Arte é mais que um algoritmo
Não é de hoje que as discussões sobre mudanças no algoritmo do Instagram tomam conta das redes sociais e grupos dedicados à arte. Muitos artistas, principalmente aqueles com menor visibilidade, estão preocupados com o alcance dos seus posts e possível queda no número de encomendas por conta disso.
Engajamento virou pauta, muito mais do que estudar os fundamentos do desenho, redigir um bom contrato, compreender o processo criativo ou como abrir um MEI. E isso passou a me preocupar, em muitos níveis. Primeiro, porque cada vez mais jovens estão começando a ilustrar, pessoas na faixa dos 15-17 anos, em idade escolar. Segundo, porque o número virou ponto de chegada, e não o trabalho em si. Por isso, gostaria de abrir um espaço para reflexão sobre todas essas questões.
Se você olhar minha última foto na conta artística que mantenho no Instagram, o número de curtidas é pífio. Minha conta estacionou em número de seguidores no começo de 2018 e, de lá pra cá, só cai. Tudo começou a cair quando não tive mais tempo para me dedicar àquela rede social. Dispender vários minutos por dia para seguir, curtir, comentar e compartilhar virou luxo na minha rotina, o máximo que consigo fazer é, duas vezes por semana, curtir tudo o que posso dos meus contatos e postar alguns stories. Foto no feed é raridade ainda maior, visto que também produzo pouco. Somado a isso, deixei de seguir em torno de 500 contas, entre perfis inativos e artistas que já não rolava tanta identificação assim com o trabalho. Acabei criando uma conta pessoal para seguir amigos e postar fotos aleatórias, sem pressão, e desopilei ainda mais daquela rede.
Foi libertador não ter que me preocupar em postar e parar de achar que meu trabalho era medido pelo número de curtidas. Num primeiro momento, a leitura que vocês podem fazer é que hoje eu não vivo de freela e posso me dar ao luxo de não me preocupar em manter redes sociais ativas, mas a realidade é que, mesmo quando eu pegava trabalhos comissionados, raramente eles vinham de redes sociais, mas sim daqui do blog e de indicações. E até hoje, quando surge uma proposta, é porque a pessoa me encontrou pelo blog, ou porque um amigo encomendou algo comigo há alguns anos e me recomendou.
A Camis Gray, ilustradora que adoro, compartilhou um tweet sensato esses dias, que diz:
as vezes to mexendo no behance e vejo uns ilustradores muuuito fodas, e qdo vou ver o instagram tem 300 seguidores... mas tão cheio de projetos incríveis e clientes grandes. é bom ver isso pra tirar um pouco a importância daquela rede que as vezes faz muito mal.— Tears for Spears (@camisgray) 6 de junho de 2019
Quando vejo postagens em grupos de arte e ilustração, nas quais as pessoas estão arrancando os cabelos por engajamento e criando grupos onde tem hora pra postar, curtir e comentar, fico bastante desconfortável. É como se existisse uma ansiedade coletiva para atualizar o feed e receber curtidas; como se isso fosse medir a importância de um trabalho e gerar dinheiro. Vejo até artistas fazendo "estudo de caso" de profissionais com grande número de seguidores (como o Gabriel Picolo, que tem mais de 2 milhões de seguidores no Instagram e hoje trabalha para a DC), esquecendo-se que quem está no "topo" é porque escreveu uma trajetória de muito trabalho até chegar lá. Não existe fórmula pronta.
E dá-lhe reclamação por não ter visibilidade, por ter muita gente que "não merece" e consegue trabalhos legais, e a pessoa ali, imersa naquele círculo vicioso de tomar os outros como exemplo, sem olhar com carinho para o próprio trabalho, sem enxergar o propósito daquilo que faz. Na minha opinião, é isso que tem matado a capacidade criativa de uma geração inteira de jovens artistas. Ter reconhecimento é legal, receber feedback de um grande público é muito bom, mas saber porque você realmente está ilustrando e aonde quer chegar com seu trabalho é melhor ainda, pois é algo permanente.
Vai chegar um dia em que as redes sociais como conhecemos vão desaparecer. Surgirão outras e, com elas, diferentes formas de compartilhar e consumir arte. Pode ser que toda a internet mude a qualquer instante, e não são as pessoas com o maior número de visualizações que vão sobreviver, mas sim aquelas que realmente amam o que fazem e se dedicam a sempre estudar, aprimorar e buscar parcerias de trabalho sólidas que, independentemente do meio, vão buscá-las quando precisarem de alguém para um projeto bacana.
Arte não é um algoritmo, e a nossa vida também não é.
Photo by Prateek Katyal on Unsplash
Meus papéis favoritos (atualizados)
Depois de fazer um post atualizado com meus materiais favoritos, chegou a vez de comentar sobre os meus papéis prediletos. Gosto muito de testar coisas novas, algumas vezes me dou bem e descubro materiais realmente interessantes, e em outras fico com o gosto amargo do fracasso
Resolvi dividir esse post em: papéis para aquarela, papéis para desenho a lápis e papéis para marcadores diversos (álcool e água). Vou colocar os links de onde encontrar estes produtos, para que vocês tenham uma média de preço, porém, esta não é uma publicação patrocinada por nenhuma loja, estou dando minha opinião sincera e recebendo 0 centavos por isso.
Papéis para aquarela
Moulin DuRoy grana fina: todos nós sabemos que papéis para aquarela estão entre os mais caros, principalmente se a fibra for 100% algodão. Existem algumas opções no mercado, como este papel da Canson, linha Moulin DuRoy. Ele é um papel intermediário com textura muito boa e excelente absorção da tinta. Não vai ficar encharcado, mas também não vai secar em poucos segundos, permitindo trabalhar de maneira tranquila. O grana fina possui uma textura muito delicada, e não marca demais caso você desejar fazer acabamentos com caneta ou lápis de cor. Aqui dá pra ver um trabalho feito com este papel.
Arches grana fina: sem dúvidas, o melhor papel para aquarela que já usei. Além de ter uma das embalagens mais chiques e maravilhosas que exitem (sou dessas). Houve uma época que a Arches era distribuída pela Canson, e os preços estavam bem ok para a qualidade profissional do papel. Porém, depois que as empresas se separaram, o preço do Arches foi parar na estratosfera, e nunca mais consegui comprar um bloco para mim. Estou economizando tudo o que dá meu bloco A4 e os bloquinhos em formato de cheque que comprei há milênios por (hoje) irrisórios R$ 75,00. Sobre a qualidade, ele tem tudo o que já mencionei acima sobre o Moulin DuRoy, com o adicional de deixar a cor mais vibrante e uma textura incrível quando finalizamos o trabalho. Parece que você está pintando sobre um tecido caríssimo. E essa é uma característica de todos os papéis dessa marca, eles valorizam muito a sua pintura, e são muito gostosos de trabalhar. Aqui dá pra ver um trabalho feito com este papel.
Arches grana fina: sem dúvidas, o melhor papel para aquarela que já usei. Além de ter uma das embalagens mais chiques e maravilhosas que exitem (sou dessas). Houve uma época que a Arches era distribuída pela Canson, e os preços estavam bem ok para a qualidade profissional do papel. Porém, depois que as empresas se separaram, o preço do Arches foi parar na estratosfera, e nunca mais consegui comprar um bloco para mim. Estou economizando tudo o que dá meu bloco A4 e os bloquinhos em formato de cheque que comprei há milênios por (hoje) irrisórios R$ 75,00. Sobre a qualidade, ele tem tudo o que já mencionei acima sobre o Moulin DuRoy, com o adicional de deixar a cor mais vibrante e uma textura incrível quando finalizamos o trabalho. Parece que você está pintando sobre um tecido caríssimo. E essa é uma característica de todos os papéis dessa marca, eles valorizam muito a sua pintura, e são muito gostosos de trabalhar. Aqui dá pra ver um trabalho feito com este papel.
Hahnemühle textura fina: esse papel foi uma descoberta e tanto. Ele é relativamente barato e com uma qualidade semelhante ao Arches. Pelo preço do bloco, vale muito a pena o investimento, principalmente se você não está com tanta grana para investir num papel mais caro. Aqui dá pra ver um trabalho feito com este papel.
Papéis para desenho a lápis
Nostalgie, da Hahnemühle: esse papel também faz parte das minhas descobertas acidentais, e curti muito usar. O bloco A4 vem com 50 folhas de 190g satinadas. O acabamento é liso, ideal para quem não gosta de textura marcada. Tanto o grafite quanto o lápis de cor funcionam bem nele. Aqui dá pra ver um trabalho feito com este papel.
Layout 180, da Canson: o Layout é outro ótimo papel para quem não curte deixar a textura marcada, sendo também uma boa alternativa para quem gosta de trabalhar com marcadores a base de álcool ou água. Por ser um papel para desenho técnico, até os lápis com as minas mais duras performam bem no Layout. Aqui dá pra ver um trabalho feito com este papel.
"C" à grain, da Canson: este é para quem gosta de papel texturizado, embora não seja uma superfície tão marcante a ponto de interferir na cobertura do grafite ou lápis de cor. Dá para fazer ótimos efeitos, embora eu ache que o lápis aquarelado fique um pouco embolotado nesse papel. Por ser da linha escolar, tem um bom preço. Aqui dá pra ver um trabalho feito com este papel.
Papel para marcadores (álcool e água)
Bristol, da Canson: além de ser um excelente papel para marcadores, o Bristol funciona também com lápis de cor e grafite. É uma relação custo/ benefício muito boa, principalmente para quem busca qualidade e economia. Ele suporta tanto os marcadores à base de álcool, como os da Copic, quanto os à base de água (hidrográficas comuns), sem chupar a tinta da caneta com o tempo, deixando o desenho todo manchado. Já aconteceu de um papel da Copic absorver tanto a tinta, que passou para o outro lado da folha e, em seguida, para o papel que estava atrás, estragando duas ilustrações. Aqui dá pra ver um trabalho feito com este papel.
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Para fazer rascunhos e estudos rápidos, qualquer papel sulfite já me serve. Até houve um tempo que eu comprava papéis especiais para sketch, mas não vale o preço, pois a grande maioria vai fora.
Claro que uso outros papéis no meu dia-a-dia, mas estes são os meus favoritos, e os que recomendo para quem está buscando alternativas de trabalho. Como disse anteriormente, os links redirecionam para várias lojas, só para que vocês tenham uma rápida noção de preço, mas garimpando sempre se acha um bom desconto. Espero ter ajudado! Se quiser ver outros posts assim, veja as tags dicas, materiais e também a seção FAQ do blog.
Claro que uso outros papéis no meu dia-a-dia, mas estes são os meus favoritos, e os que recomendo para quem está buscando alternativas de trabalho. Como disse anteriormente, os links redirecionam para várias lojas, só para que vocês tenham uma rápida noção de preço, mas garimpando sempre se acha um bom desconto. Espero ter ajudado! Se quiser ver outros posts assim, veja as tags dicas, materiais e também a seção FAQ do blog.
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#2 Red
Continuando a pequena série de (a princípio) três trabalhos utilizando lápis de cor, que me propus a fazer como forma de manter uma produção mínima. Na primeira ilustração, dei ênfase para a cor azul e, agora, é o vermelho que toma conta.
Sigo trabalhando com os lápis de cor Rijksmuseum da Bruynzeel, e também com o SuperSoft da Faber-Castell. Dessa vez, fiz a pele com o Polycolor da Koh-I-Noor, e optei por substituir o papel pelo Bristol, que faz o lápis deslizar com perfeição. Dá pra ver uma prévia aqui e outra aqui.
Tenho curtido muito o processo de pintura e o "deixar de lado". Levo dias para fazer algo que eu sei que faria "numa sentada só". Isso tem sido importante para mim, pois consigo me manter ocupada, e aquela sensação de não estar sendo produtiva desaparece. Não fica o vazio, nem a culpa. Aliás, o que menos tenho sentido, desde que entendi que o desenho e a ilustração ocupam um momento muito restrito ao pessoal na minha vida, é culpa.
Comecei o processo de pintura pelo cabelo, e utilizei preto e dois tons de marrom, vermelho e laranja para conseguir esse resultado. A princípio eu não colocaria o laranja, mas vi que ele deixou a cor mais vibrante. As áreas brancas são pontos de luz que deixei sem pintar, a técnica que utilizo para fazer esse tipo de cabelo é ir fazendo fio por fio, pacientemente, até conseguir uma massa de cor e forma. O restante da ilustração segue o mesmo ritual de sempre. O resultado:
Materiais utilizados
- Lápis de cor Rijksmuseum, SoftColor e Polycolor;
- Papel Bristol;
- Multiliner Copic;
- Caneta metálica Uni Paint.
Ainda estou na dúvida sobre as cores da última ilustração, pois quero muito utilizar verde e roxo. Talvez eu faça uma quarta ilustração, só para não descartar nenhuma possibilidade.
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5 equívocos sobre a aula de artes
Pensando em como a educação vem sendo tratada e o quanto ainda existe de desinformação sobre a atuação docente, decidi escrever esse post, listando 5 equívocos que ainda existem sobre a aula de artes, que é a minha praia.
Vale lembrar que tudo o que vou pontuar a seguir é a partir da minha experiência em escola pública periférica, no interior do RS, desde que comecei a lecionar, em fevereiro de 2018. Se você tem experiências diferentes, pode deixar nos comentários.
Essa professora só dá desenho
Talvez este seja o equívoco mais comum entre todos os propagados por quem não conhece a realidade da sala de aula. Desde os anos 1980, quando iniciou o movimento de arte-educação brasileiro, as aulas de artes deixaram de ter um caráter puramente tecnicista e/ou baseado no laissez-faire (livre expressão), para agregar abordagens a fim de construir um conhecimento em arte. Aqui entra a proposta triangular, de Ana Mae Barbosa, focada no conhecer, no fazer artístico e na apreciação estética.
Eu sou uma defensora do desenho, principalmente porque as crianças vêm perdendo este hábito e adiando etapas de seu desenvolvimento gráfico. Não é raro ver estudantes do 1º ano ainda garatujando. Mas atrelado ao grafismo, procuro encorajar as turmas a conhecer sobre história da arte, arte na comunidade, na cultura pop, no vestuário. Levo poesias, clipes, desenhos animados, desafios da internet. E busco, também, fazer com que compreendam o processo e aprendam a lidar com as frustrações da produção.
É uma aula oba-oba
Artes e Educação Física talvez sejam as disciplinas que mais sofram com este rótulo. Muitas pessoas acham que não se faz nada nessas aulas, que é só deixar cada um por si, e não é bem assim. Os professores têm propostas curriculares para cumprir, objetivos de aprendizagem e projetos para executar ao longo do ano. Cada faixa etária tem uma série de competências e habilidades a desenvolver (por exemplo: espera-se que, ao final da alfabetização, as crianças já tenham os conceitos de cores primárias e secundárias aprofundados), e as aulas são planejadas a partir desse panorama, o que nos leva ao próximo tópico.
Professor de Artes não planeja
Apesar de trabalhar "somente" 20 horas em sala de aula, minha atuação não se restringe a essa carga horária. Praticamente todo o tempo que sobra eu estou planejando. Até quando estou no supermercado vem ideias sobre planejamento. Já mostrei até como fazer um plano de aula. Não entro em sala sem meu cronograma e, na escola onde trabalho, toda semana preciso enviar meu planejamento para a gestão.
Artes não está no currículo para tapar buraco, ou pra subir horário quando falta o professor de outra disciplina. É um componente essencial, que perpassa diversas áreas do conhecimento. O artigo Artes visuais e transdisciplinaridade na era da complexidade – uma prática pedagógica continuada traz uma discussão bastante interessante sobre projetos de trabalho transdisciplinares, vale conferir.
Artes não reprova
Sendo componente curricular dos Anos Finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, um estudante pode sim reprovar em artes. O professor faz avaliações como qualquer outro e tem critérios a seguir, que não precisam implicar necessariamente numa nota numérica (isso vai depender do sistema da escola). No meu caso, trabalhando com os Anos Iniciais, faço um parecer trimestral sobre as aulas, que é anexado ao parecer da professora regente da turma. O diálogo com as colegas é constante, a fim de registrar como a turma está se saindo e também para propor projetos em parceria (vide tópico acima).
Artes só serve para fazer "trabalhinhos"
Essa é pra matar. Eu nem vou dizer que tem gente que confunde aula de artes com aula de artesanato, pois seria uma ofensa aos artesãos, que trabalham duro para ter sua profissão reconhecida. Muitos responsáveis esperam que a aula de artes seja aquele momento em que a criança vai sentar e fazer algo "utilitário", seja uma caixa decorada, um pote, um vaso de plantas, e não é bem assim.
Aquele é um momento de criação, de contato com a cultura, de fruição estética, de reflexão e debate, e nem sempre vai gerar um "produto". Muitos alunos curtem bem mais o processo do que o resultado final. Outros tantos aprendem a reconhecer a beleza do seu resultado dentro do próprio crescimento adquirido em sala, e não em estereótipos pré-determinados pela sociedade sobre o que é belo.
Por isso, esperar que a aula gire em torno de datas comemorativas ou de temas que possam resultar numa produção seriada de itens decorativos é limitar o alcance do conhecimento em arte.
Acredito que combater estes equívocos é um passo importante para a valorização docente e também das áreas criativas, de maneira geral. Entender o papel dos artistas, dos designers, dos atores e cantores, tudo isso contribui para uma sociedade que acolhe estes profissionais e entende a importância da cultura no desenvolvimento humano.
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Créditos das imagens: Mika, Steve Johnson, Alex Jones, Milan Popovic, Rhondak Native Florida Folk Artist e Fabian Bachli, via Unsplash.
Aquele é um momento de criação, de contato com a cultura, de fruição estética, de reflexão e debate, e nem sempre vai gerar um "produto". Muitos alunos curtem bem mais o processo do que o resultado final. Outros tantos aprendem a reconhecer a beleza do seu resultado dentro do próprio crescimento adquirido em sala, e não em estereótipos pré-determinados pela sociedade sobre o que é belo.
Por isso, esperar que a aula gire em torno de datas comemorativas ou de temas que possam resultar numa produção seriada de itens decorativos é limitar o alcance do conhecimento em arte.
Acredito que combater estes equívocos é um passo importante para a valorização docente e também das áreas criativas, de maneira geral. Entender o papel dos artistas, dos designers, dos atores e cantores, tudo isso contribui para uma sociedade que acolhe estes profissionais e entende a importância da cultura no desenvolvimento humano.
Acompanhe mais reflexões docente na categoria Sala de Aula.
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Créditos das imagens: Mika, Steve Johnson, Alex Jones, Milan Popovic, Rhondak Native Florida Folk Artist e Fabian Bachli, via Unsplash.
Dracarys 🐉
Antes de mostrar essa ilustra, preciso contar um pouco da minha relação com Game of Thrones. Até o início desta temporada, em não assistia à série, mas sabia absolutamente t-u-d-o que acontecia com os personagens, os nomes dos lugares, das casas e os principais pontos da trama, graças aos famigerados spoilers. Meu namorado sempre me mostrava alguns episódios e insistia para que visse, mas foi só a curiosidade sobre como terminaria essa história que me fez encarar as 7 temporadas anteriores, a fim de me preparar para o adeus.
Assinei a HBOGO (player horroroso que vivia travando, mas que está sendo super útil para acompanhar a maravilhosa série Chernobyl - assistam!) e lá fui eu. E acabei me encantando com a figura da Daenerys, assim como a grande maioria dos fãs de GoT. Então, não é surpresa dizer que fiquei extremamente descontente com o rumo que o arco da personagem tomou, e a pressa em resolver tudo.
Resumindo: comprei o primeiro livro e também um guia sobre Westeros, e vou começar a leitura em breve, na esperança que George R. R. Martin faça justiça a Khaleesi. Daí veio a vontade de fazer essa ilustração.
Peguei uma foto de referência no Pinterest que desse ênfase ao cabelo da personagem e, a partir daí, foram quatro esboços até chegar à versão final, pois eu queria que tivesse semelhança, ao contrário de outros desenhos que faço com auxílio de referência.
Após passar para o papel, trabalhei com lápis 3B todo o cabelo, abrindo pontos de luz com a borracha Mono Zero. O restante dos detalhes foi feito com brush pen, marcador Copic e caneta dourada. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Bristol;
- Lápis Koh-I-Noor 3B;
- Brush Pen Pentel;
- Caneta Copic;
- Caneta Uni Pin dourada;
- Borracha Mono Zero para abrir pontos de luz.
Passei a vida em terras estrangeiras. Tantos homens tentaram me matar. Não lembro de todos os seus nomes. Eu fui vendida como uma égua parideira. Fui acorrentada e traída. Estuprada e desonrada. Você sabe o que me manteve de pé durante todos esses anos de exílio? Fé. Não em deuses. Não em mitos e lendas. Em mim. Em Daenerys Targaryen.
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Ariel | MerMay 2019
Esse ano minha contribuição para o MerMay foi bastante modesta, apenas uma sereia. Acontece que o tema meio que saturou um pouco para mim. Tive que reviver todas as produções passadas para a exposição GAIA, que aconteceu em março, então não me senti entusiasmada para fazer um trabalho por semana, como em 2017 e 2018.
Optei por fazer algo que também não é muito recorrente na minha produção, uma fanart. Escolhi a Ariel, a pequena sereia da Disney, e dei à ela um visual em sintonia com os códigos e símbolos que uso. A seguir, um pouco das fotos do processo.
O que mais tenho gostado, nos últimos trabalhos, é de captar a textura do papel para aquarela. Principalmente o grana fina, que mais gosto de usar. Algumas pessoas não curtem, acham que compromete o tratamento digital, mas tenho investido nisso.
Outra coisa que fiz foi usar uma aquarela dourada, além dos marcadores metálicos usuais, e também uma tinta da Acrilex para artesanato, que contém glitter. ✨ É um trabalho no qual as nuances são muito mais percebíveis ao vivo do que pela internet, mas tenho também tentado me concentrar mais nas experiências reais do que fazer algo para postar nas redes. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Harmony Hahnemühle textura fina 300g;
- Aquarelas Van Gogh;
- Pincéis Keramik;
- Marcadores metálicos para os detalhes;
- Lápis de cor Ruksmuseum Bruynzeel;
- Tinta para artesanato Confetti Acrilex.
Na próxima semana, pretendo levar o desafio para sala de aula, e fazer o MerMay com meus alunos! Falando neles, estou preparando duas postagens para a tag Sala de Aula. A primeira é sobre alguns equívocos sobre a aula de Artes, e o segundo sobre como tem sido meu semestre docente na nova escola. Em algum momento até julho esses posts saem...
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É preciso estar triste para criar?
Este texto foi publicado na minha finada newsletter e hoje, fazendo uma pesquisa nos meus e-mails, o redescobri. Fiquei bem contente com o que escrevi (há dois anos atrás) e resolvi resgatar essa reflexão, deixando-a registrada aqui no blog. Enjoy!
***
A figura do artista mentalmente perturbado é bastante comum em nossa sociedade. Talvez o expoente máximo seja Van Gogh: incompreendido, genial, problemático. Viveu na miséria, para ter sua obra reconhecida e glorificada séculos depois de sua morte. Essa é uma visão bastante nociva do ser artista, mas que ainda é bastante propagada (inclusive, pelos próprios artistas). Quanto maior o nível de perturbação, mais intensa e grandiosa a obra. Será?
A Sarah Andersen, quadrinista que acompanho há um bom tempo, publicou essa tirinha, que resume bem o que penso sobre o tormento do artista. Existe o mito de que a criatividade está associada à tristeza, e de que os momentos mais inspiradores são também os mais dolorosos. Mas isso está longe de ser uma regra, pois o processo criativo é algo muito subjetivo. Além disso, esse mito ajuda a reforçar o estereótipo do artista louco, e afasta a compreensão de que arte é um trabalho, como qualquer outro.
Essa visão obtusa sobre o fazer artístico carrega um pouco de romantização, e outro tanto de desumanização do indivíduo artista. A sociedade acaba justificando pela arte qualquer problema real que essa pessoa tenha (doenças mentais, alcoolismo, abuso de drogas, violência), com o argumento de que "faz parte do pacote". Ao mesmo tempo, qualquer profissional que não se encaixe nessa construção social, acaba por não ser visto como um bom artista ou um artista verdadeiro.
Por ser um campo do conhecimento que trabalha constantemente com a subjetividade, a arte tende a ser encarada como algo incompreensível, cheio de códigos que somente poucos iniciados têm acesso. O que não deixa de ser outra construção social, relacionada principalmente ao status. Para muitos artistas, é conveniente que o público tenha a crença de que eles são esses poucos escolhidos, que conseguem decifrar os meandros que um leigo jamais conseguirá. Isso ajuda a manter o interesse e relevância de suas obras.
Talvez daí venha também o desdém que muitos carregam por artistas comerciais (e aqui não vou entrar no mérito estético de ser bom ou ruim), como Romero Britto. Ser acessível e popular parecem coisas que destoam completamente do discurso artístico dominante. É contra o fluxo natural das coisas.
É preciso estar triste para criar?
É preciso estar feliz para criar?
É preciso QUERER criar. Assim como também é preciso aprender, experimentar, se atualizar, ler, interagir, pensar, refletir... Mais do que tentar colocar os artistas em caixinhas como problemático, estressado, deprimido, a sociedade deve entender que cada um tem seus próprios processos criativos, e que o estado de espírito no momento da criação é apenas um dos aspectos que irão moldar aquela obra.
Por que eu sou desenhista? Este vídeo da Ale Presser sobre o que a motiva a desenhar, e que oferece um panorama poético e profissional sobre a prática artística. É possível perceber que arte envolve muito mais do que sentimento.
#1 Blue
Resolvi fazer uma pequena série de três trabalhos (a princípio), utilizando lápis de cor, que é o material para o qual eu sistematicamente volto quando preciso trabalhar com cor, mas não estou conseguindo usar aquarela.
Por enquanto, essa série não tem nome, estou mais preocupada em ter uma rotina de desenho do que em criar coisas perfeitamente acabadas. E também é uma oportunidade de usar o estojo de lápis Rijksmuseum Bruynzeel, que é absurdamente lindo e com cores altamente pigmentadas, e também os SuperSoft da Faber-Castell, que apresentam cores bem semelhantes, porém mais suaves, proporcionando misturas interessantes.
Fiz somente uma foto do esboço inicial, que compartilhei nos stories do Instagram, pois também não me preocupei em parar e fazer vários registros, acho que isso me atrapalha um pouco. Coloquei um vídeo para rodar no celular e deixei ele de lado durante a pintura.
A seleção de cores é muito semelhante aos SoftColor, da Faber-Castell. A grande diferença vai ficar por conta da alta pigmentação dos Bruynzeel e da maciez da mina, que desliza muito suavemente e entrega bastante cor ao papel. A título de comparação, os da Faber são menos intensos, porém, ao usar as duas marcas em conjunto, consegui fazer misturas muito interessantes e chegar nas tonalidades desejadas, como no cabelo da figura: 3 cores de Bruynzeel e uma de SoftColor.
Os detalhes em dourado ficaram por conta de uma nova caneta que também adquiri, da Uni Paint. Ela une o melhor de dois mundos: a pigmentação da Posca e a precisão de uma caneta gel, e tem uma coloração linda (pena que o scanner matou o dourado na arte final, mas dá pra ter uma noção nas fotos).
- Lápis de cor Rijksmuseum Bruynzeel;
- Lápis de cor SuperSoft Faber-Castell;
- Caneta dourada Uni Paint;
- Multiliner Pigma Sakura.
E sempre passo um verniz fixador ao final, para segurar tudo!
As próximas da série também terão cabelos coloridos, mas ainda estou decidindo quais cores. É uma forma de sair da mesmice e usar as tonalidades mais bonitas e diferentes. Mês de maio está quase aí mas, sinceramente, não sei se participarei do MerMay esse ano... Se eu fizer algum trabalho, será único, e não uma ilustra por semana.
Sobre os lápis de cor da Bruynzeel
Eu já conhecia a linha 8815 de lápis grafite, tenho um 5B super macio e gostoso de trabalhar, mas confesso que fiquei receosa de comprar os lápis de cor e me decepcionar, sou bastante apegada aos Polycolor. Procurei alguns vídeos e resenhas, confesso que não achei muita coisa, mas decidi arriscar mesmo assim. Essa edição é especial, em parceria com o Rijksmuseum, e traz na embalagem obras de diferentes artistas que estão no acervo da instituição. Nesta que comprei é A Leiteira, de Johannes Vermeer.A seleção de cores é muito semelhante aos SoftColor, da Faber-Castell. A grande diferença vai ficar por conta da alta pigmentação dos Bruynzeel e da maciez da mina, que desliza muito suavemente e entrega bastante cor ao papel. A título de comparação, os da Faber são menos intensos, porém, ao usar as duas marcas em conjunto, consegui fazer misturas muito interessantes e chegar nas tonalidades desejadas, como no cabelo da figura: 3 cores de Bruynzeel e uma de SoftColor.
Os detalhes em dourado ficaram por conta de uma nova caneta que também adquiri, da Uni Paint. Ela une o melhor de dois mundos: a pigmentação da Posca e a precisão de uma caneta gel, e tem uma coloração linda (pena que o scanner matou o dourado na arte final, mas dá pra ter uma noção nas fotos).
Materiais utilizados
- Papel Nostalgia Hahnemühle;- Lápis de cor Rijksmuseum Bruynzeel;
- Lápis de cor SuperSoft Faber-Castell;
- Caneta dourada Uni Paint;
- Multiliner Pigma Sakura.
E sempre passo um verniz fixador ao final, para segurar tudo!
As próximas da série também terão cabelos coloridos, mas ainda estou decidindo quais cores. É uma forma de sair da mesmice e usar as tonalidades mais bonitas e diferentes. Mês de maio está quase aí mas, sinceramente, não sei se participarei do MerMay esse ano... Se eu fizer algum trabalho, será único, e não uma ilustra por semana.
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