É preciso estar triste para criar?
Este texto foi publicado na minha finada newsletter e hoje, fazendo uma pesquisa nos meus e-mails, o redescobri. Fiquei bem contente com o que escrevi (há dois anos atrás) e resolvi resgatar essa reflexão, deixando-a registrada aqui no blog. Enjoy!
***
A figura do artista mentalmente perturbado é bastante comum em nossa sociedade. Talvez o expoente máximo seja Van Gogh: incompreendido, genial, problemático. Viveu na miséria, para ter sua obra reconhecida e glorificada séculos depois de sua morte. Essa é uma visão bastante nociva do ser artista, mas que ainda é bastante propagada (inclusive, pelos próprios artistas). Quanto maior o nível de perturbação, mais intensa e grandiosa a obra. Será?
A Sarah Andersen, quadrinista que acompanho há um bom tempo, publicou essa tirinha, que resume bem o que penso sobre o tormento do artista. Existe o mito de que a criatividade está associada à tristeza, e de que os momentos mais inspiradores são também os mais dolorosos. Mas isso está longe de ser uma regra, pois o processo criativo é algo muito subjetivo. Além disso, esse mito ajuda a reforçar o estereótipo do artista louco, e afasta a compreensão de que arte é um trabalho, como qualquer outro.
Essa visão obtusa sobre o fazer artístico carrega um pouco de romantização, e outro tanto de desumanização do indivíduo artista. A sociedade acaba justificando pela arte qualquer problema real que essa pessoa tenha (doenças mentais, alcoolismo, abuso de drogas, violência), com o argumento de que "faz parte do pacote". Ao mesmo tempo, qualquer profissional que não se encaixe nessa construção social, acaba por não ser visto como um bom artista ou um artista verdadeiro.
Por ser um campo do conhecimento que trabalha constantemente com a subjetividade, a arte tende a ser encarada como algo incompreensível, cheio de códigos que somente poucos iniciados têm acesso. O que não deixa de ser outra construção social, relacionada principalmente ao status. Para muitos artistas, é conveniente que o público tenha a crença de que eles são esses poucos escolhidos, que conseguem decifrar os meandros que um leigo jamais conseguirá. Isso ajuda a manter o interesse e relevância de suas obras.
Talvez daí venha também o desdém que muitos carregam por artistas comerciais (e aqui não vou entrar no mérito estético de ser bom ou ruim), como Romero Britto. Ser acessível e popular parecem coisas que destoam completamente do discurso artístico dominante. É contra o fluxo natural das coisas.
É preciso estar triste para criar?
É preciso estar feliz para criar?
É preciso QUERER criar. Assim como também é preciso aprender, experimentar, se atualizar, ler, interagir, pensar, refletir... Mais do que tentar colocar os artistas em caixinhas como problemático, estressado, deprimido, a sociedade deve entender que cada um tem seus próprios processos criativos, e que o estado de espírito no momento da criação é apenas um dos aspectos que irão moldar aquela obra.
Por que eu sou desenhista? Este vídeo da Ale Presser sobre o que a motiva a desenhar, e que oferece um panorama poético e profissional sobre a prática artística. É possível perceber que arte envolve muito mais do que sentimento.
#1 Blue
Resolvi fazer uma pequena série de três trabalhos (a princípio), utilizando lápis de cor, que é o material para o qual eu sistematicamente volto quando preciso trabalhar com cor, mas não estou conseguindo usar aquarela.
Por enquanto, essa série não tem nome, estou mais preocupada em ter uma rotina de desenho do que em criar coisas perfeitamente acabadas. E também é uma oportunidade de usar o estojo de lápis Rijksmuseum Bruynzeel, que é absurdamente lindo e com cores altamente pigmentadas, e também os SuperSoft da Faber-Castell, que apresentam cores bem semelhantes, porém mais suaves, proporcionando misturas interessantes.
Fiz somente uma foto do esboço inicial, que compartilhei nos stories do Instagram, pois também não me preocupei em parar e fazer vários registros, acho que isso me atrapalha um pouco. Coloquei um vídeo para rodar no celular e deixei ele de lado durante a pintura.
A seleção de cores é muito semelhante aos SoftColor, da Faber-Castell. A grande diferença vai ficar por conta da alta pigmentação dos Bruynzeel e da maciez da mina, que desliza muito suavemente e entrega bastante cor ao papel. A título de comparação, os da Faber são menos intensos, porém, ao usar as duas marcas em conjunto, consegui fazer misturas muito interessantes e chegar nas tonalidades desejadas, como no cabelo da figura: 3 cores de Bruynzeel e uma de SoftColor.
Os detalhes em dourado ficaram por conta de uma nova caneta que também adquiri, da Uni Paint. Ela une o melhor de dois mundos: a pigmentação da Posca e a precisão de uma caneta gel, e tem uma coloração linda (pena que o scanner matou o dourado na arte final, mas dá pra ter uma noção nas fotos).
- Lápis de cor Rijksmuseum Bruynzeel;
- Lápis de cor SuperSoft Faber-Castell;
- Caneta dourada Uni Paint;
- Multiliner Pigma Sakura.
E sempre passo um verniz fixador ao final, para segurar tudo!
As próximas da série também terão cabelos coloridos, mas ainda estou decidindo quais cores. É uma forma de sair da mesmice e usar as tonalidades mais bonitas e diferentes. Mês de maio está quase aí mas, sinceramente, não sei se participarei do MerMay esse ano... Se eu fizer algum trabalho, será único, e não uma ilustra por semana.
Sobre os lápis de cor da Bruynzeel
Eu já conhecia a linha 8815 de lápis grafite, tenho um 5B super macio e gostoso de trabalhar, mas confesso que fiquei receosa de comprar os lápis de cor e me decepcionar, sou bastante apegada aos Polycolor. Procurei alguns vídeos e resenhas, confesso que não achei muita coisa, mas decidi arriscar mesmo assim. Essa edição é especial, em parceria com o Rijksmuseum, e traz na embalagem obras de diferentes artistas que estão no acervo da instituição. Nesta que comprei é A Leiteira, de Johannes Vermeer.A seleção de cores é muito semelhante aos SoftColor, da Faber-Castell. A grande diferença vai ficar por conta da alta pigmentação dos Bruynzeel e da maciez da mina, que desliza muito suavemente e entrega bastante cor ao papel. A título de comparação, os da Faber são menos intensos, porém, ao usar as duas marcas em conjunto, consegui fazer misturas muito interessantes e chegar nas tonalidades desejadas, como no cabelo da figura: 3 cores de Bruynzeel e uma de SoftColor.
Os detalhes em dourado ficaram por conta de uma nova caneta que também adquiri, da Uni Paint. Ela une o melhor de dois mundos: a pigmentação da Posca e a precisão de uma caneta gel, e tem uma coloração linda (pena que o scanner matou o dourado na arte final, mas dá pra ter uma noção nas fotos).
Materiais utilizados
- Papel Nostalgia Hahnemühle;- Lápis de cor Rijksmuseum Bruynzeel;
- Lápis de cor SuperSoft Faber-Castell;
- Caneta dourada Uni Paint;
- Multiliner Pigma Sakura.
E sempre passo um verniz fixador ao final, para segurar tudo!
As próximas da série também terão cabelos coloridos, mas ainda estou decidindo quais cores. É uma forma de sair da mesmice e usar as tonalidades mais bonitas e diferentes. Mês de maio está quase aí mas, sinceramente, não sei se participarei do MerMay esse ano... Se eu fizer algum trabalho, será único, e não uma ilustra por semana.
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Blooming Flowers 🌸
Antes de começar a falar sobre essa ilustração, gostaria de informar que a exposição GAIA fica em cartaz até sexta-feira, dia 29/03! Todas as informações estão neste post e, na próxima quarta-feira, estarei no programa Paralelo 30, da FURG FM, para falar sobre meu trabalho.
Meu ritmo de trabalho tem mudado bastante nos últimos tempos. A dedicação à docência, associada ao fato de que não estou aceitando encomendas (no momento), fizeram com que todo o tempo dedicado à arte fosse para fins pessoais, então não há pressão para finalizar, postar, colocar na loja, etc. Por um lado isso é ótimo, pois diminui minha ansiedade e me dá espaço para pensar com calma no que desejo fazer. Por outro, cada vez mais tenho me afastado das redes sociais, principalmente Instagram, pois sinto que não consigo acompanhar o ritmo de publicações/curtidas necessários para que meu perfil cresça. Sinceramente, não tenho mais saco pra correr atrás de algoritmo, e acredito que 99% dos artistas também não tem.
Esse foi meu primeiro contato com o papel Hahnemühle para aquarela, 300g, textura fina. Ele tem um custo relativamente barato, se compararmos com outros papéis para aquarela, e uma qualidade muito boa, achei bastante parecido com a linha Canson Héritage. É um papel que absorve bem a tinta e seca na medida, permitindo fazer novas camadas. O começo da pintura é sempre o mesmo, fiz um fundinho em ciano antes de começar esse costeiro florido.
Em seguida, fui colorindo essas flores com dioxazine, magenta e o mesmo ciano, além do sap green nas folhagens. Gostei muito desse contraste de cores, acho que nunca havia colorido flores assim. Tomei o cuidado em deixar a figura feminina o mais neutra possível, pois aqui as flores são as protagonistas, e eu não queria um carnaval de cores confusas. Usei essa foto da Gisele como referência e, se for pensar que não estou estudando anatomia como deveria, até que consegui um resultado bem joinha...
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Hahnemühle 300g, grana fina;
- Aquarelas Van Gogh;
- Pincéis Keramik, linhas 411 e 413;
- Multiliner Copic e caneta dourada para os detalhes;
- Veja todos os materiais que usei clicando aqui.
Mais um trabalho que curti e que me deixou em paz comigo mesma e com minhas dificuldades, aprendizados e limites. Acho muito importante que, principalmente nós, mulheres, estejamos em harmonia com nosso trabalho criativo, pois criar não é fácil, e ter noção de até onde podemos ir e de que não precisamos nos cobrar tanto já é metade do caminho.
E para quem ainda tem paciência para redes sociais e quiser me acompanhar no Instagram e no Facebook, acabei trocando de username, para preservar meus perfis pessoais. Agora sou @lidydutra.art nessas duas redes (nas demais, sigo como @lidydutra).
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GAIA ● minha próxima exposição
Finalmente, depois de quase dois anos, voltarei a fazer uma exposição individual. E ela vem num momento muito especial, dentro da programação do Mês da Mulher e do Março Lilás. Também é minha primeira exposição num espaço institucional, então estou muito feliz e realizada.
GAIA é uma seleção de quatro séries temáticas (Ondinas, Oceânides, Fadas de Jardim e Botânicas), que estarão na íntegra e em seus originais em aquarela, para que o público possa apreciar cada detalhe que coloco nas ilustras, o tamanho real delas e também o tanto de amor que carrego em cada trabalho.
A exposição GAIA tem abertura oficial no dia 07 de março, às 18h horas, quem for de Rio Grande e região pode (e deve!) ir lá me dar um abraço pessoalmente. E a visitação ocorre de 08 a 31 de março, de segunda a sexta-feira, das 13h às 18h, com entrada gratuita. A Sala Multiuso fica localizada no prédio da Prefeitura Municipal do Rio Grande (Largo Engenheiro João Fernandes, s/n).
Desde já agradeço a equipe da Secretaria de Município da Cultura, em especial ao Cássio, e também a todos que estão deixando mensagens de carinho nas redes sociais. Lá no Instagram e no Facebook vão rolar muitas atualizações, fiz até um story fixo só sobre a exposição.
E também saiu uma matéria linda no caderno Mulher Interativa, do Jornal Agora, neste final de semana. O jornalista André Zenobini me entrevistou e fez uma seleção de trabalhos que estarão na exposição. Não tenho palavras para agradecer o apoio que sempre recebo da imprensa local. Dá pra ler a matéria aqui e, quem for de Rio Grande, por favor, compre o jornal!!!
Espero vocês lá na Sala Multiuso para conferir GAIA de perto. Não esqueçam de tirar muitas fotos e me marcar nas redes sociais, sempre faço questão de comentar e compartilhar. E quem puder ir na abertura, dia 07, às 18h, estarei esperando de braços abertos.
Serviço
O que: Exposição GAIA, de Lidiane Dutra.
Onde: Sala Multiuso da Prefeitura Municipal do Rio Grande (Largo Eng. João Fernandes, s/n).
Quando: Abertura dia 07/03, às 18h. Visitação de 08 a 31/03, de segunda à sexta, das 13h às 18h.
Quanto: Entrada gratuita.
Aloe Vera 🌿
Mais uma garota botânica, a primeira de 2019. Já aviso que na semana que vem retomo a rotina de aulas, dessa vez numa nova escola e, por isso, o ritmo de produção artística e postagens deverá cair. Mas até lá vou tentar deixar alguns conteúdos legais por aqui.
A Série Botânicas é uma das mais queridas, pois tem uma continuidade e um ritmo de produção muito bons. Quando tenho vontade de rabiscar algo, ou uma plantinha aparece na minha cabeça, anoto e deixo a ideia - literalmente - florir, no tempo que f(l)or.
A planta da vez é a aloe vera, conhecida também como babosa. Ano passado comprei o livro Florilegium, que traz várias ilustrações botânicas, e as aloes me chamaram atenção, por me remeter à infância e ao famoso CREME PARA CABELO DO POTÃO DE BABOSA! Quem nunca, né?
A primeira tentativa de pintar essa ilustra foi um desastre. O dia estava péssimo, só passava tragédia na TV, e isso me afetou. Como resultado, a tinta manchou e ficou pastosa, deixando o aspecto da pele horrível. Por isso, joguei tudo fora sem remorso e comecei novamente, nesse papel da Hahnemühle que é um desafio, por ser torchon (rugoso). Mas fui na coragem, e todas as inspirações nas cores mexicanas e na minha sempre amada Sylvia Ji deram certo.
Materiais utilizados
- Papel Britannia Hahnemühle 300g;
- Os materiais deste post.
Como já disse lá em cima, semana que vem retomo minha rotina docente, e uma das metas para esse ano é levar muitos trabalhos de artistas nacionais para meus alunos. Mulheres que, assim como eu, usam a internet como plataforma de divulgação, e que construíram uma carreira no mundo da ilustração. Espero poder levar isso tudo, com todo carinho, e ajudar a espalhar ainda mais arte por aí.
Ah! E ainda está rolando o desafio #drawthisinyourstyle. Estou postando todas as artes neste álbum do Facebook. Tem coisas lindas, de artistas que admiro demais. Me sinto honrada.
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Meus materiais favoritos (atualizados)
Sempre que tem post de ilustração aqui no blog, me preocupo em colocar uma lista com todos os materiais que utilizei, pois é uma dúvida super válida de quem vai ver esse tipo de conteúdo. Outros dois posts mostram meus materiais favoritos e minhas aquarelas e pincéis favoritos. Como ambos já têm um tempinho, resolvi dar uma atualizada geral.
Neste post não vou incluir papéis favoritos, pois este é outro assunto, quero detalhar cada papel utilizado, fotografar suas texturas, quais são melhores para lápis, marcador, aquarela, por isso, vai levar um pouco mais de tempo. Aguardem e não desistam de mim!
As aquarelas que sempre uso nas minhas ilustrações são: Cotman, Sennelier, Rembrandt, Van Gogh e Venezia. Não uso outras, até mesmo porque quero gastar algumas dessas para investir num estojo da Lukas. Aliás, estou esperando muitos dos meus materiais acabarem para comprar outros, evitando assim o acúmulo e a angústia de não poder testar como quero. Todas essas tintas estão misturadas nas minhas paletas, às vezes nem sei direito qual estou usando.
Os pincéis são os materiais com a mudança mais visível. Tenho muitos, que fui acumulando ao longo da faculdade, outros comprei para testar, mas desde que descobri os sintéticos da Keramik (marca nacional que mais se aproxima aos da Escoda), minha vida mudou para melhor. São baratos, têm um formato de cerda que permite armazenar uma quantidade boa de tinta, são bons para detalhes e também para cobrir grandes áreas e, o melhor, não usam pelo animal. Da esquerda para direita, meus pincéis favoritos são:
Percebam que existe uma diferença entre as numerações das linhas. Enquanto o nº 8 da 311 é bem gorducho, o mesmo da 413 é tão fino quanto o nº 4 da linha 411. Embora eu quase sempre compre material "no escuro", através de lojas online, recomendo que sempre vejam ao vivo o tipo e o formato ideais para seus trabalhosfaçam o que digo, não façam o que faço.
Em tempo: como armazeno pincéis? Sempre deixo-os secar na horizontal, para não estragar a madeira do cabo, e guardo numa caneca, assim como lápis e caneta, sem muito mistério.
As canetas multiliner, ou de nanquim descartável, são a minha perdição, tenho uma caneca cheia delas, com pontas que variam de 0.05 a 0.8, com cores do cinza claro ao sépia. E eu uso absolutamente todas elas. Por isso deixei de registrar qual marca e numeração usei numa ilustração, pois na hora de passar aqui para o blog, nem lembro mais. Mas vou listar aqui a marca e a ponta de todas elas:
Já as canetas que uso para detalhes compreendem um conjunto à parte das multiliners, é praticamente um balaio de gato. São canetas à base de nanquim, em gel, porosas e as famosas Poscas. Geralmente, as uso para cobrir grandes áreas de preto (cabelos, principalmente), fazer line art mais grossinha, abrir luz e aplicações metalizadas.
Lápis grafite é, sem dúvida, um dos materiais que mais uso e tenho curiosidade em testar, embora tenha minhas duas marcas favoritas: Staedtler (linha Mars Lumograph) e Lyra (linha ArtDesign). Não vou especificar cada graduação que tenho, pois nas minhas coisas é possível encontrar os lápis técnicos de mina super dura, até os artísticos bem macios. As graduações que uso com mais frequência são: 2B, 4B e 6B. Tanto é que tenho estoque de algumas delas.
Na foto acima, estão os lápis de todas as marcas que tenho. Alguns vêm em estojos com 24 unidades, outros comprei isoladamente. São eles: Stabilo Othelo, Koh-I-Noor Hardtmuth, Staedtler Mars Lumograph, Derwent Graphic, Lyra ArtDesign, Royal & Langnickel, Conté à Paris, Sakura Bruynzeel.
Gosto de lápis macios, com mina escura e que, quando bem apontados, deslizem no papel sem esfarelar e esfumem bem. E isso, os meus dois preferidos fazem de maneira maravilhosa, por isso os recomendo.
Os periféricos são aqueles materiais que, sem eles, não tem desenho, mas que raramente são listados. Não despertam tanta curiosidade quanto as aquarelas, por exemplo, mas fazem grande diferença no resultado final de um trabalho. Eu gosto de usar um esfuminho, que é esse rolinho de papel prensado, ideal para esfumar o grafite. Ele tem uma numeração, mas geralmente uso um fininho para detalhes e um maiorzinho para áreas mais amplas. Também sempre tenho à mão uma borracha Mono Zero, da Tombow, a minha é a 2.3, que uso para correções e abrir luz. É possível comprar o refil separadamente. Ainda uso uma lapiseira Pentel 0.9, para as linhas gerais, e também uma borracha preta Pentel, que não esfarela, e um apontador Derwent com dois diâmetros diferentes.
Dica: para limpar a ponta do esfuminho, retirando o excesso de grafite e ajudando a dar uma aparada, mantendo o formato original, uso uma lixa de unha comum.
Por fim, os lápis de cor. Como praticamente todos os meus trabalhos sãouma grande salada em técnica mista, sempre dou os retoques finais na aquarela, reforçando valores ou chegando ao tom desejado, com lápis de cor. Os meus preferidos são os da linha Polycolor, da Koh-I-Noor. É uma linha intermediária com preço ok, não-aquarelável, vendida em estojos ou individualmente. As minas são macias, entregam bastante cor, e se mantêm firmes, sem precisar apontar toda hora. Sei que tem muitos lápis profissionais excelentes, mas me acostumei muito bem a essa linha e não penso em substituí-la tão cedo. Acima, meu estojo com cores próprias para retrato, tenho outro para paisagens e mais alguns com cores selecionadas.
- Linha 411 (cabo marrom): nº 4, 6 e 8. Cortei os cabos pois são muito longos.
- Linha 220 (cabo preto): nº 4 e 6.
- Linha 413 (cabo azul escuro): nº 8. Cortei o cabo pois é muito longo.
- Linha 311 (cabo azul claro): nº 4, 6 e 8. Cabos no tamanho ideal, na minha opinião.
- Linha 235S (cabo florido): nº 14. Pincel chato para umedecer áreas médias.
- Linha 2500 (hake): nº 5. Pincel chato e macio para umedecer grandes áreas.
Percebam que existe uma diferença entre as numerações das linhas. Enquanto o nº 8 da 311 é bem gorducho, o mesmo da 413 é tão fino quanto o nº 4 da linha 411. Embora eu quase sempre compre material "no escuro", através de lojas online, recomendo que sempre vejam ao vivo o tipo e o formato ideais para seus trabalhos
Em tempo: como armazeno pincéis? Sempre deixo-os secar na horizontal, para não estragar a madeira do cabo, e guardo numa caneca, assim como lápis e caneta, sem muito mistério.
As canetas multiliner, ou de nanquim descartável, são a minha perdição, tenho uma caneca cheia delas, com pontas que variam de 0.05 a 0.8, com cores do cinza claro ao sépia. E eu uso absolutamente todas elas. Por isso deixei de registrar qual marca e numeração usei numa ilustração, pois na hora de passar aqui para o blog, nem lembro mais. Mas vou listar aqui a marca e a ponta de todas elas:
- Staedtler Pigment Liner (preta): 0.1, 0.2, 0.3, 0.5, 0.8;
- Copic Multiliner (sépia): 0.05, 0.1, 0.5;
- Uni Pin Fine Line (preta): 0.3;
- Pigma Micron (preta): 0.05, 0.1, 0.5, 0.8, brush;
- Copic Multiliner (preta): 0.5, 0.8, brush s, brush m;
- Copic Multiliner SP (preta): 0.5;
- Derwent Graphik (sépia): 0.3;
- Uni Pin Fine Line (light grey): 0.5;
- Uni Pin Fine Line (dark grey): 0.5.
Já as canetas que uso para detalhes compreendem um conjunto à parte das multiliners, é praticamente um balaio de gato. São canetas à base de nanquim, em gel, porosas e as famosas Poscas. Geralmente, as uso para cobrir grandes áreas de preto (cabelos, principalmente), fazer line art mais grossinha, abrir luz e aplicações metalizadas.
- Brush Pen Pentel (preta);
- Sakura Pigma FB (preta);
- Pentel Sign Pen (preta);
- Gellyroll Sakura 08 (branca);
- Posca PC-5M (dourada);
- Posca PC-3M (branca);
- Pentel Slicci 08 (dourada e prateada).
Lápis grafite é, sem dúvida, um dos materiais que mais uso e tenho curiosidade em testar, embora tenha minhas duas marcas favoritas: Staedtler (linha Mars Lumograph) e Lyra (linha ArtDesign). Não vou especificar cada graduação que tenho, pois nas minhas coisas é possível encontrar os lápis técnicos de mina super dura, até os artísticos bem macios. As graduações que uso com mais frequência são: 2B, 4B e 6B. Tanto é que tenho estoque de algumas delas.
Na foto acima, estão os lápis de todas as marcas que tenho. Alguns vêm em estojos com 24 unidades, outros comprei isoladamente. São eles: Stabilo Othelo, Koh-I-Noor Hardtmuth, Staedtler Mars Lumograph, Derwent Graphic, Lyra ArtDesign, Royal & Langnickel, Conté à Paris, Sakura Bruynzeel.
Gosto de lápis macios, com mina escura e que, quando bem apontados, deslizem no papel sem esfarelar e esfumem bem. E isso, os meus dois preferidos fazem de maneira maravilhosa, por isso os recomendo.
Os periféricos são aqueles materiais que, sem eles, não tem desenho, mas que raramente são listados. Não despertam tanta curiosidade quanto as aquarelas, por exemplo, mas fazem grande diferença no resultado final de um trabalho. Eu gosto de usar um esfuminho, que é esse rolinho de papel prensado, ideal para esfumar o grafite. Ele tem uma numeração, mas geralmente uso um fininho para detalhes e um maiorzinho para áreas mais amplas. Também sempre tenho à mão uma borracha Mono Zero, da Tombow, a minha é a 2.3, que uso para correções e abrir luz. É possível comprar o refil separadamente. Ainda uso uma lapiseira Pentel 0.9, para as linhas gerais, e também uma borracha preta Pentel, que não esfarela, e um apontador Derwent com dois diâmetros diferentes.
Dica: para limpar a ponta do esfuminho, retirando o excesso de grafite e ajudando a dar uma aparada, mantendo o formato original, uso uma lixa de unha comum.
Por fim, os lápis de cor. Como praticamente todos os meus trabalhos são
Essa é a minha lista atualizada de materiais favoritos, mas antes de encerrar o post, gostaria de pontuar duas coisas importantes:
1. O que funciona para mim, pode não funcionar para você. Portanto, antes de sair comprando um material (e longe de mim querer incentivar o consumismo desenfreado, tudo o que tenho foi comprado ao longo de ANOS), pesquise o tipo de material que gosta, quais as técnicas são predominantes no seu trabalho e que tipo de material você gostaria de testar/ técnica que você quer arriscar. Tudo isso é importante para evitar investimento em algo que vai ficar parado na gaveta. Por exemplo, eu não trabalho com tinta a óleo e não tenho interesse, então não há motivos para comprar um tubo. Em compensação, sempre tive curiosidade de testar pastel oleoso, por isso, pesquisei uma marca intermediária boa para começar a estudar.
2. O material não faz o artista. Ter coisas boas é excelente para você não ficar passando perrengue na hora de trabalhar. É muito melhor investir num papel com gramatura boa para desenho do que comprar folha sulfite escolar. O mesmo vale para o restante. Porém, tem muita gente que trabalha super bem com materiais escolares, e que se tiver algo super profissional nas mãos vai decolar, e também tem muita gente que ostenta coisas importadas e caras, mas não investe em estudo. Então, procure sempre o equilíbrio entre o que você quer e o que o seu bolso permite e nunca, jamais deixe de investir em estudos. Seja tutorial no YouTube, livros ou cursos, o importante é saber o que fazer com os materiais que você dispõe. E é claro que, com o tempo, você vai sentir cada vez mais necessidade de se profissionalizar e adquirir coisas de qualidade. Mas tenha em mente que essa qualidade não pode ser só material.
Acho que era isso, como disse lá no começo, ainda nesta década faço um post com meus papéis favoritos. Não desistam de mim!
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Janaína
Hoje é dia de Iemanjá (Nossa Senhora dos Navegantes, para os católicos), feriado aqui em Rio Grande. Já teve festa e fiz meus pedidos na beira da praia do Cassino, que tem uma linda escultura da orixá, feita pelo artista Érico Gobbi.
Há dois anos atrás eu já tinha feito uma aquarela em homenagem à Iemanjá. Esse ano pesquisei alguns elementos das religiões de matriz africana, como o adé (paramento de cabeça, uma espécie de coroa com franjas, que encobrem o rosto do médium), e também na literatura sobre divindades femininas, para deixar a minha representação mais completa.
Um dos elementos mais ligados a Iemanjá são as oferendas relacionadas à beleza: perfumes, espelhinhos, jóias. É comum ver esses objetos nos barcos durante os festejos. Por isso, coloquei minha figura dentro da moldura de um espelho, adornado por conchas, búzios e pérolas. Para o cabelo, fiz uma mistura de nanquim com aquarela e médium shine, e eu não tinha ideia de que o resultado ficaria assim, tão bonito.
Para colorir a pele negra com aquarela, fiz as marcações de valores com dioxazine e azul ultramar, e fui construindo camadas de tons terrosos, tomando cuidado para que uma camada secasse bem antes de iniciar a outra, para não manchar. O vestido e o adé foram pintados com aquarela também.
Eu não queria simplesmente colocar as franjas na frente do rosto sem dar detalhes para ele. Por isso, fiz como em qualquer outra ilustração e, depois de pronto, comecei a construir as franjas com a caneta prateada. Num primeiro momento, achei que as franjas cobririam o rosto de qualquer jeito, e todo o trabalho que tive iria sumir. Mas assim que completei um dos lados, vi que ficaria harmonioso. O resultado final:
Materiais utilizados
- Papel Moulin DuRoy 300g grana fina;
- Naquim e aquarela;
- Lápis de cor Polycolor;
- Multiliner
- Canetas dourada, prateada e branca para os detalhes.
Quanto nome tem a Rainha do Mar?
Quanto nome tem a Rainha do Mar?
Dandalunda, Janaína,
Marabô, Princesa de Aiocá,
Inaê, Sereia, Mucunã,
Maria, Dona Iemanjá...
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Hekate Phosphorus
Não é de hoje minha admiração pela deusa Hécate, a Senhora das Encruzilhadas. Desde uma experiência muito importante - e de estudos que tenho feito, a vontade de retratar essa entidade é recorrente. Em 2016, desenhei um retrato que fez muito sucesso e até entrou para minha última exposição individual e, desde então, fiquei com aquela imagem tríplice na cabeça, como se Hécate sempre aparecesse para mim daquele jeito.
Por isso, não considero essa ilustração uma releitura daquela de três anos atrás, um #drawthisagain. É mais um retrato da mesma divindade, na mesma posição que eu acredito que ela se materializa para mim. Dessa vez, trabalhei com a aquarela e acrescentei as duas tochas, símbolos de Hécate.
O processo é sempre o mesmo para todas as pinturas. Assim como em 2016, não usei referência fotográfica para a ilustração, deixei a imagem se apresentar da maneira mais natural possível. Dei especial atenção para a anciã, pois preciso melhorar muito meu traço quando faço pessoas mais velhas.
Optei por usar tons de roxo e azul marinho e atribuir às figuras pequenos elementos que as identificassem: a virgem usa uma guirlanda de flores; a mãe usa uma coroa; a anciã usa um manto, além da lua tríplice e das já mencionadas tochas. As cores dos cabelos também remetem a cada uma das faces da deusa. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Hahnemuhle Expression 300g;
- Aquarelas Van Gogh e Cotman;
- Pincéis Keramik;
- Multiliner Staedtler;
- Canetas douradas Posca e Pentel.
Nos próximos dias vou elaborar um post com uma lista atualizada de todos os materiais que uso, em substituição a um mais antigo aqui do blog.
Recentemente, adquiri o livro Todas as Deusas do Mundo, de Claudiney Prieto (influência da Karina Beraldo) e pude ampliar meus conhecimentos sobre Hécate. A deusa possui inúmeros títulos, dentre eles, Phosphorus, que significa aquela que tem a luz. Nessa representação, ela traz a tocha. Como tenho buscado iluminação para resolver uma série de questões na vida, acredito que este título vai ao encontro do caminho a seguir.
Para fechar, do Oráculo da Deusa:
Sento-me no negrume da noite da Lua Novacom meus cãesna encruzilhadapara onde convergem três caminhoso lugar da escolhaTodos os caminhos levam à encruzilhadae todos são desejáveismas apenas um você pode percorrerapenas você pode escolhera escolha cria finaise todo início vem de um finalna encruzilhadaQual você escolherá?Qual caminho percorrerá?Qual?Embora a escolha seja suaeis aqui um segredo que partilho com vocêO caminho a escolher é adentrar o vazioO caminho a escolher é deixar morrerO caminho a escolher é voar livre
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