No meu feed - abr/jul ❤ @lidydutra
Eu simplesmente deletei da mente a atualização com o que rola no meu feed, aqui no blog. E ando um pouco sem vontade de postar e ilustrar, não que falte ideias ou esteja com bloqueio criativo, pelo contrário, estou ótima. É cansaço ocasionado pela exposição. Sempre que exponho acontece o mesmo, fico exausta com toda a movimentação que isso provoca na minha vida, por isso, logo após o término de Elementais, vou voltar para a caverna. Falando nela, a visitação vai até o dia 31 de julho e todas as peças estão à venda, não perca! Abro o post com uma foto do meu cantinho, que tanta gente curte acompanhar.
Em maio rolou o Mermay e, agora, estou fazendo um resgate de ilustras antigas que estão na exposição. Por isso, tem pouca produção que foge a esses dois eventos. A primeira imagem (em sentido horário) foi um projeto que abandonei até segunda ordem. Achei que a nudez da figura ficou muito gratuita, e detesto isso. Já vemos imagens de mulheres nuas em contextos desnecessários diariamente; não quero me censurar ou colocar um véu puritano na minha arte, apenas preciso enxergar com clareza por que a figura está nua, com que propósito. Até ter isto claro, o projeto está arquivado. Já a segunda imagem é a line art para este trabalho muito amorzinho que fiz para uma ONG. Abaixo, a versão 2017 do artxartist, desafio que fiz ano passado. Por fim, meu livro maravilhoso sobre a Sylvia Ji (e já chegou também o da Loish!), em breve pretendo gravar um vídeo folheando esta lindeza.
Agora tenho cadernos pautados com espiral no meu Studio do Colab55, aproveitei uma promoção para adquirir um e conferir a qualidade. No ritmo de Mulher-Maravilha, comprei um sketchbook de qualidade totalmente duvidosa na Riachuelo (risos). Abaixo, minha contribuição junina para o Girls Artist Gang, cujo tema foi inverno. E também alguns estudos de anatomia que andei praticando. Diferentemente do rascunho arquivado, aqui a nudez serve para estudo, inclusive as fotos usadas como referência são para este fim. Agradeço a Isabella Pessoa pelas excelentes contribuições, que me ajudaram a melhorar diversos aspectos.
Mais uma botânica saindo do papel, dessa vez será em tons de lavanda, uma das minhas plantinhas favoritas. Falando em botânicas, uma foto da caneca com a estampa Monstera, lá do meu Studio no Colab55. Com o caderno pautado, montei uma espécie de bullet journal, no qual anoto ideias para ilustrações, postagens e estudos. Usei também um dos adesivos à venda na loja. Mais um estudo de mocinha, como as galáxias estão sendo a grande sensação da exposição, acho que farei o cabelo dela assim.
Agora tenho cadernos pautados com espiral no meu Studio do Colab55, aproveitei uma promoção para adquirir um e conferir a qualidade. No ritmo de Mulher-Maravilha, comprei um sketchbook de qualidade totalmente duvidosa na Riachuelo (risos). Abaixo, minha contribuição junina para o Girls Artist Gang, cujo tema foi inverno. E também alguns estudos de anatomia que andei praticando. Diferentemente do rascunho arquivado, aqui a nudez serve para estudo, inclusive as fotos usadas como referência são para este fim. Agradeço a Isabella Pessoa pelas excelentes contribuições, que me ajudaram a melhorar diversos aspectos.
Mais uma botânica saindo do papel, dessa vez será em tons de lavanda, uma das minhas plantinhas favoritas. Falando em botânicas, uma foto da caneca com a estampa Monstera, lá do meu Studio no Colab55. Com o caderno pautado, montei uma espécie de bullet journal, no qual anoto ideias para ilustrações, postagens e estudos. Usei também um dos adesivos à venda na loja. Mais um estudo de mocinha, como as galáxias estão sendo a grande sensação da exposição, acho que farei o cabelo dela assim.
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Elementais, minha exposição no Partage Shopping
Como eu já venho anunciando nas redes sociais há algum tempo, a partir de hoje (04/07), inaugurarei minha quarta exposição individual, chamada Elementais, na Galeria de Arte do Shopping Partage Rio Grande. O convite foi feito pela assessoria em março e me pegou de surpresa, pois não esperava expor novamente tão cedo. Desde então, entre um projeto e outro, comecei a esboçar a linha temática e como faria o processo de curadoria. Confesso que, dentre todas as vezes que já expus, essa foi a mais difícil de planejar.
Meu trabalho mudou muito após o curso com a Sabrina Eras, tive momentos de autocrítica implacáveis, e não me sentia pronta para encarar o crivo do público. Por outro lado, não dá pra deixar esse tipo de oportunidade passar, pois já dizia o velho ditado: quem não é visto, não é lembrado. E tenho estudado muito, sei da minha capacidade de apresentar algo coerente.
Com todos esses dilemas na cabeça, e depois de me reunir com a assessoria do shopping para receber orientações, estipulei um total de 20 trabalhos. E a partir daí começou toda a viagem...
Elementais
Todas as minhas ilustrações são fortemente influenciadas pela figura feminina, mitologia e elementos da natureza, então, bastou alguns dias de pesquisa em livros e na internet para que eu me decidisse em retratar os elementais, espíritos da natureza que representam água, fogo, ar e terra. Com o tema definido, comecei a montar o quebra-cabeças que dividiu a exposição em quatro seções, com cinco trabalhos cada. Quais representariam melhor o elemento terra? E fogo? Assim, tomei como partida o ano de 2015 e peneirei as ilustrações mais relevantes, na minha opinião.
Talvez a parte mais fácil de definir tenha sido a das Ondinas, já que, em maio, participei do MerMay. Em seguida Fadas, pois criei uma série chamada Botânicas. Ar e fogo foram complicadas, pois muitas ilustras que eu adoraria colocar não se encaixavam nas categorias restantes, e precisei tomar a difícil decisão de deixá-las de fora (Iemanjá, por exemplo).
Embora eu esteja preocupada em harmonizar a unidade das obras apresentadas com o que o público deseja ver (tanto o que me acompanha há tempos, quanto quem verá o que faço pela primeira vez), sei que muita gente vai questionar a seleção que fiz, apontar que sua ilustra favorita ficou de fora, que esperava ver x ou y e se desapontou. Mas estou tranquila quanto a isso, pois sempre levo em consideração que é impossível agradar a todos, e que fiz o meu melhor.
Release
Em sua quarta exposição individual, a ilustradora rio-grandina Lidiane Dutra traz ao público uma seleção de trabalhos desenvolvidos entre os anos de 2015 e 2017, com o tema Elementais. Divididas em quatro seções (Sílfides, Ondinas, Fadas e Salamandras), as ilustrações apresentadas misturam fantasia, mitologia e a relação humano/natureza, através de figuras femininas, andróginas e oníricas.
As artes reunidas em Elementais fazem parte de projetos individuais da autora, encomendas, trabalhos editoriais e também participação em coletivos artísticos virtuais, como: Ilustraday, Projeto Ilustra, Girls Artist Gang, MerMay, dentre outros. São ilustrações produzidas com técnicas tradicionais como grafite, lápis de cor e aquarela.
Elementais são seres que habitam os quatro reinos da natureza (ar, água, terra e fogo), e que podem exercer influência sobre os seres humanos. Estão presentes em diversas culturas ocidentais e orientais. Embora não sejam representações literais desses seres, as ilustrações reunidas na exposição compõem parte do universo criativo da ilustradora, fortemente influenciado pela mitologia. Os trabalhos estão divididos em:
Sílfides: as elementais do ar, representadas pelas ilustrações Estelar (2015), Arabesque (2015), Moon child (2015), Carnavalesca (2017) e Sereia (2016);
Ondinas: as elementais da água, representadas pelas ilustrações Lorelei, Ligeia, Russalka, Melusina e Ondina (todas produzidas em 2017, para o desafio MerMay);
Fadas: as elementais da terra, representadas pelas ilustrações Unicórnio (2016), Três Irmãs (2017), Monstera (2017), Gaia (2017) e Garota Tatuada (2017);
Salamandras: as elementais do fogo, representadas pelas ilustrações Catrina Dourada (2016), Hécate (2016), Súcubo (2016), Riri (2016) e Black Power (2016).
Interatividade
Todas as ilustrações estarão acompanhadas por um QR Code que, ao ser acessado, direciona o espectador diretamente para a postagem completa aqui do blog, com o processo criativo por trás de cada trabalho. Em sistemas operacionais cujo leitor de códigos não é nativo, é necessário instalar um programa específico (tem vários nas lojas de aplicativos). Além disso, a equipe do Shopping preparou uma iluminação cênica que acrescentou um clima mágico à galeria, super a ver com o tema.
Serviço
O que: Exposição Elementais, de Lidiane Dutra
Onde: Partage Shopping Rio Grande, Av. Engenheira Lúcia Maria Balbela Chiesa, 2842.
Visitação: de 04 a 31 de julho, segundas a sábados das 10h às 22h, aos domingos das 12h às 22h.
Entrada Gratuita
Vendas
Valor dos pôsteres: R$ 40,00 cada (papel sulfite 120g, tamanho A2), sem moldura.
Formas de pagamento: dinheiro, depósito em conta ou PagSeguro (com acréscimo de 5%).
Retirada: combinar através do e-mail lidiane@lidydutra.com após o término da exposição.
Elementais foi feita com todo carinho e pensada em cada detalhe; prestigie, tire fotos e me marque nas suas redes, deixe comentários e, principalmente: visite! É de graça e você estará ajudando de maneira incrível uma artista local independente. E quero deixar registrado meu muito obrigada ao meu amorzinho Antonio 💖 que ajudou na montagem e nas crises nervosas. Love you! Veja também o vídeo que gravei, para quem não tiver a oportunidade de ir, conhecer a exposição:
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Recomendo: Abstract, the art of design
Embora eu seja uma completa negação no quesito acompanhamento de séries, quando gosto de alguma não penso duas vezes antes de recomendar, e Abstract: the art of design, disponível na Netflix, é uma daquelas produções que toda pessoa que trabalha com criatividade deveria assistir. No início do ano, quando a série foi lançada, eu estava me preparando para um concurso, e ter contato com a visão de profissionais que são referência em suas áreas me ajudou demais, não só na hora da prova, como também a repensar práticas e hábitos de trabalho.
A primeira temporada tem oito episódios com cerca de 45 minutos cada, mostrando o ponto de vista de profissionais de diversas áreas relacionadas ao design: ilustradores, arquitetos, designers gráficos, fotógrafos, dentre outros. Mas os que mais chamaram a minha atenção e abriram meus horizontes foram três: o do ilustrador Christoph Niemann, o da designer gráfica Paula Scher e o do fotógrafo Platon.
Christoph Niemann é um ilustrador alemão extremamente metódico e, em muitos momentos, me peguei rindo de sua sistemática de trabalho, pois sou uma control freak assumida. Ele trabalha pontualmente das 9h às 18h em seu estúdio (que não é em sua casa), e encara a folha em branco como um problema a ser resolvido. Tive a sensação de que alguém nesse mundo me entende hahaha. Niemann já fez várias capas para a conceituada revista New Yorker e traz uma visão de trabalho artístico muito séria, que envolve doses parecidas de criatividade e racionalidade. Sempre digo que arte é trabalho, não é algo que surge num passe de mágica. É preciso respeitar o artista como qualquer outro trabalhador, e acredito que abrir a série justamente assim ajuda a firmar essa linha de pensamento.
Paula Scher é o poder da experiência, que mulher incrível! Seu trabalho é simples, porém marcante. Profissional de decisões ágeis e certeiras, sabe dosar como ninguém a ideia do cliente com a criação de sua equipe. A cena em que uma das designers apresenta a identidade visual de um espetáculo para os contratantes representa a rotina de quem precisa lidar com este drama diariamente. Além disso, seu design se confunde com a história da cultura popular norte-americana, das capas de discos do Bob Dylan até projetos urbanos espalhados por Nova York. E sua força em meio a uma área quase que exclusivamente masculina é uma fonte de inspiração para todas as mulheres que precisam provar que são capazes e competentes. Quero morar no arquivo da Paula, sério.
Já o fotógrafo Platon é um bálsamo em meio ao que se tornou a fotografia contemporânea (comercialmente falando). Num mundo lotado de ensaios de new borns cheios de efeito blur do Photoshop (sério, as pessoas perderam os critérios e estão transformando crianças em bonecos de cera) e de profissionais que acreditam que seu valor artístico se restringe ao equipamento, ver o relato deste cara que usa um scanner de negativos fabricado pela NASA na década de 1980, é algo sensacional. Chorei em vários momentos, pois ele é a personificação da mistura exata entre técnica e olhar. Extremamente carismático, Platon rouba toda a série ao mostrar seu processo criativo, como posiciona os modelos, quais os critérios utilizados na hora de editar uma imagem, tudo permeado por uma simplicidade que pode chocar os desavisados. A textura e a personalidade das pessoas está presente em cada retrato; são histórias de vida costuradas naquela granulação tão rica da fotografia preto e branco (saudades revelar os filmes no laboratório).
Se você tiver a oportunidade de assistir Abstract, faça de coração aberto, apreciando cada episódio (não é necessário ver em ordem, você pode partir direto para o que chamou mais atenção) e, principalmente, incorpore esses ensinamentos preciosos em sua rotina. Não são somente histórias de profissionais de sucesso, mas sim de como cada uma de nossas experiências ajuda a moldar nossa visão de mundo, e influencia diretamente todas as nossas ações, reforçando a máxima de que todo conhecimento é válido.
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Ilustrações para livro infantil
Em março recebi um e-mail da ONG portuguesa Ajudaris, a respeito de um projeto colaborativo chamado Histórias da Ajudaris em Gondomar, um livro cheio de contos escritos por crianças em situação de vulnerabilidade social, e ilustrado por diferentes artistas. Fiquei feliz com o convite e por saber que meu trabalho chega em lugares tão distintos quanto o interior do RS até a Europa.
Por se tratar de um projeto sem fins lucrativos, de uma instituição que eu não conhecia, tratei de me informar sobre, pesquisar no site quem já havia participado, como era o livro, escrevi um e-mail com dúvidas que foi prontamente respondido e, depois de ponderar, resolvi aceitar o convite.
Para quem fica receoso em participar de projetos que não vão pagar em dinheiro, de estar caindo no conto do pagamento através de divulgação, sugiro que se informe sobre o proponente e analise o contexto da situação. Acho que trabalho solidário sempre é válido, não é uma coisa que vai desvalorizar sua arte ou desestabilizar o mercado. Então, a dica que dou é: pesquise sobre quem está entrando em contato e quais formas de contrapartida, que não seja a financeira, vão te oferecer.
Acabei ilustrando dois contos bem curtinhos, de uma menina e de um menino, histórias encantadas repletas de princesas, dragões e castelos:
Ilustração Menina
O texto conta a história de três irmãs que partilham um grande coração, e que saem em altas aventuras por reinos encantados. Para esse trabalho, busquei referências na história da arte, pois eu precisava ter em mente que o universo dessas crianças pertence a uma cultura completamente diferente da minha. Acabei me inspirando na pintura As Três Graças, de Emile Vernon, para compor o universo dessas irmãs. O coração em formato de colcha de retalhos faz alusão às aventuras vividas e compartilhadas.
Materiais utilizados
- Papel Canson Montval 300g;
- Lápis Staedtler Mars Lumograph 2B;
- Aquarelas Van Gogh e W&N;
- Pincéis Keramik pelo sintético;
Ilustração Menino
O conto narra a história de um menino que, ao ficar velho, gostaria de renascer como criança num mundo de fantasia, com direito a castelos, dragões e muita magia. Resolvi voltar para o efeito galáxia em aquarela e reproduzir a silhueta de um castelo, envolto nessa atmosfera mágica de, literalmente, um universo de possibilidades.
Materiais utilizados
- Papel Canson Montval 300g;
- Aquarelas Van Gogh e W&N;
- Guache Talens branco;
- Guache Talens branco;
- Pincéis Keramik pelo sintético;
- Marcador Posca e multiliner Copic.
- Marcador Posca e multiliner Copic.
Você pode conhecer mais sobre o projeto no site da Ajudaris e ver as edições anteriores do livro. Assim que eu tiver um exemplar, atualizo esse post com imagens. Fiquei bastante feliz com o resultado, espero que os pequenos autores gostem do meu trabalho e sintam-se abraçados, aqui do Brasil, pois fiz cada traço com muito carinho e amor.
Atualizado em 19/11/17: meu exemplar do livro chegou na semana passada e fiquei emocionada com o resultado final.
Atualizado em 19/11/17: meu exemplar do livro chegou na semana passada e fiquei emocionada com o resultado final.
Wonder✨Woman
Fui assistir Mulher-Maravilha há uma semana e saí do cinema extasiada, querendo chutar todas as bundas à minha frente e fazer treinamento intensivo com as amazonas. O filme é incrível, entrega muito bem a história de origem da personagem e não consigo visualizar nenhuma outra atriz, além de Gal Gadot, no papel de Diana. Claro que não demorou muito para que eu pensasse numa fanart e, em pouco tempo, já estava esboçando minha princesa. Só custei a postar o resultado porque estava envolvida com os preparativos da exposição Elementais, que acontece mês que vem.
Eu não queria fazer um retrato da Gal Gadot, mas sim uma homenagem à Mulher-Maravilha, desde o filme até os quadrinhos, a série da década de 1970 com Lynda Carter, a animação Liga da Justiça (que amo), e também à origem grega da deusa. Por isso, pesquisei algumas imagens de estátuas gregas, para estudar a expressão, além de referências de cabelos que a personagem já usou e detalhes da nova tiara, que achei maravilhosa. Fiquei satisfeita logo no primeiro esboço, e parti para a ação.
Ainda embalada pelo MerMay, decidi trabalhar com lápis grafite, só que, desta vez, num mix de graduações, para conseguir vários efeitos. Fui do HB ao 5B, para ter controle sobre os fios do cabelo e também sobre a suavidade do esfumado no rosto. Para a tiara, optei por usar o marcador dourado da Bic pois, ao contrário da Posca, o efeito dele é mais envelhecido e, além disso, também permite sobrepor camadas após seco. Aqui, utilizei lápis 2B para fazer as hachuras, e me surpreendi com o efeito metálico bem realista que consegui. O resultado ficou assim:
Materiais utilizados
- Papel Canson Layout 180g;- Lápis HB, 2B, 4B e 5B (Staedtler, Koh-I-Noor e Bruynzeel);
- Marcador dourado Bic Marking e branco Posca;
- Multiliner Staedtler 0.2;
- Lápis de cor Caran D'Ache.
Recomendo que você assista Mulher-Maravilha, independentemente de gênero e preferência por Marvel ou DC pois, além de ser um ótimo filme de super-herói, também é um ótimo filme de guerra e retrata vários aspectos presentes na nossa sociedade, como a desigualdade, a ambiguidade que nos torna humanos, o machismo (velado ou não) e a luta por um mundo mais justo.
5 ensinamentos que o MerMay deixou
Eu sempre procuro tirar algum ensinamento de todas as coisas que me proponho a fazer, seja um trabalho comissionado, uma leitura ou um desafio de desenho. Para muitos isso pode parecer bobagem, mas nós somos a soma de todas essas experiências, de nada adianta pagar caro por um curso ou por um material artístico, se o fazer cotidiano não é levado em consideração.
Recebi uma quantidade enorme de feedback durante o MerMay, que há muito tempo não acontecia, talvez porque o público anda saturado de redes sociais e acabou retornando para o blog. Como cada ilustração tinha uma história, um processo e até trilha sonora, foi muito legal acompanhar a reação de quem me segue em diferentes lugares, quais sereias foram mais curtidas, e o quanto as experiências e olhares dos outros completavam meu trabalho. Recebi também muitas dicas de onde poderia melhorar, sugestões de cabelos, corpos, histórias, enfim, foi muito participativo.
Diante disso, resolvi listar cinco ensinamentos que ficaram com o MerMay, assim como fiz durante minha primeira participação no Inktober. Creio que é importante dividir essas experiências porque se nós quisermos ambientes seguros para discutir arte, precisamos criar estes espaços de diálogo. Definitivamente, caixa de comentários de redes sociais não são indicadas para qualquer debate que pretende-se minimamente saudável, então acredito muito nesse movimento de criar aquilo que desejamos ler.
1. Você não é todo mundo: é bem frase de mãe, mesmo, e faz todo o sentido. A primeira "regra" para participar de um desafio de desenho é querer. Faça porque você deseja e se sente bem, não porque todo mundo está fazendo. Se você acha que vai se estressar e tudo virar uma grande obrigação, nem comece. Outra coisa importante é não desenhar para ganhar like. Esse é o grande mal do mundo virtual da arte, as pessoas estão mais preocupadas em ter um retorno em curtidas, do que desenvolver sua técnica e percepção estética. Por isso, não embarque na moda, pense bem se é algo que vai trazer algum retorno efetivo de aprendizado, contatos e satisfação pessoal.
2. Trace um plano de estudos: a pergunta aqui é o que eu quero com esse desafio? Você pode desenhar livremente, ou então fazer um plano de estudo mais elaborado, de acordo com as suas necessidades. Eu, por exemplo, defini que aproveitaria o MerMay para treinar anatomia, gestual e figuras de corpo inteiro, em diferentes posições. A partir disso, defini os materiais que utilizaria, quantas ilustrações faria, os dias das postagens... Ao me organizar, eu criei uma rotina, que foi posta em prática durante o mês de maio. É muito fácil que isso se torne hábito, com o tempo, pois aprendemos a criar um ambiente saudável para estudar.
3. Pesquise referências: não só imagéticas, como também históricas, musicais, folclóricas, literárias. Pense fora da caixa e amplie seu repertório. O resultado não será sentido somente no traço, mas também no seu conhecimento de mundo, e na sua habilidade de desenvolver trabalhos que dialoguem com outras obras. Monte painéis de referência, tanto no Pinterest quanto coletando citações em livros, filmes e canções. Uma das coisas que fiz para o MerMay foi buscar músicas que combinassem com as ilustrações. Pesquisei "mermaid" no Spotify e peneirei tudo o que me interessava. Depois, procurei a letra, vi se realmente tinha relação com o tema, pesquisei nomes para essas personagens, busquei informações em sites e livros sobre mitologia, até criar um mundo para cada uma delas. Muitas pessoas são contra esse método de construção de uma obra, pois creem erroneamente que a ilustração não fala por si, que precisa de bula de remédio, mas não é verdade. Quanto mais escopo você tem, mais oportunidades de trabalho aparecem, pois você mostra que é capaz de contar histórias através do desenho.
4. Faça por você, não pelos outros: é impossível agradar a gregos e troianos, um ditado antigo e bastante aplicável aqui. Entenda que não dá para satisfazer as vontades de todo mundo e, retornando ao primeiro tópico, faça o desafio por você. As pessoas vão sugerir várias coisas ao longo da sua jornada; algumas serão dicas preciosas que farão seu trabalho melhorar, outras serão sugerências que devem ser deixadas de lado. Também haverá quem não goste do que você está fazendo e dirá isso com todas as letras, e tá tudo bem. Ficamos mal no começo, mas é só não dar bola e seguir em frente, não leve para o lado pessoal. Acredito que, novamente, as redes sociais nos tornam viciados em aceitação, e não precisa ser assim. Quando o próprio Tom Bancroft curtiu o tweet com minha Mer-Tea, soube que estava no caminho certo, e isso nos leva ao último item:
5. Tenha respeito por quem criou o desafio: particularmente, vi bastante coisa absurda acontecer durante o MerMay, não sei se porque ele tomou uma proporção maior. O fato é que muitos grupos distorceram o desafio, tinha gente brotando do chão pra cagar regra de como desenhar, e confesso que fiquei bastante assustada. Como já expliquei anteriormente, a ideia original é do Tom Bancroft, que criou uma linda história esse ano, The Mermaid Who Wanted To Fly, e ainda repostou ilustras de vários artistas ao redor do mundo. O que custa respeitar esse cara, que já fez tanta coisa sensacional? A dica sempre é: se um termo bomba na sua time line, vá correndo pesquisar, pois certamente ele foi criado por alguém, e outras pessoas curtiram e estão replicando a ideia. Mas ela tem uma fonte primária, então, busque-a e respeite-a.
Ao longo dessa postagem coloquei todas as minhas artes, para que os leitores pudessem ter uma visão geral de quanto evoluí, da primeira até a última. É importante frisar que nem tudo é lindo e maravilhoso, tem muitos erros e trabalho pesado por trás de cada ilustra. Não é só sentar e fazer, pelo menos para mim. Se é para os outros, maravilha, mas essa não é minha realidade. Estudo pra caramba, leio sobre arte para fazer valer minha formação acadêmica, por isso estou sempre exigindo respeito de quem trabalha com isso, chego a ser a chata do rolê, mas não me importo. Ah, e a sereia mais curtida nas redes sociais foi Lorelei, por isso ela está em destaque! 😉
Ondina (#MerMay 05)
Para encerrar a playlist que criei para cada personagem, escolhi uma música que não fala sobre sereias, mas que possui uma atmosfera tão misteriosa e intrigante quanto o mito, de uma banda que AMO e não poderia ficar de fora dessa seleção. Sim, vai ter Slipknot, vai ter meu crush musical Coreyzinho cantando, e se reclamar ainda fecho com Stone Sour.
Ondina é um ser elemental da água, habitante dos rios, riachos e lagos. Está associada às fontes e nascentes de água potável. Também se manifesta no orvalho e na chuva. Gostaria de agradecer todas as pessoas que sugeriram nomes, histórias e lendas, tipos físicos... sinto muito não poder abarcar todas essas ideias, pois foram somente cinco ilustrações. Meu roteiro era muito justo, para que eu conseguisse dar conta. Quem sabe ano que vem eu faça o desafio completo, e represente uma sereia de cada continente, com suas peculiaridades?
Esta é a única personagem que está acompanhada, e por uma arraia. A foto que usei como referência era bem interessante, capturando o movimento fluido da modelo e do animal, ambos em sintonia. Achei que seria legal terminar com uma representação de união entre humano e natureza, de fluidez, de continuar com a jornada (Dory feelings). É como se Ondina estivesse retornando para sua casa.
Pessoalmente, minha meta foi cumprida, é só olhar a diferença entre a primeira e a última sereia. Consegui contemplar tudo que me propus a fazer, como: estudar gestual, anatomia e retratar uma figura de corpo inteiro (e em poses diferentes); sair um pouco dos retratos, mas sempre com ênfase na expressão; trabalhar com materiais reduzidos, buscando unidade nos contrastes. Enfim, estou feliz e com a sensação de dever mais que cumprido.
Materiais utilizados
- Papel Canson 180g;
- Lápis grafite Staedtler Mars Lumograph HB e 4B;
- Multiliner Copic;
- Caneta Pentel Sign;
- Caneta Pentel Sign;
- Caneta Posca dourada.
Lembrando que todos os meus trabalhos são fixados com verniz fosco fungicida. Detalhes:
Repare que, na cauda, o dourado está sobreposto. Isto porque, após secar a primeira camada do marcador, eu salpiquei alguns pontinhos que, além de dar acabamento na parte da cintura, proporcionaram textura de escamas. Outro desafio foi lidar com a Posca durante um dia úmido, a tinta ondulou bastante e digitalizei o original várias vezes.
Agradeço mais uma vez a todas as pessoas que me acompanharam durante o desafio e deixaram seu like, comentário, apoio ou crítica construtiva. Cresci muito neste mês, pois foi um aprendizado bastante intenso, e quero falar mais sobre ele, posteriormente. E sim, esta ilustra está no meu Studio no Colab55, juntamente com as demais. Aproveite que, até a próxima sexta-feira, tem muitos descontos alusivos ao dia dos namorados!
Meus materiais de arte favoritos
As meninas do Girls Video Lab, grupo muito amor do qual participo, lançaram como tema para os vídeos do mês de maio meus materiais de arte favoritos. Já fazia um tempo que eu gostaria de mostrar uma lista do que uso, até mesmo porque muita gente me pede. Porém, no momento, não consigo gravar vídeos e atualizar o canal do YouTube (que ~misteriosamente~ triplicou o número de seguidores durante meu hiato - agradecida!). Então decidi escrever em forma de post com fotos e, assim que possível, gravo a tag.
Papel Canson Moulin DuRoy: conheci esse papel durante o curso da Sabrina e, assim que pude experimentá-lo, foi amor à primeira vista. A textura do grão fino é muito bonita, ele absorve água e tinta na medida certa e tem a melhor relação custo-benefício entre os papéis para aquarela 300g e 100% algodão, perdendo só para o Arches.
Aquarelas Van Gogh e Sennelier: minhas tintas preferidas são em bisnaga, pois consigo dosar melhor a quantidade na hora de misturar, sem contar que aquarela que sobra no godê nunca vai fora hehe. Das linhas universitárias, a Van Gogh é a melhor que já experimentei, tem cores lindíssimas (como esse rosa quinacridone que uso muito), boa pigmentação e resistência à luz, é mais barata que a Cotman e tem 3ml a mais. Já as da Sennelier são um desbunde, simplesmente. Tudo com elas fica lindo, e o grande diferencial da marca é o uso de cera de abelha na composição (para quem procura produtos veganos, não é recomendada).
Pincéis Keramik: melhores pincéis de pelo sintético que já usei, são macios, porém com a ponta firme, carregam boa quantidade de água e tinta e proporcionam conforto na hora de pintar. De cima para baixo, uso as linhas 220, 413 e 411. A Sabrina comentou que esses pincéis são parecidos com os da linha Perla, da marca Escoda, e que são uma boa alternativa nacional. Os preços são bastante acessíveis, alguns custaram menos que R$ 10. O único inconveniente é o cabo muito longo, mas eu corto com estilete e passo uma lixa fina e esmalte de unha para selar. Sobre ser de pelo sintético, só vejo vantagens, desde contribuir para o consumo consciente, até o barateamento dos custos. E não deve nada em qualidade para os de pelo natural.
Lápis Staedtler Mars Lumograph: meu amor por essa linha já é antigo, tanto que comprei logo uma caixa com uma dúzia de 4B. São muito macios, porém não esfarelam e mantêm a ponta por mais tempo que os lápis de outras marcas. Gosto de lápis bem apontado para fazer detalhes e nunca aconteceu desses quebrarem. Uso até ficar um cotoco (coloco no extensor) e a qualidade é visível na finalização de um trabalho: o Mars Lumograph tem uma das minas mais escuras de todos os grafites que já usei, o contraste fica super bonito, principalmente com aquarela. Uso um apontador da Derwent, não gosto de apontar com estilete.
Borrachas Pentel e Mono Zero: são as que melhor se comportam no papel para aquarela. A preta retira todo o grafite sem marcar e sem esfarelar demais, e a zero é perfeita para fazer detalhes e abrir luz. Uma bem baratinha, outra nem tanto, mas ambas fazem bastante diferença na finalização do trabalho.
Multiliner Copic: a linha SP é recarregável e de uma durabilidade incrível, até hoje não precisei trocar o refil da minha, e já devo tê-la há uns três anos. Já a outra é descartável, porém de longa duração também. Quanto ao pigmento, é um preto muito bonito, altamente resistente à água, ótimo para finalizar aquarelas. Também tenho o kit de sépia, que dá um efeito suave.
Marcadores Posca: utilizo ambas para detalhamento, sendo que a branca também serve para abrir luz na aquarela (aqueles pontinhos brancos nos olhos das figuras, por exemplo). Um substituto muito bom para essas canetas é o guache da Talens. Toda vez que preciso de um acabamento mais refinado, que não fique tanto com cara de marcador, troco a Posca por ele, e o resultado fica perfeito.
Lápis de cor Polycolor: já falei sobre esses lápis aqui, e continuam sendo meus favoritos da vida, com uma das melhores relações custo-benefício para os não-aquareláveis. Tenho várias latinhas com tons para retrato, paisagens, cinzas e marrons. Uso para dar acabamentos ou cobrir áreas inteiras, afinal, lápis de cor sempre ocupará um lugar carinhoso no meu coração.
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