Sugar Skull VII (Catrina Pirata)
Finalmente, depois de um ano e meio, consegui finalizar a Sugar Skull VII. A minha ideia original era simples: no início de 2013, pensei em trocar o cabeçalho do blog e, para isso, decidi fazer uma Catrina nova. Como deu para perceber, só fui mudar o layout em abril deste ano, por uma ilustra livremente inspirada numa foto minha.
O primeiro esboço dela surgiu naturalmente. Fui trabalhando as proporções antes de decidir passar para o A3 (ainda estava começando a usar esse papel, especificamente, que é para aquarela). Posicionei a figura no canto esquerdo da folha e, do centro até o canto direito, seria um verdadeiro mar de cabelos.
No final de 2013, fiz a primeira pirata, e a Sugar Skull continuava empacada. Parei na coloração da primeira rosa. Fiz outra Catrina nesse meio tempo, e então decidi misturar as duas figuras, reduzindo para o tamanho A4. Posso dizer que, de janeiro de 2013 pra cá, o tempo foi fator determinante para o trabalho chegar aonde chegou. Por ser um projeto pessoal, pude pensar em cada decisão tomada e, por mais demorada que fosse, me dava a certeza de ser o caminho certo. Acredito que o objetivo dessa ilustra é me lembrar que nem tudo pode ser milimetricamente planejado e executado como sempre penso.
Abraços,
Lidiane :-)
Bookshelf Tour!
Oi pessoal!
Hoje vou mostrar o pequeno mundo que guardo dentro dela: livros, enfeites e coisas que me inspiram. Vamos?
Na realidade, essa estante é uma cristaleira em estilo colonial, toda em madeira, e nessas duas primeiras fotos dá para ver o visual dela fechada e aberta. As portas são de vidro (um deles rachou com o transporte) e ela é bem compacta, com prateleiras fundas, tudo fica muito bem guardado, longe da poeira e umidade.
Acima dela, deixo guardadas a minha mesa de luz, uma caixa com recordações e um cachorrinho que o Antonio me deu. Na primeira prateleira, guardo meus livros técnicos de desenho, história, teoria e crítica de arte, e arte/educação, dentre outros. São publicações que utilizei na faculdade e que consulto até hoje. Também ali estão um tsuru e a fada Aurora, feita pela Daniela Karg.
Na segunda prateleira, estão duas Monster High (Skelita e Ghoulia), a TBRJar que uso para sortear os próximos livros que serão lidos, alguns enfeites fofinhos e a maioria dos meus livros YA que fazem parte de séries e algumas edições em capa dura
Na terceira prateleira estão alguns livros de moda, biografias, seleções de contos do Poe e do Galeano, Mia Couto, Clarice, Virginia Woolf, etc. além de mais duas Monster High (Operetta e Frankie) e mais um enfeitinho.
Na quarta prateleira guardo alguns anais de seminários, mais livros de arte/educação e educação ambiental, alguns títulos YA, os meus CDs e DVDs e minha amada Catrina Vida e uma Barbie que o Antonio me deu.
Por fim, na última prateleira tenho alguns xerox dos tempos de faculdade, folhas, revistas, pastas com conteúdos da faculdade e recortes, uma caixa com meus sketchbooks, alguns portfólios datados de 2005 (lá atrás), uma abóbora cheia de tranqueiras e o spray que uso para fixar as ilustrações.
Os ímãs que eu costumava deixar na estante antiga foram colados com fita dupla-face na porta e nas laterais da estante. Também gosto de deixar coisinhas penduradas nos puxadores, enfim, deu pra perceber que curto um rococó hehehe. É nesse ambiente que a maioria das minhas ilustrações é feita, já tinha mostrado o ateliê depois da reforma nesse post. Na blogagem do Rotaroots eu já havia mostrado também meu livreiro, mas nada impede de fazer um Bookshelf tour parte 2 com as novidades dele também ;)
Abraços,
Lidiane :-)
Be Model #2
Este é o resultado de mais uma ilustração feita para o blog Be Model. Dessa vez, a Ana pediu uma arte bem diferente do que estou habituada, tanto na expressão facial quanto na posição das mãos (o eterno desafio).
Para obedecer às proporções da foto original, utilizei novamente o gradeado, como no meu autorretrato, e fui gradeando parte por parte, até ficar satisfatório para mim. Ainda vou postar um passo-a-passo dessa técnica, que é uma maneira do desenhista ficar confortável para trabalhar.
Os materiais utilizados:
- Caneta esferográfica preta;
- Caneta Uni Pin 0.3;
- Caneta Stabilo ponta final;
- Lápis Koh-I-Noor estojo Portrait;
- Caneta gel dourada e glitter;
- Marcador Sharpie vermelho;
- Caneta Pigma Brush preta;
- Sombra para olhos em tons de rosa e laranja.
O resultado final traz o fundo um pouco mais suave, a pedido da própria Ana. A ilustração ainda recebeu o logo, e a arte aplicada no layout do blog ficou assim:
Gostou e também quer uma ilustra personalizada para o seu blog? Mande um e-mail para lidiane@lidydutra.com e tenha um trabalho exclusivo.
Abraços,
Lidiane :-)
Metamorfose
Metamorfose: uma possibilidade borboleta que habita o mundo todo.
Adriana Falcão
Essas borboletas foram feitas, originalmente, para a capa de um caderno pedagógico sobre Educação para a Sexualidade. Decidi pela representação das borboletas para sair do estereótipo de gênero. Porém, a ideia não foi aceita. Fica o registro de um trabalho que curti muito fazer, amo desenhar borboletas. Vamos aos materiais utilizados?
- caneta Pigma brush preta;
- caneta UniPin 0.3 preta;
- caneta Staedtler 0.2 preta;
- lápis Koh-I-Noor 3B;
- esfuminho;
- caneta gel dourada;
- sombra de olhos nos tons marrom, laranja e dourado.
Sombra de olhos bombando em todas as ilustrações. É um material extremamente confortável para trabalhar fundos e degradés. Se eu soubesse disso, teria começado a usar antes. Sem contar que sempre é um desafio desenhar mãos mas essa, em especial, me agradou bastante.
Abraços,
Lidiane :-)
O preço da arte (ou como é difícil entender que as contas não se pagam sozinhas)

Momento ~abrindo o coração~
Esta semana a escritora Clara Averbuck conseguiu um feito inédito para o mercado editorial brasileiro: a publicação de um livro via financiamento coletivo. O projeto Toureando o Diabo não só bateu sua meta, como também proporcionou à autora uma pequena reserva financeira. Mesmo assim, houve quem pensasse que ela estava enganando as pessoas, ao ficar com esse dinheiro. Este fato fez muita gente se manifestar à favor da Clara (veja aqui o excelente post da Sybylla) e se questionar: afinal, qual é o problema de você ser remunerado pelo seu próprio trabalho? Acontece que, no Brasil, ser só (ênfase no só) escritor, professor, ilustrador ou qualquer profissão criativa, faz com que as pessoas pensem que OU você é rico e pode se manter nessas profissões ~que não dão dinheiro~ OU que você vive de luz e suas contas se pagam sozinhas. NÃO para as duas opções.
Não raro, recebo comentários desse tipo:
- Adorei seu trabalho, você faria um rabisco meu?
Aos quais eu respondo:
- Manda um e-mail que te passo o orçamento.
Daí o e-mail chega com 8797980 fotos da pessoa e a seguinte mensagem:
- Aiiii já separei umas fotos, podes fazer assim e assado. Aguardo, beijos.
Lá vou eu responder à criatura:
- Olha só, esse tipo de trabalho custa X.
-- Fim da negociação --
Kero morre!
Para muitas pessoas, desenhar ainda é um hobby, e quem se sujeita à expor seu trabalho na internet é porque está topando qualquer negócio. Já recebi e-mails com propostas absurdas, até mesmo uma pessoa que queria utilizar minhas imagens para fazer capinha de celular e ganhar dinheiro às minhas custas! A desculpa? Ah, suas imagens estão na internet... Sim, mas elas continuam sendo MINHAS! Quem tem alguma dúvida a respeito, é só rolar até os termos de uso do blog, no rodapé.
Enfim, muitas vezes é um tormento negociar, ou porque as pessoas acham cara uma ilustração, ou se ofendem por ter que pagar, seja a quantia que for, ou porque acham fácil, enfim... De tudo isso, a mensagem que fica, na grande maioria das vezes, é que você não deve receber por esse trabalho. Você escolheu trabalhar com o que gosta, você é seu próprio chefe muitas vezes, então é como se você assinasse um pacto de sangue para se sujeitar às mais variadas torturas psicológicas envolvendo sua arte.
Enquanto as pessoas [e empresas] não entenderem que escritor é uma profissão como qualquer outra, que ilustrador tem contas como qualquer pessoa, que diagramador não é o cara que joga tudo no word, nós sempre estaremos à mercê dos maus profissionais, aqueles que não estão nem aí e topam tudo, e à desvalorização de toda uma cadeia produtiva. Estaremos presos aos contratos abusivos (quando há), aos "entendidos" que metem a mão nos nossos projetos sem a nossa autorização, às refações sem fim, ao jeitinho brasileiro, que permeia esse modo capenga de fazer as coisas.
Por mim e pelos meus colegas de profissão: não estamos fazendo um favor para a sociedade. Estamos oferecendo nosso serviço especializado, como qualquer outro profissional. Exigimos respeito e pagamento justo pela nossa mão-de-obra. Parece óbvio, mas ainda é preciso lembrar aos desavisados. E eles são muitos, e se multiplicam a cada dia.
Abraços,
Lidiane :-)
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