores que mais utilizo.


Os trechos em destaque são da música Rhiannon, da banda Fleetwood Mac, na voz da bruxona Stevie Nicks:


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Aquarela Portfólio Processo criativo

Viva Magenta! 🌸


2023 começou com uma quebra de tradição, para mim. É a primeira vez em 5 anos que decidi não ilustrar a carta de tarô regente, mas por um bom motivo: quero me dedicar a ilustrar meu próprio deck, pelo menos os arcanos maiores, então decidi pausar, por enquanto, esse ritual. 


Mas abro o novo ano com a cor escolhida pela Pantone: Viva Magenta! Por ser uma das minhas cores favoritas na aquarela, foi com muita alegria que recebi essa escolha, a "cor maravilha", perfeita para composições com flores e folhas. Esse trabalho foi um experimento no sketchbook da Ótima, que adquiri alguns meses atrás:


@lidydutra.art #FelizAnoNovo ♬ Angelic Cuff It - Jo An M


Tenho feito vídeos curtinhos assim no TikTok e no Instagram para mostrar os materiais que estou usando. Gostei bastante da gramatura do papel desse sketchbook, apesar de não ser exclusivo para aquarela, ele é recomendado para técnicas mistas, a folha é destacável, enruga pouco e fica tudo muito organizado e visualmente agradável. 


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 Materiais utilizados

  • Sketchbook para técnicas mistas Ótima;
  • Aquarelas Van Gogh e Sennelier (especificamente o magenta);
  • Pincéis Keramik;
  • Lápis de cor Tris Vibes.


Eu não vou externar minhas expectativas para 2023, só espero que seja um ano calmo e esperançoso para todos nós. Que tenhamos força, vontade, valorização e condições de fazer arte ao longo do ano (e nos próximos também). ☆


E para quem deseja se organizar, ainda dá tempo de comprar meu calendário 2023, aqui nesse link. feliz ano novo!

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Aquarela Portfólio

Full Moon 🌕


2022 vai ser, para mim, o ano do rascunho. A quantidade de trabalhos que tenho no sketchbook, ou no caderno de anotações de ideias, ou em alguma folha solta dentro de uma pasta é a maior dos últimos anos. Criatividade e facilidade de colocar as coisas no papel nunca faltaram, o que faltou mesmo foi organizar meu tempo para finalizar. Geralmente, demoro muito para finalizar um trabalho, gosto de passar a tarde toda em imersão naquela proposta, faço muitas thumbnails para selecionar as cores, então isso toma um tempo que realmente não encontrei ao longo do ano. 


E esse trabalho é um dos que eu não conseguia finalizar, embora a ideia estivesse toda na minha cabeça desde a primeira volta do compasso para criar essa lua. Lá em setembro eu já tinha mostrado como ela era, e aproveitei agora a finalização do ano letivo para lançar à vida essa lua cheia tão imponente. Pintar luas requer muito mais do que colocar manchas no papel, é um trabalho que envolve observar fotos de satélite e de astrofotografia para saber o lugar dar coisas; é entender o quanto de água e o quanto de tinta são ideais para criar a mancha perfeita, e o resultado é exatamente o que imaginei desde o início:



Materiais utilizados

  • Papel Moulin DuRoy 300g satinado;
  • Aquarelas White Nights;
  • Guache TGA.


Como não podia deixar de ser, criei uma série de produtos com essa ilustração para minha loja na Colab55, que também está com um Calendário 2023 (em arquivo digital para impressão) criado com muito amor e carinho, com vários trabalhos que gosto muito e um preço especial (apenas R$ 19,99).


Enquanto isso, as redes sociais continuam explodindo, mas sigo aqui, firme e forte, para quem quiser acompanhar hehehe.

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Dicas Reflexões

Uma casa virtual AINDA é importante 🏡

 

Photo by Vidar Nordli-Mathisen on Unsplash

Há cinco anos atrás, em 2017, na época em que eu ainda tinha energia, sanidade e tempo para escrever algo mais reflexivo ou com dicas para outros artistas, fiz um post com a seguinte chamada: Vale a pena ter um blog artístico?

Na época, todo mundo estava migrando em massa para o Instagram, meu próprio perfil cresceu muito nesse período, e quem ainda tinha um suspiro de presença virtual em blogs ou sites estava ensaiando o apagar das luzes definitivo. Como sou apegada, fui ficando por aqui, com momentos de maior e menor frequência, mas sempre em mente que esse espaço era meu, não dependia de algoritmo ou do humor do Mark Zuckerberg, além de ter uma ótima indexação no Google, pois existe desde 2010.

Em cinco anos vi muita coisa acontecer, quase não consegui acompanhar tudo (fiquei muito mais na posição de espectadora do que opinadora, pois 40h semanais de escola), vi os algoritmos mudarem tantas vezes que não consegui contar, vi redes surgindo e tomando o lugar de outras, vi bilionário comprando e falindo empresas e posso dizer, com a maior tranquilidade da galáxia, que ter sua casa virtual, seja ela um blog, site ou portfólio, AINDA é muito importante.

Nesse tempo todo, o meu espaço virtual sempre foi o lugar onde concentrei meu trabalho, minhas opiniões e meus gostos. Tal qual minha casa física, aqui só entra quem é convidado, embora seja um site aberto a qualquer um que tiver o link. Isso porque nunca deixei troll se criar em caixa de comentário. Aqui, não dependo de visualizações, de likes ou repost. A existência desse conteúdo se justifica por si só, ela está aqui, e depois que estiver, posso compartilhá-la com quem eu quiser, através da rede que eu escolher. Posso, inclusive, fazer um backup das publicações e apagá-las, arquivá-las ou colocar uma senha de acesso. Posso escolher não fazer nada, e deixar tudo aqui para quem tiver o link escolher a hora e o momento para ver o que tem de novo.

Aqui, pratico um exercício enorme de cultivo: se vou me inscrever para um edital, tudo está tão bem organizado, que não fica difícil achar o que preciso. Se quero mostrar meu trabalho para alguém, só direciono para a aba Portfólio. Num mundo tão rápido e tão massificado, é aqui que as coisas são semeadas, crescem, florescem, morrem e renascem.

E embora eu seja super apegada, a grande contradição é que aqui pratico também o desapego: se ninguém ver, se ninguém comentar (e não vai mesmo, pois desabilitei a caixa de comentário há meses), simplesmente não importa. Esse lugar depende só de mim.

Claro que uso redes, faço vídeos de gosto duvidoso, mas eu sempre vou ter esse lugar. E quando ele não tiver mais razão para existir, vou fechar a porta sem olhar pra trás. E o que mais tenho percebido são pessoas sacando que esse aterramento a algo seu faz sentido, visto a quantidade de sites que tenho acompanhado nascer. Gente ótima que só tinha uma ou duas redes sociais para mostrar o que produzia e agora tem um endereço lindo e todo organizado. Gente que, inclusive, me manda mensagem dizendo que veio aqui pegar inspiração para fazer sua própria casa virtual. Acho isso mágico e dá sentido ao compartilhar algo bom com alguém.

Por isso, ainda acho fundamental ter sua casa virtual, seu espaço, chame como quiser, mas um lugar que não seja a rede social do momento. Elas vão e vem, trazendo conteúdos cada vez mais picotados e formatados. Acredito que uma obra artística, literária ou musical, precisa de mais espaço para respirar e florescer. Seja a resenha de um livro, uma ilustração ou a cifra de uma música. Até mesmo o conteúdo audiovisual se beneficia de um espaço próprio, mais contemplativo. E num mundo onde zapear virou regra, a contemplação ainda é uma bênção.

Sugestão de leitura: Por que eu ainda blogo? - Momentum Saga

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