Clipes com referências na História da Arte (parte 1)
Faz muito (mas muito mesmo) tempo que eu quero fazer um post assim, mostrando referências da História da Arte em clipes musicais, de vários estilos. Me incomoda o fato da história, de uma maneira geral, ser deixada de lado por alguns profissionais. Não basta ser excelente tecnicamente, é preciso ter conhecimento de mundo. E as coisas estão todas conectadas, basta um olhar mais atento.
Esse olhar também serve para desconstruir aquela ideia de alta e baixa cultura. A cena pop é carregada de citações, ou easter eggs, se preferir. Composição, cor, ritmo, forma... conceitos levados a sério e bebidos em fontes de até 500 anos atrás por diretores, produtores e compositores.
Selecionei 12 exemplos de clipes que podem render uma aula fácil, fácil, mas tem muito mais por aí. Vem comigo!
70 million - Hold Your Horses
Esse clipe é um verdadeiro passeio pela história da arte, de forma super divertida e bastante didática. São apresentadas 25 pinturas de grandes mestres, todas encenadas pelos integrantes da banda. Aqui tem uma lista com as obras, mas sugiro tentar descobrir o nome e a autoria de cada uma delas só olhando o vídeo e curtindo o som.Otherside - Red Hot Chilli Peppers
Eu amo o álbum Californication do RHCP, e a primeira vez que vi o clipe de Otherside nem estava na faculdade ainda, mas já fiquei encantada. Quando descobri as influências, então... minha admiração pela banda aumentou mais. O vídeo traz influências do Expressionismo Alemão, Surrealismo, Cubismo e faz referência direta a artistas como Escher e Man Ray.
Applause - Lady Gaga
Applause é recheado de referências, porém sem ser tão linear quanto 70 million. Vemos a cantora encarnar O Nascimento de Vênus, passando pela Por Art de Andy Warhol, o Surrealismo de Dali e Magritte, além de várias homenagens ao cinema - De Metropolis a Cisne Negro.Take me Out - Franz Ferdinand
A banda é fortemente influenciada pela Vanguarda Russa e, neste clipe, podemos ver colagens semelhantes aos cartazes de propaganda russos e ao Dadaísmo. Essa matéria traz vários clipes do FF analisados um a um, com suas respectivas referências.This Is How We Do - Katy Perry
A cantora recebeu várias acusações de apropriação cultural por causa deste clipe (entenda mais aqui), assim como uma leva de artistas brancos que têm, sistematicamente, se apropriado da cultura negra com o único propósito de vender seus álbuns. Do ponto de vista histórico, o vídeo traz referências diretas à Arte Moderna, à Pop Art e ao cinema, com uma clara alusão aos quadros de Piet Mondrian no figurino de Katy e nos cenários.Countdown - Beyoncé
Outro clipe que traz Mondrian com referência, desta vez de maneira mais sutil. Todo o vídeo é permeado por ícones da cultura popular e aqui é possível ver uma análise completa de todas as homenagens prestadas por Queen B.Can't Stop - Red Hot Chilli Peppers
Essa banda não cansa de fazer clipes maravilhosos e com forte pegada artística e, desta vez, a homenagem é ao artista conceitual austríaco Erwin Wurm, baseada na série One Minute Sculptures. O vídeo foi filmado em um armazém abandonado, na Califórnia, ao longo de três dias. Este artigo traz curiosidades e uma entrevista com o diretor (em inglês).Rude Boy - Rihanna
As divas pop gostam mesmo de uma referência artística em seus trabalhos, e o que chama minha atenção neste vídeo da RiRi é a homenagem ao grafiteiro Keith Haring, além do colorido que lembra muito a arte dos anos 1960-1980, de Andy Warhol a Basquiat. O próximo álbum da cantora também trará um visual artístico poderoso, com capa feita por Roy Nachum e uma poesia escrita em braile.Tonigh, Tonight - The Smashing Pumpkins
Não dá pra falar em clipes inspirados no cinema sem citar Tonight, Tonigh, uma das homenagens mais lindas a Georges Méliès. A banda usou o filme Viagem à Lua como inspiração, uma das obras cinematográficas mais importantes da história. Dá para ver o original aqui, é muito interessante como a banda foi fiel em sua recriação.Spit it Out - Slipknot
Esse vídeo não está aqui só porque o Slipknot é uma das minhas bandas favoritas, tá? Em minha defesa, tenho a dizer que Spit it Out traz uma versão (ainda mais) sombria do filme O Iluminado, dirigido por Stanley Kubrick e baseado no livro homônimo de Stephen King. O clipe chegou a ser censurado pela MTV, por causa da violência. Outra curiosidade cinematográfica sobre a banda: no clipe de Snuff, o porteiro do prédio é interpretado pelo ator Malcolm McDowell, o Alex do clássico Laranja Mecânica, também dirigido por Kubrick.The Kill - 30 Seconds To Mars
Mais um clipe inspirado em O Iluminado, mas numa versão bem mais suave que a anterior. É legal ver como cada artista reinterpreta, à sua maneira, a obra referenciada. Outros clipes inspirados em clássicos do cinema podem ser conferidos aqui e aqui.Bedtime Story - Madonna
A rainha do pop sempre inovou em seus clipes e influenciou toda uma geração de cantoras, abordando temas à frente do seu tempo. Bedtime Story (canção escrita por Björk) chegou a ser exibido em galerias de arte contemporânea e traz referência à várias artistas surrealistas. Sim, mulheres artistas em evidência, inclusive Frida Kahlo, já nos anos 1990. Hoje a cantora pode até dar uns escorregões ao se declarar humanista, e não feminista (aff ¬¬), mas seu legado vai além desses equívocos. Aqui tem uma análise do clipe e das obras que serviram de inspiração.
Se você conhece outros clipes que tenham influências artísticas, deixe o link nos comentários. Quem sabe, montamos uma listagem que possa vir a auxiliar quem está em busca de material para estudo?!
Ilustra Secreta
No final de novembro a Michelli me convidou para um projeto muito amorzinho, chamado Ilustra Secreta, que nada mais é do que um amigo secreto só de ilustradoras. Combinamos de fazer uma arte original, em tamanho A5, para presentear nossa amiga. Participaram 16 meninas lindas e talentosas, e eu acabei tirando a Mary Cagnin, uma das minas que mais admiro, tanto pela arte quanto pelo canal maravilhoso que ela tem no YouTube, cheio de dicas e tutoriais. A ilustração que fiz de presente foi essa daqui:
Materiais utilizados:
- Papel Canson Montval 300g;
- Aquarela Ko-I-Noor;
- Pincel com reservatório Pentel, ponta média;
- Lápis Staedtler Mars Lumograph 4B e esfuminho;
- Multiliner Copic, caneta Posca branca e caneta gel prata.
Esse é o registro da Mary quando recebeu o seu presente, fiquei muito feliz que ela tenha gostado, tanto da ilustra, quanto das outras coisinhas que enviei junto.
Esse é o registro da Mary quando recebeu o seu presente, fiquei muito feliz que ela tenha gostado, tanto da ilustra, quanto das outras coisinhas que enviei junto.
Uma foto publicada por Mary Cagnin (@marycagnin) em
Quem me tirou foi a INCRÍVEL Sabrina Eras, umas das minhas maiores ídolas da ilustração, principalmente aquarela. Recebi meus presentes na véspera de Natal, e a data não poderia ser mais especial: além de uma aquarela original, a Sabrina enviou várias coisas maravilhosas, até mesmo os porta-copos das Gordelícias, gente... foi muito amor envolvido:
Uma foto publicada por Lidiane Dutra (@lidydutra) em
E ainda ganhei um cartão de Natal da Michelli, aumentando a coleção de arte que ainda vou emoldurar e deixar num lugar de destaque no ateliê.
Adorei participar desse amigo secreto diferente e cheio de gurias super legais; nossa ansiedade em acompanhar pelo grupo quem já tinha enviado, quem recebeu, até o momento da revelação. Foi super divertido!
Oficina de Ilustração Amanda Mol
Embalada pelo ritmo do livro Grande Magia, decidi me inscrever em várias oficinas online, pois senti que precisava me distanciar um pouco do trabalho e focar em formação. Desde que concluí o mestrado (talvez em 2016 eu me sinta pronta para falar da dissertação aqui) tenho investido em cursos curtinhos, pois não tenho mais a menor paciência para a academia.
A Oficina de Ilustração Amanda Mol vinha chamando minha atenção desde seu lançamento, pois sou fã do trabalho dessa ilustradora. Ela tem um traço bastante delicado e toda uma poética de criação voltada para o feminino e a natureza. Aproveitei um desconto válido até o início de dezembro e me joguei.
Apesar do foco não ser o ilustrador profissional, mas sim pessoas interessadas em desenhar, e de eu saber de antemão que não aprenderia uma técnica nova, decidi investir para ter um tempo só pra mim, sem cobranças, nem prazos. Eu queria aprender a dizer não para o que estava me deixando chateada. Terminei a oficina muito feliz em ter conseguido superar essa má fase.
A oficina é dividida em dez videoaulas. A cada semana, são liberados três vídeos para estudo e, na última semana, os quatro finais. Cada um deles vem acompanhado de dicas, imagens para download e ainda uma playlist musical. Tudo isso é acessado através do Painel Criativo, e aqui fica minha impressão técnica a respeito da plataforma: ela é muito intuitiva e não tive problemas com o carregamento dos arquivos. As aulas são disponibilizadas dentro do prazo e os vídeos curtos facilitam a compreensão, sem dispersar.
A Amanda é uma entusiasta dos registros e de manter um cantinho propício à criação. Por isso, nos incentivou a criar painéis no Pinterest.
Nas aulas seguintes, testamos materiais e trabalhamos com formas e cores. É muito bom voltar a esse tipo de estudo depois de um certo tempo, porque tem coisas que acabam ficando no meio do caminho, ainda mais se nos sentimos pressionados no dia-a-dia. Outra coisa que voltei a fazer, e nem era uma atividade da oficina, foram exercícios de aquecimento da mão antes de desenhar.
Esses foram os primeiros testes que fiz com as aquarelas da Koh-I-Noor, indicadas pela Ana Blue e pela Mary Cagnin. Além de muito baratas (R$ 28, em média, o estojo com 12 cores) a qualidade é excepcional. São tintas altamente pigmentadas, como é possível ver na imagem, e misturam bem entre sim.
Outro estudo que fiz com essas aquarelas. Apesar de seguir a referência fotográfica, não me importei com a semelhança. Queria mesmo era experimentar um traço mais solto e inventar cores inusitadas, em contraste com a imagem em preto e branco.
Aqui, além de desenhar um tema recorrente nos meus trabalhos - mulheres e galáxias -, ainda escrevi um pequeno texto mostrando porque isso é importante para mim, como apareceu na minha trajetória, o que me faz continuar representando essas figuras. E pessoalmente foi o momento de dizer para mim mesma: esta sou eu, esta é minha arte, e somente eu posso dizer o que devo ou não fazer.
Numa das últimas atividades, extravasei geral e consegui soltar a mão como há muito tempo não conseguia. Fiz uma sucessão de formas que me encantam e exercem força e fascínio, e que estão relacionadas ao universo artístico que construí. Esses desenhos passaram a ter uma importância tão grande na minha vida quanto qualquer ilustração bem acabada e pensada que eu já tenha feito. Foi uma espécie de exorcismo das coisas ruins, e funcionou.
A Amanda ainda fala sobre tratamento de imagem (ótimas dicas de Photoshop) e sobre como nos colocarmos numa posição de sempre inspirar o outro nas redes sociais, através da ilustração em si e também de fragmentos cotidianos que nos auxiliam no processo de criação.
Saí da oficina renovada, e muito feliz por superar uma carga negativa que eu mesma havia colocado sobre meu trabalho. Recomendo essa atividade para todas as pessoas que desejam desenhar, mas acham que não conseguem (consegue, sim!) e para quem já é desenhista, mas anda acanhado com a própria produção.
As postagens mais acessadas de 2015
2015 está terminando com um grande sentimento de gratidão dentro de mim. Embora tenha passado por períodos delicados, de questionamento do meu fazer criativo, vejo nesses momentos de balanço que há muito o que agradecer.
Os posts mais acessados do ano mostram o quanto o conteúdo aqui do blog tem ajudado outras pessoas. E isso me deixa muito feliz, pois acredito que conhecimento deve ser sempre compartilhado entre todos, da melhor maneira possível. Procuro fazer os textos e imagens com carinho, e não apenas por fazer, pois sei que aí do outro lado existe alguém com as mesmas inquietações que eu.
De uma maneira geral, o público deste cantinho procurou por tutoriais, resenhas, dicas e informação sobre assuntos comentados na grande mídia, como os livros para colorir, por exemplo. A seguir, a lista das 10 postagens mais acessadas de 2015, para recordarmos o que foi discutido por aqui:
10º- Ateliê tour 2015: sou uma pessoa que curte saber como é o cantinho das minhas ilustradoras favoritas, por isso decidi compartilhar um pouco do meu próprio ateliê, algo que venho fazendo sistematicamente ao longo dos anos, mostrando a organização do ambiente e as coisas que me inspiram. De quebra, indiquei vários blogs que adoro acompanhar.
9º- Mesa de luz artesanal: o vídeo que fiz para reativar meu canal do YouTube entrou rapidamente na lista de posts mais acessados, por se tratar de um equipamento necessário para quem ilustra e facilmente customizável. Conto um pouco da minha experiência e onde podemos encontrar material para montar nossa própria mesa de luz, por um valor razoável.
8º- Perdendo o medo de fazer tudo errado: errar é humano, mas quando se trata de arte parece que é algo inconcebível. Pelo contrário: a maioria do nosso aprendizado vem através dos erros e, nesse texto, procurei motivar outras pessoas a se jogar sem medo em seu processo criativo.
7º- Maybe Tonight: uma das ilustrações que mais me emocionou em 2015 também tocou o público, e isso me deixa muito grata. Maybe Tonight nasceu do momento em que percebi que meu companheirinho Axl partiria, e demonstra que a arte feita com o coração consegue chegar até os demais sem esforço.
6º- Vamos falar sobre cópia: 2015 também foi o ano em que os artistas se revoltaram a respeito do plágio de seus trabalhos. Vários manifestos e desabafos com comparações feitas entre originais e cópias pipocaram no meu feed, o que me deixou entristecida por essa ainda ser uma realidade para o profissional criativo. Como acredito que meu trabalho também é educar, escrevi essa reflexão sobre cópia, imitação e como podemos tentar evitar que isso aconteça.
5º- Colab55: experiência de compra: reativei minha loja no Colab55 e, coincidentemente, esse post ficou entre os mais acessados. Vale a leitura das minhas impressões a respeito da qualidade dos produtos, ressalto que essas artes não estão mais disponíveis.
4º- 7 dicas sobre blogs para ilustradorxs que estão começando: esse post fez parte da blogagem coletiva do Rotaroots (1sdd) e procurei colocar nele minha experiência - que não é muita, mas ajuda - a respeito da criação de um blog voltado para a ilustração.
3º- Minha opinião sobre os livros de colorir para adultos: a grande "febre" do ano chamou a atenção de muita gente e resolvi analisar, de maneira despretensiosa, o impacto dos livros para colorir na formação de público consumidor de arte, e o quanto esse tipo de publicação ajudou quem tinha vários traumas com o desenho a superar as adversidades e criar de maneira livre.
2º- Como usar lápis pastel seco: um dos materiais mais gostosos de trabalhar ganhou resenha/tutorial logo no início do ano, e o segundo lugar na lista de mais acessados. Existe muita curiosidade a respeito do pastel seco, assim como o oleoso, pois as pessoas acreditam que é muito difícil usá-lo. Por isso foi tão gostoso ver a reação de quem comentou dizendo que achou fácil e bonito e que se arriscaria a tentar usar.
1º- Tutorial de como faço o efeito galáxia em aquarela: para se ter uma ideia do quanto essa postagem é especial, em menos de um ano ela teve a mesma quantidade de cliques que a postagem mais acessada do blog, até então, teve em dois anos. Muita gente quer saber como aquarelar uma galáxia, e existem vários tutoriais super bacanas pela internet. Minha ideia é transformar o post em vídeo, com algumas informações complementares a respeito de materiais que ajudam a deixar o efeito ainda mais bonito.
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O blog cresceu muito esse ano, praticamente duplicou o número de acessos mensais e chegou ao pico de 1000 acessos diários (!), principalmente após a exposição Mulheres. Não tenho como agradecer tanto carinho, amor e interesse a respeito do meu trabalho.
Gostaria de dar um abraço virtual nas pessoas que comentam em praticamente todos os posts e sempre deixam uma opinião sincera, querida e respeitosa. É muito bom ter leitores assim por aqui. Espero que em 2016, ano em que o blog completará seis aninhos de vida, eu possa continuar produzindo conteúdos legais, além de muitas ilustrações!
[Resenha] Grande Magia, Elizabeth Gilbert
A criatividade foi um dos temas que esteve em alta durante 2015. Cursos de empreendedorismo criativo, oficinas sobre processos de criação e muitas publicações a respeito, ajudaram a popularizar um tema antes restrito à arte e áreas afins. Eu, particularmente, não acredito que exista uma fórmula pronta a seguir para ser criativo. E também não acho que é necessário trabalhar num determinado nicho como, por exemplo, o design. Você pode usar a criatividade ao inovar na receita de bolo, ou ao fazer um projeto DIY para sua casa.
Dentre os livros lançados, um deles chamou minha atenção por ter sido recomendado por várias artistas que sigo. Geralmente não acompanho essas "ondas" (demorei muito para ler Roube como um artista, e confesso que não achei lá grandes coisas), mas era tanta gente legal falando bem, que resolvi arriscar: comecei a ler Grande magia: vida criativa sem medo, da Elizabeth Gilbert (autora de Comer, Rezar, Amar) sem muitas expectativas, mas fui surpreendida.
Dentre os livros lançados, um deles chamou minha atenção por ter sido recomendado por várias artistas que sigo. Geralmente não acompanho essas "ondas" (demorei muito para ler Roube como um artista, e confesso que não achei lá grandes coisas), mas era tanta gente legal falando bem, que resolvi arriscar: comecei a ler Grande magia: vida criativa sem medo, da Elizabeth Gilbert (autora de Comer, Rezar, Amar) sem muitas expectativas, mas fui surpreendida.
Foi meu primeiro contato com a autora, e gostei muito da maneira simples e direta como ela aborda o assunto, sem ficar restrita ao meio artístico. Todos podem (e devem) ter uma existência criativa e se permitir pensar e agir de um modo diferente. Usando a própria experiência, Liz vai nos mostrando, no decorrer da leitura, que pessoas criativas não são iluminadas, geniais ou mártires. Elas apenas se permitiram ser assim.
Essa leitura veio num momento de grande questionamento do meu próprio trabalho. Foi um período no qual fechei lojas, parei de aceitar encomendas, desapareci das redes sociais e suspendi projetos e parcerias. Eu me perguntava diariamente se era capaz e se realmente queria seguir adiante. O por quê de algumas coisas funcionarem para os outros e não para mim. O que eu estava fazendo de errado. E a cada página lida, foi como se eu descortinasse o mundo novamente. A autora não passa a mão na cabeça do leitor em nenhum momento, e chega a ser cruel algumas vezes. Talvez esse seja o grande trunfo de Grande Magia: criativos precisam ler umas verdades para cair na real.
Muitos temas chamaram minha atenção, mas vou tentar resumir em alguns pontos-chave, para a resenha não ficar muito grande (mesmo porque o número de marcações no livro superou as expectativas, obrigada Post-Its!):
Não dependa do seu trabalho criativo para sobreviver: talvez essa tenha sido a coisa mais honesta que já li sobre viver "de arte". Ainda mais nos dias de hoje, onde muita gente propaga o discurso de largar tudo para fazer o que se ama. Liz diz exatamente o contrário: tenha um emprego que pague as suas contas, para ter tranquilidade e estabilidade para criar. Seja a escrita, o desenho ou a jardinagem, o trabalho criativo não pode arcar com as consequências de ser seu mantenedor, pelo menos no início. Ler isso foi como levar um tapa, pois já me amaldiçoei demais por não conseguir viver totalmente de ilustração. Me sentia roubando das minhas amigas que são 100% freelas, me sentia uma fraude. E isso leva a outro ponto debatido pela autora:
Muitos temas chamaram minha atenção, mas vou tentar resumir em alguns pontos-chave, para a resenha não ficar muito grande (mesmo porque o número de marcações no livro superou as expectativas, obrigada Post-Its!):
Não dependa do seu trabalho criativo para sobreviver: talvez essa tenha sido a coisa mais honesta que já li sobre viver "de arte". Ainda mais nos dias de hoje, onde muita gente propaga o discurso de largar tudo para fazer o que se ama. Liz diz exatamente o contrário: tenha um emprego que pague as suas contas, para ter tranquilidade e estabilidade para criar. Seja a escrita, o desenho ou a jardinagem, o trabalho criativo não pode arcar com as consequências de ser seu mantenedor, pelo menos no início. Ler isso foi como levar um tapa, pois já me amaldiçoei demais por não conseguir viver totalmente de ilustração. Me sentia roubando das minhas amigas que são 100% freelas, me sentia uma fraude. E isso leva a outro ponto debatido pela autora:
Pare de sofrer e de reclamar: como ser criativo se isso é encarado como um fardo ou um karma? Ainda temos aquela ideia romântica do artista sofredor, que coloca uma boa dose de dor misturada ao seu talento, como se fosse impossível criar dentro de uma atmosfera de felicidade. Pelo contrário: é preciso libertar a criatividade da ~sofrência~ e da ideia de que, ao terminar um trabalho, estamos entregando um filho ao mundo. Encarar uma obra como se fosse um bebê nos impede de receber críticas, de aceitar nãos, de fazer ajustes, cortes, ou até mesmo lidar com o fracasso.
Trabalhe duro: Em várias passagens, Liz conta como era ter dois empregos em bares e, ainda assim, arrumar tempo para escrever e encaminhar seus textos para várias revistas. Depois de muitas negativas, finalmente teve um conto publicado e pode contratar uma agente literária. Mas isso levou anos, não aconteceu da noite para o dia, e sequer fez a autora relaxar. Procrastinar e reclamar que nada acontece vai levar a... nada, mesmo.
Sobre críticas e recepção do público a uma obra, a autora ressalta que não temos controle sobre a opinião alheia e, sinceramente, isso não deve nos incomodar. Nossa parte foi feita, cada um vai receber a mensagem da maneira que quiser e estiver disposta. Em tempos de internet e de opiniões extremistas, ter essa visão sobre o próprio trabalho deve ser libertador. Ainda não cheguei lá, confesso. Me preocupo com a mensagem que estou passando e me esforço para ser compreendida. Porém, já fiz questão de gravar no meu mural a seguinte passagem:
Sobre críticas e recepção do público a uma obra, a autora ressalta que não temos controle sobre a opinião alheia e, sinceramente, isso não deve nos incomodar. Nossa parte foi feita, cada um vai receber a mensagem da maneira que quiser e estiver disposta. Em tempos de internet e de opiniões extremistas, ter essa visão sobre o próprio trabalho deve ser libertador. Ainda não cheguei lá, confesso. Me preocupo com a mensagem que estou passando e me esforço para ser compreendida. Porém, já fiz questão de gravar no meu mural a seguinte passagem:
"Deixe que as pessoas tenham suas opiniões. Mais do que isso, deixe que as pessoas sejam apaixonadas por suas opiniões, assim como eu e você somos apaixonados pelas nossas. Mas nunca se iluda a ponto de acreditar que precisa de bênção (ou mesmo da compreensão) de alguém para fazer o próprio trabalho criativo. E lembre-se sempre de que os julgamentos que as pessoas fazem de você não são da sua conta."
O vídeo acima é uma palestra que a Liz Gilbert fez no TED e que serve como ótimo complemento para o livro. Além de falar sobre como a criatividade muitas vezes é encarada como um fardo pelos artistas, ela defende a ideia de que, ao invés de ser um gênio, que cada pessoa tenha um gênio. Assista para entender, é excelente!
Espero ter contribuído com mais uma leitura que adorei fazer. Lembrando que títulos como este são destinado ao público leigo, para que várias pessoas tenham acesso a ideias antes restritas a pequenos grupos. Não se compara a, por exemplo, Criatividade e Processos de Criação, da Fayga Ostrower, mas esse nem é o objetivo. O importante é tomar gosto pelo assunto e, aos poucos, aprofundar os estudos. Posso fazer uma resenha deste e de outros livros mais acadêmicos que tenho no meu acervo, se for de interesse geral da nação. ;)
Links bacanas #5 + novidade
A edição de dezembro dos links bacanas está especial, com indicações de cursos online (gratuitos e pagos), para você fazer no conforto da sua casa e se atualizar, entrar em rede com outros profissionais e continuar aprendendo, o que é fundamental. Além disso, tem meu novo studio no Colab55, com vários produtos legais (e o motivo de eu ter reaberto a loja):
- Oficina de ilustração Amanda Mol: a Amanda é uma das ilustradoras mais fofas da internet, com um trabalho super bonito e feminino. O objetivo da oficina não é ensinar técnicas de ilustração, mas proporcionar um momento de pausa e inspiração, mostrando que desenhar é fácil e para todos.
- Curso sobre a carreira de ilustrador: ministrado pela ilustradora Clau Souza, do Estúdio Borogodó, esse curso é essencial para quem está dando os primeiros passos na ilustração, bem como para quem já tem experiência e deseja se atualizar. Cheio de dicas e macetes sobre como montar portfólio, fazer orçamento, contrato, dentre outras coisas.
- Curso de História da Arte: videoaulas disponibilizadas gratuitamente pela UNESP, abordam desde a Arte Etrusca até o Renascimento. Ideal para quem quer ir além da técnica e se aprofundar na teoria e, principalmente, na arte produzida pela humanidade ao longo dos séculos.
- Fundamentos da pintura em aquarela: este curso é oferecido através da plataforma Eduk e ministrado pelo artista plástico Luis Castañón. Aborda os conceitos básicos da aquarela, com exercícios práticos e dicas, além de fornecer certificado ao final da atividade.
- Ilustração de moda: outro curso da Eduk, ministrado pela Luisa Simão. Para quem curte ilustração de moda e deseja aperfeiçoar o traço do seu croqui. Também oferece certificação ao final.
No último final de semana, resolvi reabrir meu studio no Colab55, atendendo a pedidos, principalmente de quem deseja presentear com arte neste Natal. Depois de muito pensar se valeria a pena ou não, decidi arriscar novamente. Eu havia fechado o studio anterior não por problemas com a plataforma em si, mas pela baixa procura. Uma pena, pois os produtos são ótimos.
Então, antes de me jogar, fiz uma pesquisa entre os produtos mais procurados e com melhor relação custo/benefício para mim e para os clientes. Fica a dica para quem gosta de presentes exclusivos, a loja aceita vários cartões de crédito, além de parcelar suas compras. Neste post falo da qualidade dos produtos.
No último final de semana, resolvi reabrir meu studio no Colab55, atendendo a pedidos, principalmente de quem deseja presentear com arte neste Natal. Depois de muito pensar se valeria a pena ou não, decidi arriscar novamente. Eu havia fechado o studio anterior não por problemas com a plataforma em si, mas pela baixa procura. Uma pena, pois os produtos são ótimos.
Então, antes de me jogar, fiz uma pesquisa entre os produtos mais procurados e com melhor relação custo/benefício para mim e para os clientes. Fica a dica para quem gosta de presentes exclusivos, a loja aceita vários cartões de crédito, além de parcelar suas compras. Neste post falo da qualidade dos produtos.
Pantone divulga as cores oficiais de 2016
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| Fonte |
A Pantone divulgou as cores oficiais para 2016 e sim, pela primeira vez, teremos duas cores para representar o próximo ano. Depois do sucesso da Marsala em 2015, a empresa apostou em dois tons pastéis: Rose Quartz (rosa) e Serenity (azul). A justificativa do Pantone Color Institute para essa escolha é muito legal, e tem a ver com diversidade e igualdade de gênero. Dá para ler mais sobre isso aqui.
Apesar da causa e das cores bonitas eu, particularmente, não fiquei impressionada. Esperava mais, de verdade. Achei a paleta um tanto quanto morna. Mas quem me acompanha sabe que a primeira reação que tenho é sempre meio blé.
Desenho rápido que fiz com marcadores Copic, encontrados no kit de seis tons pastéis da linha Ciao. Aproveitei para fazer um levantamento de quais cores aproximadas eu tinha em outros estojos, dos mais diferentes materiais, e encontrei bastante coisa, que mostrarei em outra oportunidade.
Uma artista que já usava e abusava de Rose Quartz e Serenity em suas obras, lá no começo do Século XX era Tarsila do Amaral. Impossível não lembrar de quadros como Manacá e Religião Brasileira:
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| Clique para ampliar. Fonte das obras de Tarsila: aqui |
Minhas inspirações - dezembro
Este mês voltei ao Behance, por isso, resolvi trazer três artistas que conheci por lá e que são referências fantásticas. Começando pela Amanda Mocci (acima, o trabalho Luna), ilustradora canadense especialista em retratos realistas. É muito legal acompanhar seus vídeos de processo, dá pra conhecer um pouquinho dos materiais que ela usa (lápis Mars Lumograph entre os preferidos) e babar bastante.
A Cristina Alonso é uma ilustradora espanhola, com um trabalho bastante focado no mundo fashion. Até hoje não consegui superar esse retrato da Candice Swanepoel, e a perfeição das asas douradas. A Cristina tem, sem dúvidas, um dos portfólios que mais admiro e me inspira. Ela costuma trabalhar com materiais tradicionais e, em seguida, finalizar digitalmente. É um bom exemplo de "casamento feliz" entre as duas técnicas.
Já as ilustras da Gaby Zermeño são totalmente digitais. Essa artista mexicana costuma abusar dos contrastes de cores fortes, principalmente o rosa e laranja, como na imagem acima. Temas tradicionais mexicanos são recorrentes, com as catrinas do Dia dos Mortos. Ela também cria personagens inspirados no universo geek e da cultura popular.
Estamos quase no final de 2015 e ainda tem muita gente que gosta de polemizar entre desenho tradicional e digital mas, ó: tem espaço pra todo mundo! E cada artista é livre para escolher como deseja trabalhar. Acho que esse é um bom pensamento para começar o mês.
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