Inktober 2019: o que vou usar e algumas dicas para quem quer participar
Este ano conseguirei participar do Inktober!!! Me organizei bonitinho, para dar conta de fazer um desenho por dia, durante o mês de outubro. Claro que, assim como nos outros anos (e isso é uma coisa que sempre fiz durante o Inktober, não estou roubando), vou criar vários desenhos num dia e ir postando ao longo da semana no Instagram, no Facebook e, ao final de cada semana, aqui no blog.
Uma das minhas prioridades para este ano foi: não gastar com materiais. Não comprei uma caneta adicional sequer, tudo já é velho de guerra no meu ateliê, e será aproveitado até o final. Para não correr o risco de acabar alguma coisa na metade do desafio, fiz uma seleção de canetas que estão em bom estado e sei que ainda possuem bastante carga. O sketchbook também é um dos inúmeros que preciso dar cabo antes de pensar em adquirir um novo.
Neste post, vou detalhar cada um desses materiais, porém, meu objetivo não é fazer uma exposição de produtos e gerar ansiedade para consumo. Vou mostrar coisas que tenho há muito tempo, e irão me ajudar no desafio. Se você não tem esses materiais e deseja fazer o Inktober, não fique chateado. Dá pra desenhar com caneta esferográfica comum, o importante é participar e se divertir, caso você tenha vontade. A seguir, também vou dar algumas dicas para quem deseja se aventurar pelo desafio.
Começando pelo sketchbook, vou utilizar este lindo e macabro caderninho, que veio num kit do livro Para toda a eternidade, da Caitlin Doughty. O papel dele é pólen, fininho, e o marcador passa com tranquilidade para o verso da folha, por isso, tomarei o cuidado de colocar uma folha embaixo, para evitar acidentes. O bom desse sketchbook é que ele tem exatas 32 páginas, dá pra fazer uma capa e os 31 desenhos para fechar todo o caderno, que se transformará num lindo artbook (espero).
Não vou seguir nenhuma lista este ano, assim como nos anos anteriores. Geralmente, as listas não me agradam por completo, me sinto pressionada e ansiosa, por isso, prefiro ir até o Pinterest, pegar várias fotos interessantes e bem na minha zona de conforto, que me trarão segurança na hora de desenhar. E essa é minha primeira dica para quem se sente inseguro em desenhar todo dia: comece por algo dentro da sua zona de conforto, que te dá prazer em desenhar e, se você for se soltando, invista em experimentações. Caso contrário, permaneça ali, na sua zona de conforto, fazendo algo que vai trazer felicidade. Não dá pra fazer os 31 desenhos? Tudo bem, faça quantos puder e sentir vontade. Lembre-se: o desafio é para você, e não para os outros ou para a internet.
Esse conjunto de tons de cinza da Copic foi um dos primeiros que comprei, há cinco anos, e ainda me acompanha. Só a N2 foi recarregada, por enquanto. Claro que as outras estão acabando mas, no momento, não tenho como gastar com caneta, e vou aproveitá-las em detalhes de sombreamento, sem cobrir grandes áreas. Se você não tem Copic, qualquer marcador à base de álcool serve, os da Magic Color tem excelente custo-benefício para quem está começando.
Já deu pra perceber que não vou usar tinta nanquim, pois o papel do meu sketchbook é muito fino. Por isso, peguei o kit mais novo de multiliners que tenho, comprei para o Inktober de 2017. Adoro as canetas Micron, e a que mais uso é a 05, para tudo. Não me incomoda o traço mais grossinho, acho que é uma espessura que me permite fazer muitas coisas de uma só vez.
Para cobrir grandes áreas com tinta preta, recorri a todas as canetas que eu tinha e que poderiam cumprir esta função: um marcador permanente da Faber-Castell, desses para CD; uma brush pen da Pigma, com ponta fininha; a brush pen da Pentel, com ponta mais flexível; e a caneta Sigma da Pentel, com ponta fibrosa, que permite fazer tanto detalhes, quanto cobertura de grandes áreas. Qualquer marcador permanente já serve, e existem opções baratinhas no mercado (como o da Faber, acima).
Para os detalhes, escolhi a caneta Gelly branca da Sakura, que abre pontos de luz, e duas canetas em gel metálicas, uma dourada e outra prateada, que comprei no supermercado e não chegou a custar R$ 5,00 o par. Como já falei acima, é possível fazer o Inktober com material escolar barato, o importante é querer participar e se sentir satisfeito com seu próprio trabalho e empenho. Uma dica bem em conta para quem quer fazer detalhes metálicos e não encontra essas canetas facilmente, é misturar purpurina (não pode ser glitter) com cola branca. Depois de seco, o efeito fica bastante similar ao da caneta, porém um pouco mais opaco.
Por fim, para cada semana escolhi uma cor dominante. Essa cor vai aparecer em detalhes e preenchimentos, e vai me ajudar a dar o tom daquela semana. Como já falei acima, só vou usar canetas que estão com uma boa dose de carga, por isso, não tem vermelho, que é sempre a primeira a acabar. Em compensação, teremos: laranja, verde, azul e rosa da Bic Marking e roxo e magenta da Faber-Castell. Vou me virar nos trinta com essas cores e seja o que as deusas da criação quiserem... Uma alternativa à essas canetas é qualquer canetinha hidrográfica escolar. Fazem exatamente o mesmo efeito.
Um último recado importante: não se compare com outros artistas (não plagie!!!), não fique ansioso por postar todos os dias e faça o Inktober por você. Nenhum like e nenhuma validação social valem o stress e o desgaste de fazer algo que você não quer. Se você fizer somente um desenho e se sentir bem com isso, parabéns! Você concluiu o Inktober com sucesso. E se você não estiver a fim de fazer, mas quiser acompanhar seus artistas favoritos, também está valendo.
Para me acompanhar nessa jornada, acesse o Instagram e o Facebook, as atualizações sairão sempre por lá, a partir de 01/10, após às 21h. Por aqui, o resumo semanal sairá às segundas-feiras.
Um último recado importante: não se compare com outros artistas (não plagie!!!), não fique ansioso por postar todos os dias e faça o Inktober por você. Nenhum like e nenhuma validação social valem o stress e o desgaste de fazer algo que você não quer. Se você fizer somente um desenho e se sentir bem com isso, parabéns! Você concluiu o Inktober com sucesso. E se você não estiver a fim de fazer, mas quiser acompanhar seus artistas favoritos, também está valendo.
Para me acompanhar nessa jornada, acesse o Instagram e o Facebook, as atualizações sairão sempre por lá, a partir de 01/10, após às 21h. Por aqui, o resumo semanal sairá às segundas-feiras.
#4 Purple
Esta é a última produção para a série de Deusas do arco-íris. Embora algumas pessoas tenham me pedido para fazer outras cores e dado sugestões ótimas, creio que devo encerrar por aqui. No início, seriam somente três trabalhos (RGB), mas eu precisava incluir o roxo. Antes de continuar, aperte o play!
A inspiração para essa figura veio de três mulheres poderosas: Iza, Rihanna e Halle Bailey. Eu não queria uma cópia fotográfica de uma delas, nem montar um Frankenstein com as três, por isso, vi muitas referências, mas na hora de trabalhar fechei todas as abas com imagens e deixei fluir.
Como eu nunca tinha desenhado dreadlocks antes, também procurei algumas referências em ilustração e, sem dúvida, o trabalho da Loish foi de grande valia para estudar a composição dos fios e a estrutura capilar como um todo. E é na construção dos dreads que foquei o registro dos processos:
Primeiro, comecei dando volume com o lápis de cor preto, fazendo a mesma técnica que utilizo sempre para os cabelos: fio a fio. Depois, fui preenchendo com roxo, atenta ao formato e ao volume para, enfim, completar os espaços em branco com um lilás pastel delicado. Tive muito receio de não ficar bom, de não conseguir dar movimento, mas quando vi o cabelo tomando forma, me senti encorajada. E já quero desenhar mais dreads.
Não fiz fotos do processo de coloração da pele, mas vou falar brevemente sobre: utilizei azul marinho para marcar todas as sombras da face, dois tons de marrom (um mais quente e outro mais frio) para construir a base da pele e ocre com vermelho para as finalizações. Nesta etapa do trabalho foi a deusa Jacquelin de Leon quem me deu um norte, pois ela sempre colore peles não-brancas muito bem, e também este tutorial maravilhoso de Juliana Rabelo. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Canson Bristol;
- Lápis de cor Rijksmuseum;
- Lápis de cor SuperSoft;
- Multiliner Copic;
- Caneta metálica e branca Posca.
A caneta dourada que eu vinha usando para fazer essa série, da UniPin, acabou explodindo enquanto eu fazia este trabalho aqui, por isso os detalhes em dourado ficaram diferentes das ilustras anteriores. Veja as demais deusas: Azul, Vermelha e Verde.
Agora vou tentar focar no Inktober e tentar fazer um desenho por dia, assim como nos quatro primeiros anos que participei do desafio. Enfatizo bem o tentar porque por mais que eu já tenha me planejado e até separado um sketchbook para isso, tudo pode acontecer. Então não prometo nada, quando chegar outubro veremos.

Conheça meu portfólio profissional
Loja virtual | Contato: lidiane@lidydutra.com
I am no man
Eu aceitei a condição de que não consigo andar com um sketchbook comigo, e que funciono muito melhor com folhas soltas do que com as ideias concatenadas num caderno. Prefiro usar o sketchbook para um projeto limitado (é meu pensamento para o Inktober deste ano) e, sim, gosto de ver tudo bem arrumadinho. Deixo a bagunça para essas folhas, que ficam organizadas numa prancheta, na minha parede. É ali que me abasteço de ideias e registro thumbnails e esboços do que virá a ser uma ilustração.
Também são raros os momentos em que a ideia surge e já coloco no papel. Geralmente separo um tempo para fazer vários rascunhos e dali tirar algo mais tarde. Mas esse trabalho não se enquadra nesta categoria. Eu estava no banho quando ela surgiu e não perdi a oportunidade de já deixar registrada.
Embora ainda não tenha postado nada, esse ano resolvi participar do #agostodoartista, projeto da Dessamore, e uma das categorias é filme (devemos desenhar uma cena ou personagem). Resolvi fazer a Éowyn, de O Senhor dos Anéis, pois acho uma das personagens mais fodásticas e chutadora de bundas de toda a trilogia. Rabisquei a ideia inicial, mas enquanto estava no banho resolvi desdobrá-la até a cena icônica em que a guerreira derrota o Rei Bruxo de Angmar [toda a perspectiva de trabalho que adotei é baseada no FILME O Retorno do Rei, não no livro, só para deixar claro].
Pensei na figura do Rei Bruxo, no seu elmo sombrio e, dentro dele, a figura solar de Éowyn, com o semblante fechado, mostrando que, não importa o quão poderosa pode ser uma ameaça, ela estará pronta para enfrentá-la. Complementei com a Simbelmynë, flor que cresce nos túmulos dos antigos reis de Rohan.
A princípio, essa arte teria um lettering na parte inferior mas, depois de concluir a pintura, vi que ficaria muito pesado e tiraria toda a atenção da figura central, por isso apaguei. Utilizei o papel da Hahnemühle, que absorveu toda a umidade de um dia chuvoso e ficou extremamente sensível à borracha e até mesmo à fita crepe azul.
Comecei com uma aguada lilás ao fundo, utilizando um pouco as aquarelas peroladas da Koi. Eu já tive uma experiência ruim no passado com a Koi, por ser uma aquarela muito opaca e de difícil mistura (na minha opinião). A linha perolada continua com uma textura bem semelhante a um guache, porém, isso se torna positivo na hora de cobrir uma área, pois dá pra ver a presença da cor e do brilho. Claro que, na hora de digitalizar, esse brilho some.
Para o elmo do Rei Bruxo, usei cinza payne puro do lado esquerdo e, do lado direito, misturado com um pouco de azul da Prússia. O restante da figura foi colorido da maneira habitual, e finalizei os detalhes com lápis de cor e marcadores. O tempo úmido não ajudou e, por conta da sensibilidade do papel, não consegui fazer muitas camadas. Para as flores, usei aquarela perolada branca e um pouco de cinza. O resultado:
Esse trabalho foi um refresco no meu processo criativo, que andava super parado, embora eu tenha muitas ideias (que não estão indo para o papel). Acho que preciso confiar mais na minha intuição!
Para o elmo do Rei Bruxo, usei cinza payne puro do lado esquerdo e, do lado direito, misturado com um pouco de azul da Prússia. O restante da figura foi colorido da maneira habitual, e finalizei os detalhes com lápis de cor e marcadores. O tempo úmido não ajudou e, por conta da sensibilidade do papel, não consegui fazer muitas camadas. Para as flores, usei aquarela perolada branca e um pouco de cinza. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Hahnemühle 300g;
- Aquarelas Van Gogh e Koi;
- Pincéis Keramik;
- Lápis de cor Polycolor Koh-I-Noor;
- Multiliner Sakura;
- Marcador metálico Uni Pin.
Esse trabalho foi um refresco no meu processo criativo, que andava super parado, embora eu tenha muitas ideias (que não estão indo para o papel). Acho que preciso confiar mais na minha intuição!
Por que eu não faço mais resenhas e tutoriais
![]() |
| Pablo Picasso pintando com a luz. Fonte: Resource Magazine |
Faz muito tempo (muito mesmo, acho que a última postagem desse tipo é de 2016) que não faço resenhas de materiais. Há alguns anos adotei a prática de falar sobre o que estou usando de maneira contextualizada, geralmente quando produzo uma ilustração e mostro o passo-a-passo. Acredito que, dessa forma, quem me lê pode ver o material em ação, com um propósito específico determinado e, a partir da minha experiência, decidir se é algo que ela quer experimentar também. Quando esses materiais vão se repetindo, faço uma postagem atualizada com meus favoritos, e daí especifico marcas e outras características, mas tudo dentro da minha esfera pessoal de vivências.
O mesmo acontece com tutoriais. Embora a galáxia em aquarela seja o post mais acessado do blog, não me sinto mais confortável para chegar aqui e dizer como fazer um desenho, mesmo que eu reforce que é da minha maneira, e que ela não é a única. Também prefiro contextualizar dentro de um trabalho autoral, mostrando como pintei a pele, como fiz o cabelo de uma figura, como cheguei na mistura desejada.
Indo um pouco além, também deixei de mostrar muitas coisas do meu espaço de trabalho, principalmente livros. Prefiro trazer para cá coisas significativas, como o livro Pequeno Guia de Incríveis Artistas Mulheres, ou os que uso em sala de aula, pois são obras que vão instigar a pesquisa e o crescimento de quem, por acaso, venha cair aqui.
Todas essas posturas vêm de uma série de confluências: a responsabilidade que é falar sobre algo na internet; a exposição que isso traz; o cenário político atual; o consumismo desenfreado que isso pode gerar; a ideia de que precisamos saber tudo, o tempo todo.
Quando alguém comenta num post antigo desse tipo, dizendo que veio parar no blog por causa de uma resenha ou de um tutorial, e gostaria de ver mais, fico feliz mas não me prendo a isso para continuar escrevendo aqui. Vou mostrando meu trabalho, contando sobre o que acho ser relevante na minha vida docente, mas deixo todo mundo livre para ler ou não ler o blog.
É claro que AMO resenhas, e acompanho blogs que fazem trabalhos maravilhosos, desde produtos para pele até filmes, mas, especificamente em relação a materiais e técnicas artísticas, não pretendo mais dispender tempo e energia para testar, fotografar, organizar e me expor por um produto que pode ter funcionado muito para mim, mas que pode ter sido uma dor de cabeça para outra pessoa. Ou mostrar como fazer um determinado efeito e tempos depois descobrir que existe um jeito muito mais fácil de fazer a mesma coisa, e que fiquei ensinando "errado".
Mas o mais importante de tudo, e o ponto onde realmente quero chegar, é o fator viva a sua experiência. Eu sou o tipo de pessoa que compra muita coisa por impulso, ou por achar a embalagem bonita, ou por decidir tentar uma técnica nova (oi, pastel oleoso!), e sai cada lambança que me deixa dias pensando na quantidade de prestações que ainda vou pagar por algo que achei péssimo, ou no porquê de não ter comprado logo uma coleção inteira do que mais amei testar. E é essa experiência que vejo faltar nos artistas, atualmente.
Todo mundo está tão preocupado em postar seu trabalho da melhor forma possível que acaba perdendo oportunidades extraordinárias de se jogar em coisas novas e absurdas. Picasso foi um artista reconhecido pelo incontável número de experimentações durante sua longa carreira, criando novas técnicas de fazer, apreciar e se relacionar com a arte. Hoje estamos todos preocupados com likes e no melhor que podemos mostrar. Só que nem sempre este melhor é o que realmente queremos mostrar, ou ainda, se realmente queremos mostrar.
Ontem li uma publicação da Brunna Mancuso sobre querer dar novos rumos para a carreira dela, experimentar coisas novas e parar de se importar com números. E acho que todo artista deveria seguir os passos dela. É legal pesquisar sobre materiais novos e marcas confiáveis? Nossa, se é. É legal ter muita gente reconhecendo nosso trabalho? Puxa, nem me fale! Mas também é bom se permitir: experimentar, errar, errar bastante, fazer absolutamente nada, errar mais um pouco, testar novamente aquele tubo de tinta perdido dentro da gaveta, esvaziar todas as gavetas e partir para algo totalmente novo e inóspito.
A experimentação aguça a curiosidade, que anda de mãos dadas com a nossa criatividade. Mesmo que nossos feeds mostrem coisas interessantes e criativas, ou que o blog mais completo ofereça todo conteúdo para começar a desenhar do zero, é só na prática e na tentativa e erro que o trabalho realmente emerge.
A inspiração existe, mas precisa te encontrar trabalhando.
Pablo Picasso
#3 Green
Mais uma para a série de deusas do arco-íris, com seus cabelos coloridos, que tenho feito para me manter produtiva. Tecnicamente, a série terminaria aqui, com a deusa de cabelos verdes, mas decidi fazer uma última ilustração, uma deusa negra de cabelos roxos, então aguardem o número 4. Veja todas as ilustrações aqui.
Para essa ilustra, resolvi usar outros lápis de cor que estavam guardados há muito tempo, os maravilhosos Karat, da Staedtler. São lápis aquareláveis, mas que não deixam a pintura pastosa. Senti que o material que eu vinha usando não daria o tom de verde desejado ao cabelo, por isso troquei. Utilizei somente dois tons de verde, e já consegui esse degradê maravilhoso (nas áreas escuras, usei preto).
O processo de pintura é praticamente o mesmo das outras deusas, começo pelo cabelo e depois vou construindo as camadas de pele. Aqui, novamente usei o Polycolor. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Canson Bristol;
- Lápis de cor Karat, da Staedtler;
- Lápis de cor Polycolor, da Koh-I-Noor;
- Multiliner Copic;
- Caneta metálica Uni Paint.
Conheça meu portfólio profissional
Loja virtual | Contato: lidiane@lidydutra.com
Arte é mais que um algoritmo
Não é de hoje que as discussões sobre mudanças no algoritmo do Instagram tomam conta das redes sociais e grupos dedicados à arte. Muitos artistas, principalmente aqueles com menor visibilidade, estão preocupados com o alcance dos seus posts e possível queda no número de encomendas por conta disso.
Engajamento virou pauta, muito mais do que estudar os fundamentos do desenho, redigir um bom contrato, compreender o processo criativo ou como abrir um MEI. E isso passou a me preocupar, em muitos níveis. Primeiro, porque cada vez mais jovens estão começando a ilustrar, pessoas na faixa dos 15-17 anos, em idade escolar. Segundo, porque o número virou ponto de chegada, e não o trabalho em si. Por isso, gostaria de abrir um espaço para reflexão sobre todas essas questões.
Se você olhar minha última foto na conta artística que mantenho no Instagram, o número de curtidas é pífio. Minha conta estacionou em número de seguidores no começo de 2018 e, de lá pra cá, só cai. Tudo começou a cair quando não tive mais tempo para me dedicar àquela rede social. Dispender vários minutos por dia para seguir, curtir, comentar e compartilhar virou luxo na minha rotina, o máximo que consigo fazer é, duas vezes por semana, curtir tudo o que posso dos meus contatos e postar alguns stories. Foto no feed é raridade ainda maior, visto que também produzo pouco. Somado a isso, deixei de seguir em torno de 500 contas, entre perfis inativos e artistas que já não rolava tanta identificação assim com o trabalho. Acabei criando uma conta pessoal para seguir amigos e postar fotos aleatórias, sem pressão, e desopilei ainda mais daquela rede.
Foi libertador não ter que me preocupar em postar e parar de achar que meu trabalho era medido pelo número de curtidas. Num primeiro momento, a leitura que vocês podem fazer é que hoje eu não vivo de freela e posso me dar ao luxo de não me preocupar em manter redes sociais ativas, mas a realidade é que, mesmo quando eu pegava trabalhos comissionados, raramente eles vinham de redes sociais, mas sim daqui do blog e de indicações. E até hoje, quando surge uma proposta, é porque a pessoa me encontrou pelo blog, ou porque um amigo encomendou algo comigo há alguns anos e me recomendou.
A Camis Gray, ilustradora que adoro, compartilhou um tweet sensato esses dias, que diz:
as vezes to mexendo no behance e vejo uns ilustradores muuuito fodas, e qdo vou ver o instagram tem 300 seguidores... mas tão cheio de projetos incríveis e clientes grandes. é bom ver isso pra tirar um pouco a importância daquela rede que as vezes faz muito mal.— Tears for Spears (@camisgray) 6 de junho de 2019
Quando vejo postagens em grupos de arte e ilustração, nas quais as pessoas estão arrancando os cabelos por engajamento e criando grupos onde tem hora pra postar, curtir e comentar, fico bastante desconfortável. É como se existisse uma ansiedade coletiva para atualizar o feed e receber curtidas; como se isso fosse medir a importância de um trabalho e gerar dinheiro. Vejo até artistas fazendo "estudo de caso" de profissionais com grande número de seguidores (como o Gabriel Picolo, que tem mais de 2 milhões de seguidores no Instagram e hoje trabalha para a DC), esquecendo-se que quem está no "topo" é porque escreveu uma trajetória de muito trabalho até chegar lá. Não existe fórmula pronta.
E dá-lhe reclamação por não ter visibilidade, por ter muita gente que "não merece" e consegue trabalhos legais, e a pessoa ali, imersa naquele círculo vicioso de tomar os outros como exemplo, sem olhar com carinho para o próprio trabalho, sem enxergar o propósito daquilo que faz. Na minha opinião, é isso que tem matado a capacidade criativa de uma geração inteira de jovens artistas. Ter reconhecimento é legal, receber feedback de um grande público é muito bom, mas saber porque você realmente está ilustrando e aonde quer chegar com seu trabalho é melhor ainda, pois é algo permanente.
Vai chegar um dia em que as redes sociais como conhecemos vão desaparecer. Surgirão outras e, com elas, diferentes formas de compartilhar e consumir arte. Pode ser que toda a internet mude a qualquer instante, e não são as pessoas com o maior número de visualizações que vão sobreviver, mas sim aquelas que realmente amam o que fazem e se dedicam a sempre estudar, aprimorar e buscar parcerias de trabalho sólidas que, independentemente do meio, vão buscá-las quando precisarem de alguém para um projeto bacana.
Arte não é um algoritmo, e a nossa vida também não é.
Photo by Prateek Katyal on Unsplash
Meus papéis favoritos (atualizados)
Depois de fazer um post atualizado com meus materiais favoritos, chegou a vez de comentar sobre os meus papéis prediletos. Gosto muito de testar coisas novas, algumas vezes me dou bem e descubro materiais realmente interessantes, e em outras fico com o gosto amargo do fracasso
Resolvi dividir esse post em: papéis para aquarela, papéis para desenho a lápis e papéis para marcadores diversos (álcool e água). Vou colocar os links de onde encontrar estes produtos, para que vocês tenham uma média de preço, porém, esta não é uma publicação patrocinada por nenhuma loja, estou dando minha opinião sincera e recebendo 0 centavos por isso.
Papéis para aquarela
Moulin DuRoy grana fina: todos nós sabemos que papéis para aquarela estão entre os mais caros, principalmente se a fibra for 100% algodão. Existem algumas opções no mercado, como este papel da Canson, linha Moulin DuRoy. Ele é um papel intermediário com textura muito boa e excelente absorção da tinta. Não vai ficar encharcado, mas também não vai secar em poucos segundos, permitindo trabalhar de maneira tranquila. O grana fina possui uma textura muito delicada, e não marca demais caso você desejar fazer acabamentos com caneta ou lápis de cor. Aqui dá pra ver um trabalho feito com este papel.
Arches grana fina: sem dúvidas, o melhor papel para aquarela que já usei. Além de ter uma das embalagens mais chiques e maravilhosas que exitem (sou dessas). Houve uma época que a Arches era distribuída pela Canson, e os preços estavam bem ok para a qualidade profissional do papel. Porém, depois que as empresas se separaram, o preço do Arches foi parar na estratosfera, e nunca mais consegui comprar um bloco para mim. Estou economizando tudo o que dá meu bloco A4 e os bloquinhos em formato de cheque que comprei há milênios por (hoje) irrisórios R$ 75,00. Sobre a qualidade, ele tem tudo o que já mencionei acima sobre o Moulin DuRoy, com o adicional de deixar a cor mais vibrante e uma textura incrível quando finalizamos o trabalho. Parece que você está pintando sobre um tecido caríssimo. E essa é uma característica de todos os papéis dessa marca, eles valorizam muito a sua pintura, e são muito gostosos de trabalhar. Aqui dá pra ver um trabalho feito com este papel.
Arches grana fina: sem dúvidas, o melhor papel para aquarela que já usei. Além de ter uma das embalagens mais chiques e maravilhosas que exitem (sou dessas). Houve uma época que a Arches era distribuída pela Canson, e os preços estavam bem ok para a qualidade profissional do papel. Porém, depois que as empresas se separaram, o preço do Arches foi parar na estratosfera, e nunca mais consegui comprar um bloco para mim. Estou economizando tudo o que dá meu bloco A4 e os bloquinhos em formato de cheque que comprei há milênios por (hoje) irrisórios R$ 75,00. Sobre a qualidade, ele tem tudo o que já mencionei acima sobre o Moulin DuRoy, com o adicional de deixar a cor mais vibrante e uma textura incrível quando finalizamos o trabalho. Parece que você está pintando sobre um tecido caríssimo. E essa é uma característica de todos os papéis dessa marca, eles valorizam muito a sua pintura, e são muito gostosos de trabalhar. Aqui dá pra ver um trabalho feito com este papel.
Hahnemühle textura fina: esse papel foi uma descoberta e tanto. Ele é relativamente barato e com uma qualidade semelhante ao Arches. Pelo preço do bloco, vale muito a pena o investimento, principalmente se você não está com tanta grana para investir num papel mais caro. Aqui dá pra ver um trabalho feito com este papel.
Papéis para desenho a lápis
Nostalgie, da Hahnemühle: esse papel também faz parte das minhas descobertas acidentais, e curti muito usar. O bloco A4 vem com 50 folhas de 190g satinadas. O acabamento é liso, ideal para quem não gosta de textura marcada. Tanto o grafite quanto o lápis de cor funcionam bem nele. Aqui dá pra ver um trabalho feito com este papel.
Layout 180, da Canson: o Layout é outro ótimo papel para quem não curte deixar a textura marcada, sendo também uma boa alternativa para quem gosta de trabalhar com marcadores a base de álcool ou água. Por ser um papel para desenho técnico, até os lápis com as minas mais duras performam bem no Layout. Aqui dá pra ver um trabalho feito com este papel.
"C" à grain, da Canson: este é para quem gosta de papel texturizado, embora não seja uma superfície tão marcante a ponto de interferir na cobertura do grafite ou lápis de cor. Dá para fazer ótimos efeitos, embora eu ache que o lápis aquarelado fique um pouco embolotado nesse papel. Por ser da linha escolar, tem um bom preço. Aqui dá pra ver um trabalho feito com este papel.
Papel para marcadores (álcool e água)
Bristol, da Canson: além de ser um excelente papel para marcadores, o Bristol funciona também com lápis de cor e grafite. É uma relação custo/ benefício muito boa, principalmente para quem busca qualidade e economia. Ele suporta tanto os marcadores à base de álcool, como os da Copic, quanto os à base de água (hidrográficas comuns), sem chupar a tinta da caneta com o tempo, deixando o desenho todo manchado. Já aconteceu de um papel da Copic absorver tanto a tinta, que passou para o outro lado da folha e, em seguida, para o papel que estava atrás, estragando duas ilustrações. Aqui dá pra ver um trabalho feito com este papel.
---
Para fazer rascunhos e estudos rápidos, qualquer papel sulfite já me serve. Até houve um tempo que eu comprava papéis especiais para sketch, mas não vale o preço, pois a grande maioria vai fora.
Claro que uso outros papéis no meu dia-a-dia, mas estes são os meus favoritos, e os que recomendo para quem está buscando alternativas de trabalho. Como disse anteriormente, os links redirecionam para várias lojas, só para que vocês tenham uma rápida noção de preço, mas garimpando sempre se acha um bom desconto. Espero ter ajudado! Se quiser ver outros posts assim, veja as tags dicas, materiais e também a seção FAQ do blog.
Claro que uso outros papéis no meu dia-a-dia, mas estes são os meus favoritos, e os que recomendo para quem está buscando alternativas de trabalho. Como disse anteriormente, os links redirecionam para várias lojas, só para que vocês tenham uma rápida noção de preço, mas garimpando sempre se acha um bom desconto. Espero ter ajudado! Se quiser ver outros posts assim, veja as tags dicas, materiais e também a seção FAQ do blog.
Conheça meu portfólio profissional
Loja virtual | Contato: lidiane@lidydutra.com
#2 Red
Continuando a pequena série de (a princípio) três trabalhos utilizando lápis de cor, que me propus a fazer como forma de manter uma produção mínima. Na primeira ilustração, dei ênfase para a cor azul e, agora, é o vermelho que toma conta.
Sigo trabalhando com os lápis de cor Rijksmuseum da Bruynzeel, e também com o SuperSoft da Faber-Castell. Dessa vez, fiz a pele com o Polycolor da Koh-I-Noor, e optei por substituir o papel pelo Bristol, que faz o lápis deslizar com perfeição. Dá pra ver uma prévia aqui e outra aqui.
Tenho curtido muito o processo de pintura e o "deixar de lado". Levo dias para fazer algo que eu sei que faria "numa sentada só". Isso tem sido importante para mim, pois consigo me manter ocupada, e aquela sensação de não estar sendo produtiva desaparece. Não fica o vazio, nem a culpa. Aliás, o que menos tenho sentido, desde que entendi que o desenho e a ilustração ocupam um momento muito restrito ao pessoal na minha vida, é culpa.
Comecei o processo de pintura pelo cabelo, e utilizei preto e dois tons de marrom, vermelho e laranja para conseguir esse resultado. A princípio eu não colocaria o laranja, mas vi que ele deixou a cor mais vibrante. As áreas brancas são pontos de luz que deixei sem pintar, a técnica que utilizo para fazer esse tipo de cabelo é ir fazendo fio por fio, pacientemente, até conseguir uma massa de cor e forma. O restante da ilustração segue o mesmo ritual de sempre. O resultado:
Materiais utilizados
- Lápis de cor Rijksmuseum, SoftColor e Polycolor;
- Papel Bristol;
- Multiliner Copic;
- Caneta metálica Uni Paint.
Ainda estou na dúvida sobre as cores da última ilustração, pois quero muito utilizar verde e roxo. Talvez eu faça uma quarta ilustração, só para não descartar nenhuma possibilidade.
Conheça meu portfólio profissional
Loja virtual | Contato: lidiane@lidydutra.com
Assinar:
Comentários (Atom)




































