Lidiane Dutra
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Arte Digital
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Arte Digital Featured Portfólio

A Roda da Fortuna

A Roda da Fortuna é o arcano regente do ano de 2026 e representa muitas coisas, dentre elas, o nosso destino: nada dura para sempre; nem o bem, tampouco o mal. Tudo está em movimento, girando e se renovando a cada ciclo. O que hoje está em cima, amanhã estará embaixo.

As primeiras representações da Roda da Fortuna remontam ao período medieval e, quando o tarô começou a se estruturar e a se popularizar, a imagem e o simbolismo da Roda foram incorporados ao sistema. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a fortuna aqui não está relacionada ao dinheiro, mas sim à deusa romana Fortuna, que rege o destino e a sorte.

A Roda da Fortuna na representação de Pamela Colman Smith para o Tarô de Rider-Waite-Smith e no Tarô de Marselha.

Já a minha representação traz - e não poderia ser diferente - a deusa Hekate, aqui em seu epíteto Propolos, aquela que lidera, guia, companheira. Se a Roda diz da nossa jornada, Hekate surge como aquela que segura nosso destino em suas mãos e nos guia pelo ciclo da vida. Como 2026 será também o ano do cavalo, pelo horóscopo chinês, fiz a união da representação de Hekate com cabeça de cavalo (Keratopis) e também com cabeça de leoa (Leaina), visto que a Esfinge está presente em várias representações clássicas da Roda (vide imagem acima). A serpente voltada para baixo também aparece, representando um animal de Hekate e os desafios que devemos enfrentar. Já a roda em si é representada pelo Strophalos, a Roda de Hekate.

Usei uma foto minha segurando uma base de bolo, pois não encontrava uma foto na posição desejada hehehe.

Embora pareça desenhada a lápis, a ilustração foi feita no Procreate, utilizando os pincéis maravilhosos do Adilson Farias, que imitam várias texturas de grafite (AF Pencil Studio). A carta completa ficou assim:

Tudo flui para fora e para dentro; tudo tem suas marés; todas as coisas sobem e caem; o balançar do pêndulo se manifesta em tudo; a medida do balanço para a direita é a medida do balanço para a esquerda; o ritmo é a compensação. - O Caibalion

Desejo que em 2026 todos os ciclos de negatividade e provação se encerrem, para dar espaço aos ciclos de renovação, vitórias e prosperidade. ✨

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Arte Digital Reflexões

The category is: Krampus


Para fechar os trabalhos do ano fiz, mais uma vez, a representação de Krampus. Adoro como esse ser mítico foi reinterpretado nos últimos tempos e, na minha versão, ele está absolutely cunty.

Sempre que chega o final do ano, fico com aquela sensação de que poderia ter feito mais, ter estudado mais, me sinto um hamster dentro da rodinha. Por isso, resolvi listar algumas coisas, para lembrar de que foi um ano e tanto:

  • Criei meu logotipo, baseado naquilo que acredito e dá sentido à minha arte;
  • Participei de uma feira, desenhando ao vivo e superando o medo que eu tinha de me expor;
  • Vendi meus trabalhos;
  • Li muitos livros sobre arte;
  • Transformei livros lidos em ilustrações;
  • Ilustrei nove mulheres rio-grandinas notáveis, num material que virou referência para a rede municipal de ensino;
  • Ilustrei a capa dos cadernos dos kits escolares (e recebi os parabéns da prefeita por isso!);
  • Tive minha 1° exposição individual na Galeria Breche da Escola de Belas Artes Heitor de Lemos, um reconhecimento pelo meu trabalho que me emocionou muito;
  • Passei no doutorado, depois de 14 anos afastada da academia;
  • Fui trabalhar na Secretaria de Educação - e tenho feito muitas ilustrações por lá;
  • Comprei meu iPad e comecei a ilustrar no Procreate;
  • Consegui fazer dois projetos de desenho do início ao fim nos meses de outubro e novembro.


Eu sempre coloco como resolução estudar mais, e me culpo muito por não conseguir me dedicar a isso na intensidade que gostaria. E agora, com o doutorado, sinto que essa sensação se estendeu às leituras e até mesmo ao tempo de ócio. Então, só quero manejar tudo da melhor maneira possível no próximo ano. E seguir usando esse espaço para me expressar, talvez com mais intensidade, visto que as redes sociais estão perdendo o encanto cada vez mais.

Desejo uma despedida tranquila de 2025 e um 2026 repleto de possibilidades.

"Não precisa ter pressa. Não há necessidade de brilhar. Não precisa ser niguém além de si mesmo." - Virginia Woolf
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Arte Digital Featured Portfólio Projetos

Hekatembro: uma Hekate por domingo em novembro


Assim como o Lidytober no mês passado, também resolvi fazer um pequeno desafio em novembro, que coloquei o nome de Hekatembro: uma Hekate por domingo. A ideia foi bem simples: escolhi alguns epítetos da Deusa com os quais tenho afinidade e, todo o domingo, publiquei uma ilustração digital com o tema referente. 


Além de abranger duas datas importantes do calendário hekatino (16/11 - Noite de Hekate e 30/11 - Hekate das Encruzilhadas), foi uma maneira de estudar um pouco mais as ferramentas digitais, testar pincéis e melhorar gradualmente no Procreate, a passos muito lentos, mas aproveitando a jornada.


O alcance no Instagram está péssimo, e os meus trabalhos quase não são entregues para quem me segue. Então sigo insistindo em constituir meu portfólio aqui no blog, pois consigo ter um panorama da evolução do meu traço e no que preciso melhorar.


Recentemente, o Pinterest também se tornou um lugar hostil, ao rotular automaticamente várias artes minhas como modificadas por IA. Entrei em contato com o suporte, mas preferi excluir os pins e, sinceramente, não tenho mais vontade de usar a plataforma, embora o retorno sempre tenha sido bom. 


E mesmo tirando todos os percalços causados pelas próprias redes, acho que muito do sentido de comunidade que existia na internet (e, mais precisamente, na parte artística) se perdeu, as pessoas passam o feed desinteressadamente e infinitamente, procurando algo que não se sabe ao certo. Tudo tem virado uma grande performance, não há mais muito espaço para a contemplação, para o processo, para o estudo, tudo vem acompanhado de uma etiqueta redirecionando a uma loja onde se pode adquirir o que está sendo mostrado. E isso cansa.


Também estou cansada da vida, de modo geral (final de ano e velhice realmente não combinam), e resolvi parar de aceitar encomendas, indefinidamente. Sinto falta das lojas virtuais, pelo menos meu trabalho estava ali na renda passiva, mas também não consigo visualizar um lugar que possa dar conta de uma comissão justa, um frete justo e produtos com uma qualidade justa. Vamos às Deusas?



Para o dia 02 de novembro, dia de Finados, escolhi o epíteto Anassa Eneroi, a Rainha dos Mortos. A Deusa está com um véu vermelho, uma de suas cores, cobrindo o rosto, simbolizando o véu entre os mundos, e segurando um crânio, representando os mortos inquietos que a seguem. O feixe de luz traz a dualidade luz/sombra, vida/morte e a regência de Hekate em ambos os reinos.


Para o dia 09 de novembro, o epíteto escolhido foi Hieros Pyr, Fogo Sagrado. A luz do fogo emana de dentro da própria Deusa, sai pelos seus olhos, toma forma num halo flamejante em seu entorno e na chama crepitante em suas mãos. Aqui, trago a noção de Hekate como Alma Cósmica do Universo, tudo vem dela e para ela retorna, animado pelo seu fogo sagrado.


Para o dia 16 de novembro, a Noite de Hekate, escolhi o epíteto Soteira, a Salvadora. Hekate está em seu traje cor de açafrão (aqui, existem distinções entre "a cor de açafrão", que pode ser dourado, alaranjado ou vermelho. Optei por dourado.), carregando sua coroa de sete pontas (duas não visíveis), presente em estatuárias romanas que retratam a Deusa, ladeada pela silhueta de dois cães, animais símbolos de Hekate e também de proteção e fidelidade. Essas silhuetas também podem ser entendidas como mais duas cabeças, fazendo alusão às representações em que Hekate tem uma cabeça de vaca, leoa ou égua, e também ao Cérbero, protetor do Submundo.


Para o dia 23, o epíteto escolhido foi Apotropaia, Protetora. A Deusa está rodeada pelo Ouroboros, o ciclo infinito da vida, e carregando serpentes, animais associados à sabedoria, e também presentes na representação da górgona Medusa, cujo escudo com sua cabeça era carregado pela Deusa Atena, com forte teor apotropaico. As joias apotropaicas também eram muito comuns na antiguidade, amuletos que protegiam seus usuários dos maus agouros. E por 2025 ser o Ano da Serpente, todas essas representações estão reunidas na figura.


E para o último domingo, 30 de novembro, dia de Hekate das Encruzilhadas, o epíteto escolhido foi Trioditis, Dos três caminhos, Da encruzilhada tripla. A Deusa está em sua forma trívia, simbolizando os rumos que podemos tomar na nossa vida. Essa representação foge bastante ao estilo que trabalhei nas anteriores, remetendo à estatuária, e utilizando o roxo como cor predominante. Ao invés de retratar três rostos, preferi deixar um como se fosse uma máscara, retomando o conceito da górgona e também numa referência às máscaras sociais que usamos ao longo da vida. Qual máscara escolheremos? O que acontece se abandonarmos a máscara e escolhermos outra coisa?

Espero que, devotos ou não, esse projeto tenha tocado de alguma forma quem o acompanhou. Gostaria de fazer também o calendário do advento que fiz há 2 anos, mas infelizmente não será possível. Mas foi um bom ano artístico. 

🔥
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Arte Digital Featured Portfólio Projetos

Lidytober 2025: Ghost


Minha ideia para o Lidytober desse ano começou lá por meados de julho, quando esbocei o que eu queria para o desafio: uma ilustração por semana, para ser postada toda a sexta-feira de outubro, totalizando 5 ilustras. A princípio, seriam ilustrações tradicionais, usando nanquim, mas, no meio do caminho, comprei um IPad e acabei optando por fazê-las digitalmente.

Depois de organizar a parte prática, veio a questão do tema. Pensei em personagens de horror da cultura pop, mas isso me carregava diretamente para o desafio de 2017, que até hoje é o que eu mais gosto. Então, resolvi fazer cada um dos Papas da banda Ghost versão feminina, que fecharia certinho as 5 semanas de outubro.

Um breve resumo do ano fantasma

Não é de hoje que quero fazer um dos Papas, a primeira ideia veio em 2021, no antigo projeto do arcano regente do ano. Mas na enquete acabou ganhando Anúbis para representar o Hierofante. E sobre a banda, acho que como todo brasileiro, comecei a acompanhar a partir do Rock in Rio de 2013 (aquela montagem maravilhosa do canal Golpe Baixo é insuperável). Mas somente esse ano, com tempo e paz de espírito, resolvi fazer o deep dive na discografia deles e, como acabei comprando um toca discos, aproveitei para iniciar minha coleção de vinis por eles também. Sobre ser uma banda satânica, genérica ou comercial, aí vai de cada um, e não acho que ninguém deva fiscalizar o gosto alheio, como tentaram fazer comigo.

Aproveitei a oportunidade, também, para me apropriar melhor do Procreate, depois de dois anos trabalhando no Infinite Painter. Optei por fazer todos os trabalhos em tons de cinza para treinar a questão dos valores, utilizando uma das maravilhosas paletas da Loish. Também fiz um vídeo time lapse para cada uma, e todos podem ser vistos no meu Instagram. Mas chega de papo e vamos aos Papas (ou Papisas?):

Semana 01 - Primo


Semana 02 - Secondo


Semana 03 - Terzo


Semana 04 - Cardi e IV


Semana 05 - Perpetua


Para o Perpetua eu refiz um desenho com marcadores de junho desse ano, que acabou meio torto. Achei melhor reaproveitar a ideia do que fazer algo do zero. E também já é possível ver que consegui trabalhar bem mais nele do que nos outros. Para todas as ilustras, parti do rascunho feito no papel (pois seriam tradicionais), só tirei uma foto e finalizei digitalmente. 

Esse ano completam 10 anos que participo do Inktober (como projeto geral), dedicando o mês de outubro a desenhar nem que seja uma vez por semana. Nunca segui uma lista oficial, sempre fiz tudo da minha cabeça, por acreditar que a ideia de parar e se dedicar à arte já é suficientemente legal, e que pode abrir outras possibilidades a partir disso. Já me cobrei muito, já fiz muita coisa feia, já me planejei, já fiz coisas excelentes e o que fica é a caminhada artística que venho construindo nessa década de desenho em outubro.

Feliz Halloween, para quem é de Halloween! 🎃
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Meu retrato no Procreate


Em 2023 comprei um tablet muito simples para poder estudar e carregar menos peso na mochila, mas acabou que instalei um programa chamado Infinite Painter e usei essencialmente para desenhar. Tive que aprender do zero, com tutoriais na internet, pois tudo era uma grande novidade para mim. E fiz trabalhos dos quais me orgulho muito, como o Inktober daquele ano, o Calendário do Advento e a ilustração que está em todos os cadernos da rede escolar.


Esse ano, consegui comprar um IPad e pude instalar o Procreate, e cá estamos novamente, aprendendo tudo do zero (me sinto eternamente na aula de Matemática do 6° ano, único momento na vida em que reprovei numa disciplina). Gostaria muito de fazer mais um Inktober digital, mas não sei se consigo a tempo. Tenho usado mais para testar pincéis e pressões da caneta e me acostumar com os comandos do aplicativo, que são diferentes dos que eu usava.


E consegui também fazer um retrato digital bem apresentável, usando o que aprendi da ferramenta até agora. Dá pra melhorar bastante, mas já consegui entender quais pincéis e efeitos curto mais, e também instalei os pincéis de artistas que adoro, como o Adilson Farias e a Loish, os quais sigo testando.



The season of the witch is coming.

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Patrimônio Papareia


Assim como as Mulheres Rio-grandinas Notáveis, esse foi mais um trabalho que fiz dentro das atividades para a Secretaria de Município da Educação, onde estou atuando no momento. A ideia era criar uma capa para os cadernos disponibilizados dentro do kit escolar, e após um grande brainstorming (com auxílio do Felipe e da Karine), a ilustração Patrimônio Papareia tomou forma.

Ela segue o padrão das Mulheres Notáveis, reproduzindo o estilo de um azulejo português. A ilustração é composta por vários elementos do patrimônio material, imaterial e natural da cidade. O objetivo era produzir uma capa que fosse artística e que também trouxesse o sentimento de pertencimento aos estudantes, reconhecendo lugares, pessoas e situações de seu contidiano. 

Muitas pessoas relataram se reconhecer, reconhecer um parente ou amigo, ou recordar lugares da infância ao ver essa ilustração. E isso me deixou muito feliz e com a sensação de dever cumprido, por proporcionar algo que realmente tocou o coração de quem recebeu.

Aqui tem um documento, também disponibilizado para as escolas da rede, contando cada detalhe da ilustração, o que auxilia os professores a desenvolverem uma proposta pedagógica a partir da capa dos cadernos. 


E aqui a minha mãozinha congelada pelo frio de 2° do mês de junho, fotografada pela Lisi, segurando o caderno em frente ao prédio da SMEd, o Sobrado dos Azulejos, que tanto tem nos inspirado desde o início do ano letivo. 
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Mulheres Rio-grandinas Notáveis

Julieta Amaral, jornalista, primeira mulher negra a apresentar um telejornal no RS.


Esse ano não estou trabalhando em escola, mas sim na Secretaria de Município da Educação, em duas frentes: na assessoria de Artes e no Núcleo de Educação Ambiental e Patrimonial. Cheguei com muitas ideias, e algumas delas já se concretizaram, sonhos antigos que agora posso me dedicar, e que algum dia trarei aqui em detalhes, no seu tempo.


Um desses projetos é o material Mulheres Notáveis, um recurso educacional digital sobre rio-grandinas que se destacaram na história. O material é alusivo ao Março Lilás e foi distribuído para todas as escolas da rede. Além de contar com a biografia de oito mulheres históricas, fiz as ilustrações de cada uma delas que, juntamente com a diagramação do material, trazem uma estética de azulejo português, visto que o prédio da Secretaria é o Sobrado dos Azulejos, construção de 1862 tombada como patrimônio histórico do Estado, e toda recoberta com esse material.


As ilustrações digitais foram feitas no Infinite Painter, com o conjunto de pincéis e fundos de aquarela do Adilson Farias. São retratos mais simples e com um aspecto mais lavado, pois eu queria justamente essa estética do azulejo, e esses pincéis são maravilhosos para isso.


A mulher que abre o post é Julieta Amaral, jornalista e primeira mulher negra a apresentar um telejornal (Jornal do Almoço, RBS TV) no RS. As demais são:


Carmen da Silva, jornalista e escritora feminista.

Guaraciaba Silva, primeira mulher vereadora na cidade (pós-Estado Novo). 

Angelina Gonçalves, operária e sindicalista, assassinada pela polícia no que ficou conhecido como "Massacre da Linha do Parque".

Lyuba Duprat, professora.

Rita Lobato, primeira mulher a se formar em medicina no Brasil.

Revocata Heloísa de Melo, professora, jornalista e escritora.

Julieta de Melo Monteiro, professora, jornalista e escritora (e irmã da Revocata!).

Quem quiser saber mais sobre essas mulheres notáveis, basta acessar o material completo, clicando aqui. 

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Arte Digital Portfólio

The Painter Maiden

 


Já faz algum tempo que desejo ter uma marca, um logotipo que traduza não só o meu lado artístico, como também o pessoal, unindo as coisas que acredito e que fazem sentido para mim, e que frequentemente também aparecem nas minhas artes. Essa não é uma tarefa fácil, e não foram poucas as vezes que tentei algo e fiquei totalmente insatisfeita com o resultado, e me sentindo incapaz de traduzir em algo simples o significado que a arte tem na minha vida.


Durante os meus estudos e leituras sobre Hekate, a deusa com a qual tenho uma relação de devoção que começou em 2014, quando a representei pela primeira vez, sem saber muito bem quem era - na época, só o nome me veio à cabeça e sua forma tripla - conheci uma representação bastante diferente das imagens modernas, The Running Maiden of Eleusis (A Donzela Corredora de Elêusis). Essa imagem aparece no templo de Deméter em Elêusis, e faz parte de um conjunto que narra o rapto de Perséfone. A escultura está sem os braços, mas a partir de fragmentos encontrados, supõe-se que a deusa está segurando duas tochas, hipótese sustentada por reproduções modernas dessa escultura, como na imagem abaixo:



Quando postei a imagem da direita no Instagram, logo que adquiri uma cópia para mim, a Ju Votto, da Bruta Flor Chás, me mandou uma mensagem dizendo que parecia que deusa segurava dois pincéis. E a Ju estava certa! As tochas realmente pareciam dois pincéis de aquarela, e aquilo foi uma iluminação para mim (obrigada, Ju!). A partir dali, fiquei cada vez mais com essa donzela na minha cabeça, até que um dia tive a ideia final: assim como as tochas de Hekate iluminam o caminho de Perséfone até o Submundo, a arte ilumina e dá sentido à minha vida. Então, que a arte seja a luz e que a Deusa carregue essa mensagem, unindo, assim, meu lado artístico, pessoal e espiritual numa só imagem.


A referência que usei para montar minha ilustração não veio da escultura em si, mas de uma cerâmica que narra o mesmo tema. Nela, Hekate aparece com as duas tochas viradas para o mesmo lado. Ela ainda tem uma posição de "corrida", mas aqui acho a composição mais harmônica. Transferi a imagem abaixo para o Infinite Painter e tracei por cima, para pegar a maior quantidade de detalhes originais possível. Já as tochas foram substituídas por um pincel e um lápis, visto que também utilizo muito esse instrumento, seja grafite ou de cor, nos meus trabalhos.



Assim, nasceu The Painter Maiden (A Donzela Pintora), que é guardiã da luz artística e responsável por disseminá-la no mundo. Fiquei tão, mas tão feliz com o resultado desse trabalho, pois ele traduz de todas as formas possíveis meu amor pela arte e a conexão que carrego com a espiritualidade. Para completar, o logo também inclui uma meia-lua e várias estrelas, assim como as que coloco em meus trabalhos. A fonte é a que já venho utilizando desde a exposição TRÍVIA.



A partir de agora, essa imagem ficará no cabeçalho do site e em todos os materiais de divulgação do meu trabalho, através de carimbos, marcas d'água, dentre outros. Mal posso esperar para ver o tanto que posso criar a partir dela (e já quero fazer uma caneca). 


E para quem quiser conhecer mais a história da representação mais antiga de Hekate, recomendo o podcast Caverna de Hekate, da Márcia C. Silva. Clique aqui para assistir.


Que seja um ano de arte e iluminação para nós, e que para cada obstáculo que escureça nosso caminho, exista uma tocha para nos guiar para a luz.

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