Lidiane Dutra
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Portfólio Processo criativo Projetos

Mermay 2020 | Semana 02



A segunda semana do Mermay quase não aconteceu, em decorrência de alguns contratempos, mas eu não me perdoaria se essa ideia não saísse do papel, de um jeito ou de outro. Mas antes de falar dela, gostaria de agradecer todo o feedback positivo que recebi pela primeira sereia, principalmente no que diz respeito à textura da figura. E acredito que o grande responsável, além da combinação entre lápis e papel, é o meu scanner que, depois de mais de dois anos, finalmente peguei o jeito. Ele capta muitas nuances, que consigo ressaltar na edição final. 

Para essa semana, fui atrás de alguns mitos e lendas, e resolvi representar uma selkie, que não é bem uma sereia, mas sim uma criatura que faz parte da mitologia escandinava. As selkies vivem em alto mar como focas, mas podem retirar suas peles animais para se tornarem humanas e andar sobre a terra. Caso um humano roube a pele de foca da selkie, passa a exercer poder sobre ela.


Para essa ilustração, continuei procurando referências de corpos que não fossem padrãozinho, com cintura de pilão e todos os estereótipos midiáticos. Até mesmo porque as focas são animais que possuem um corpo roliço. Acabou que a minha selkie ficou numa posição que lembra bastante o Abaporu, de Tarsila do Amaral, mas não foi a minha intenção hehehe.


Como a pele é algo muito presente na mitologia das selkies, resolvi ir contra a ideia de pele perfeita, leitosa, photoshopada, e ressaltei bastante as manchas, pintas, sardas, que são marcas pessoais de um indivíduo e, muitas vezes, alvo de bullying, principalmente na infância. Outro elemento que dei especial atenção foi o fundo, com esse céu crepuscular que se confunde com o mar. O tom azul da pele de foca e das pedras é para ressaltar a sensação de frio, em alusão à região de origem da lenda. O resultado:


Essa ilustra também ficou com as texturas bem marcadas, mas não pelo material, e sim pelos efeitos que procurei dar através da tinta. Trabalhei bastante a aguada e a granulação da aquarela, ajudada pela rugosidade do papel. As nuvens e pontos de luz foram feitos com guache branco. Tem bastante informação acontecendo, tudo é bem intenso, e talvez daqui a algum tempo eu ache excessivo demais, mas por enquanto está valendo.

materiais utilizados

  • papel para aquarela Britannia Hanehmühle 300g;
  • aquarelas Van Gogh e Maimeri;
  • pincéis Keramik;
  • Guache Talens;
  • Marcadores Sakura.


Existe um conto no famoso livro Mulheres que Correm com os Lobos, da autora Clarissa Pinkola Estés, chamado Pele de Foca, Pele da Alma, que conta sobre o arquétipo da mulher selvagem e a capacidade de recuperar nossa verdadeira pele. Abaixo, transcrevo o texto:

    Houve um tempo, que passou para sempre e que irá logo estar de volta, em que um dia corre atrás do outro, de céus brancos, neve branca e todos os minúsculos pontinhos escuros ao longe são pessoas, cães, ou ursos.
    Nesse lugar, nada viceja gratuitamente. Os ventos são fortes, e as pessoas se acostumaram a trazer consigo seus parkas, mamleks e botas, já de propósito. Nesse lugar, as palavras se congelam ao ar livre, e frases inteiras precisam ser arrancadas dos lábios de quem fala e descongeladas junto ao fogo para que as pessoas possam ver o que foi dito. Nesse lugar, as pessoas vivem na basta cabeleira da velha Annuluk, a avó, a velha feiticeira que é a própria Terra. E foi nessa terra que vivia um homem, um homem tão solitário que, com o passar dos anos, as lágrimas haviam aberto fundos abismos no seu rosto.
    Ele tentava sorrir e ser feliz. Ele caçava. Colocava armadilhas e dormia bem. No entanto, sentia falta de companhia. Às vezes, lá nos bancos de areia, no seu caiaque, quando uma foca se aproximava, ele se lembrava de antigas histórias sobre como as focas haviam um dia sido seres humanos e como o único remanescente daqueles tempos estava nos seus olhos, que eram capazes de retratar expressões, aquelas expressões sábias, selvagens e amorosas. Às vezes ele sentia nessas ocasiões uma solidão tão profunda que as lágrimas escorriam pelas fendas já tão gastas no seu rosto.
    Uma noite ele caçou até depois de escurecer, mas sem conseguir nada. Quando a lua subiu no céu e as banquisas de gelo começaram a reluzir, ele chegou a uma enorme rocha malhada no mar e seu olhar aguçado pareceu distinguir movimentos extremamente graciosos sobre a velha rocha.
    Ele remou lentamente e com os remos bem fundos para se aproximar, e lá no alto da rocha imponente dançava um pequeno grupo de mulheres, nuas como no primeiro dia em que se deitaram sobre o ventre da mãe. Ora, ele era um homem solitário, sem nenhum amigo humano a não ser na lembrança — e ele ficou ali olhando. As mulheres pareciam seres feitos de leite da lua, e sua pele cintilava com gotículas prateadas como as do salmão na primavera. Seus pés e mãos eram longos e graciosos.
    Elas eram tão lindas que o homem ficou sentado, atordoado, no barco, e a água nele batia, levando-o cada vez mais para junto da rocha. Ele ouvia o riso magnífico das mulheres... pelo menos elas pareciam rir, ou seria a água que ria às margens da rocha? O homem estava confuso, por se sentir tão deslumbrado. Entretanto, dispersou-se a solidão que lhe pesava no peito como couro molhado e, quase sem pensar, como se fosse seu destino, ele saltou para a rocha e roubou uma das peles de foca ali jogadas. Ele se escondeu por trás de uma saliência rochosa e ocultou a pele de foca dentro do seu qutnquq, parka.
    Logo, uma das mulheres gritou numa voz que era a mais linda que ele já ouvira... como as baleias chamando na madrugada... ou não, talvez fosse mais parecida com os lobinhos recém-nascidos caindo aos tombos na primavera... ou então, não, era algo melhor do que isso, mas não fazia diferença porque... o que as mulheres estavam fazendo agora?
    Ora, elas estavam vestindo suas peles de foca, e uma a uma as mulheres-focas deslizavam para o mar, gritando e ganindo de felicidade. Com exceção de uma. A mais alta delas procurava por toda a parte a sua pele de foca, mas não a encontrava em lugar nenhum. O homem sentiu-se estimulado — pelo quê, ele não sabia. Ele saiu de trás da rocha, dirigindo um apelo a ela.
    — Mulher... case-se... comigo. Sou um... homem... sozinho.
    — Ah — respondeu ela. — Eu não posso me casar, porque sou de outra natureza, pertenço aos que vivem temeqvanek, lá embaixo.
    — Case-se... comigo — insistiu o homem. — Em sete verões, prometo lhe devolver sua pele de foca, e você poderá ficar ou ir embora, como preferir.
    A jovem mulher-foca ficou olhando muito tempo o rosto do homem com olhos que, se não fossem suas origens verdadeiras, pareciam humanos.
    — Irei com você — disse ela, relutante. — Dentro de sete verões, tomaremos a decisão.
    E assim, com o tempo, tiveram um filho a quem deram o nome de Ooruk. A criança era ágil e gorda. No inverno, a mãe contava a Ooruk histórias de seres que viviam no fundo do mar enquanto o pai esculpia um urso em pedra branca com uma longa faca. Quando a mãe levava o pequeno Ooruk para a cama, ela lhe mostrava pelo buraco da ventilação as nuvens e todas as suas formas. Só que, em vez de falar das formas do corvo, do urso e do lobo, ela contava histórias da vaca-marinha, da baleia, da foca e do salmão... pois eram essas as criaturas que ela conhecia.
    No entanto, à medida que o tempo foi passando, sua pele começou a ressecar. A princípio, ela escamou e depois passou a rachar. A pele das suas pálpebras começou a descascar. O cabelo da sua cabeça, a cair no chão. Ela se tornou naluaq, do branco mais pálido. Suas formas arredondadas começaram a definhar. Ela procurava esconder seu caminhar claudicante. A cada dia seus olhos, sem que ela quisesse, iam ficando mais opacos. Ela passou a estender a mão para tatear porque sua vista estava escurecida.
    E as coisas iam dessa forma até uma noite em que o menino Ooruk despertou ouvindo gritos e se sentou ereto nas cobertas de pele. Ele ouviu um rugido de urso, que era seu pai repreendendo a mãe. Ouviu, também, um grito como o da prata que ressoa com uma pedra, que era sua mãe.
    — Você escondeu minha pele de foca há sete longos anos, e agora está chegando o oitavo inverno. Quero que me seja devolvido aquilo de que sou feita — gritou a mulher-foca.
    — E você, mulher — vociferou o marido. — Você me deixará se eu lhe der a pele.
    — Não sei o que eu faria. Só sei que preciso daquilo a que pertenço.
    — E você me deixaria sem mulher, e a seu filho, sem mãe. Você é má.
    Com essas palavras, o marido afastou com violência a pele da porta e desapareceu noite adentro.
    O menino adorava a mãe. Ele tinha medo de perdê-la e, por isso, chorou até dormir... só para ser acordado pelo vento. Um vento estranho... que parecia chamá-lo.
    — Oooruk, Ooorukkkk.
    Ele pulou da cama, tão apressado que vestiu o parka de cabeça para baixo e só puxou os mukluks até a metade. Ao ouvir seu nome chamado insistentemente, ele saiu correndo na noite estrelada.
    — Ooooooorukkk.
    O menino correu até o penhasco de onde se via a água e lá, bem longe no mar encapelado, estava uma foca prateada, imensa e peluda... Sua cabeça era enorme. Seus bigodes lhe caíam até o peito. Seus olhos eram de um amarelo forte.
    — Ooooooorukkk.
    O menino foi descendo o penhasco de qualquer jeito e bem junto à base tropeçou numa pedra, não, numa trouxa, que rolou de uma fenda na rocha. O cabelo do menino fustigava seu rosto como milhares de açoites de gelo.
    — Ooooooorukkk.
    O menino abriu a trouxa e a sacudiu: era a pele de foca da sua mãe. Ah, ele sentia seu perfume na pele inteira. E, enquanto mergulhava o rosto na pele de foca e respirava seu cheiro, a alma da mãe penetrava nele como um súbito vento de verão.
    — Ah — exclamou ele com alegria e dor, e levou novamente a pele ao rosto.
    Mais uma vez, a alma da mãe passou pela dele. — Ah!!! — gritou ele de novo, porque estava sendo impregnado pelo amor infindo da mãe.
    E a velha foca prateada ao longe mergulhou lentamente para debaixo d'água.
    O menino escalou o penhasco, voltou correndo para casa com a pele de foca voando atrás dele e se jogou para dentro de casa. Sua mãe contemplou o menino e a pele e fechou os olhos, cheia de gratidão pelo fato de os dois estarem em segurança. Ela começou a vestir sua pele de foca.
    — Ah, mãe, não! — gritou o menino. Ela apanhou o menino, ajeitou-o debaixo do braço e saiu correndo aos trambolhões na direção do mar revolto.
    — Ai, mamãe, não me abandone! — implorava Ooruk. E logo dava para se ver que ela queria ficar com o filho, queria mesmo, mas alguma coisa a chamava, algo que era mais velho do que ele, mais velho do que ela, mais antigo que o próprio tempo.
    — Ah, mamãe, não, não, não — choramingou a criança. Ela se voltou para ele com uma expressão de profundo amor nos olhos. Segurou o rosto do menino nas mãos e soprou para dentro dos pulmões do menino seu doce alento, uma vez, duas, três vezes. Depois, com o menino debaixo do braço como uma carga preciosa, ela mergulhou bem fundo no mar e cada vez mais fundo. A mulher-foca e seu filho não tinham dificuldade para respirar debaixo d'água.
    Eles nadaram muito para o fundo até que entraram no abrigo subaquático das focas, onde todos os tipos de criaturas estavam jantando e cantando, dançando e conversando, e a enorme foca prateada que havia chamado Ooruk de dentro do mar da noite abraçou o menino e o chamou de neto.
    — Como você está se saindo lá em cima, minha filha? — perguntou a grande foca prateada.
    A mulher-foca afastou o olhar e respondeu.
    — Magoei um ser humano... um homem que deu tudo para que eu ficasse com ele. Mas não posso voltar para ele, porque, se o fizer, estarei me transformando em prisioneira.
    — E o menino? — perguntou a velha foca. — Meu neto? — Ele estava tão orgulhoso que sua voz tremia.
    — Ele tem de voltar, meu pai. Ele não pode ficar aqui. Ainda não chegou o seu tempo de ficar conosco. — Ela chorou. E juntos eles choraram.
    E assim passaram-se alguns dias e noites, exatamente sete, período durante o qual voltou o brilho aos cabelos e aos olhos da mulher-foca. Ela adquiriu uma bela cor escura, sua visão se recuperou, seu corpo voltou às formas arredondadas, e ela nadava com agilidade. Chegou, porém, a hora de devolver o menino à terra. Nessa noite, o avô-foca e a bela mãe do menino nadaram com a criança entre eles. Vieram subindo, subindo de volta ao mundo da superfície. Ali eles depositaram Ooruk delicadamente no litoral pedregoso ao luar.
    — Estou sempre com você — afiançou-lhe sua mãe. — Basta que você toque algum objeto que eu toquei, minhas varinhas de fogo, minha ulu, faca, minhas esculturas de pedra de focas e lontras, e eu soprarei nos seus pulmões um fôlego especial para que você cante suas canções.
    A velha foca prateada e sua filha beijaram o menino muitas vezes. Afinal, elas se afastaram, saíram nadando mar adentro e, com um último olhar para o menino, desapareceram debaixo d'água. E Ooruk, como ainda não era a sua hora, ficou.
    Com o passar do tempo, ele cresceu e se tornou um famoso tocador de tambor, cantor e inventor de histórias. Dizia-se que tudo isso decorria do fato de ele, quando menino, ter sobrevivido a ser carregado para o mar pelos enormes espíritos das focas. Agora, nas névoas cinzentas das manhãs, ele às vezes ainda pode ser visto, com seu caiaque atracado, ajoelhado numa certa rocha no mar, parecendo falar com uma certa foca fêmea que freqüentemente se aproxima da orla. Embora muitos tenham tentado caçá-la, sempre fracassaram. Ela é conhecida como Tanqigcaq, a brilhante, a sagrada, e dizem que, apesar de ser foca, seus olhos são capazes de retratar expressões, aquelas expressões sábias, selvagens e amorosas.
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Mermay 2020 | Semana 01


Chegamos a mais um MerMay. Desde 2016 tento participar desse desafio (da melhor forma possível). Em 2016 fiz apenas um trabalho; em 2017 fiz um por semana e em 2018 também. Ano passado fiquei um pouco cansada e resolvi fazer apenas um. Esse ano, quarentenada em casa, vou tentar fazer uma ilustração por semana. Mas não garanto que vá se concretizar, pois tenho demorado bastante para concluir meus desenhos, o contexto da pandemia não tem me deixado mais produtiva - e está tudo bem com isso.

Para 2020, resolvi passar meus desafios anteriores em revista. Fazer autocrítica é um exercício que melhora demais a nossa percepção sobre as coisas e, por mais que eu tenha melhorado em muitos aspectos meu trabalho, faltava representatividade nas figuras, e isso importa. Por isso, para este ano, decidi retratar sereias fora do padrão estético imposto pela mídia, a fim de que mais meninas e mulheres consigam se enxergar nas minhas ilustrações. E resolvi começar com uma sereia plus size, com seus cabelos curtos, subvertendo alguns estereótipos que rondam esses seres míticos.

 
A ideia original era deixar os seios completamente à mostra, mas acabei tomando um strike do TikTok por isso, então, prevendo que ia acontecer em outras redes, me auto-censurei, infelizmente. É horrível, mas os algoritmos já não entregam metade dos conteúdos, e eu não queria correr o risco de ter uma conta suspensa ou ser banida. Fica aqui o registro da ideia original, presente nos primeiros esboços.


Vou utilizar somente lápis de cor nessas ilustrações por uma questão logística, pois estou com pouco espaço para produzir, no momento. E também é uma maneira de tentar resolver com outros materiais algumas soluções que encontrei na aquarela, e ver se funciona. Acima, detalhe das escamas com caneta metalizada. Não fiz toda a parte da cauda dessa sereia, apenas sugeri que a parte inferior do corpo é coberta por escamas. Também tentei um efeito furta-cor com o lápis, que não deu muito certo.

Para a pele, trabalhei com azul escuro, laranja, marrom e vermelho. Lembrando que o fatídico "lápis cor de pele" (rosinha ou bege) não é a forma mais inclusiva de representar toda a gama de tons de pele que existe, e muitas outras cores podem suprir muito bem essa demanda, como as que eu utilizei. Ainda falando sobre lápis, utilizei os SuperSoft da Faber-Castell, tenho gostado bastante de trabalhar com eles, e também os tons pastéis da Cis, que são muito bons e entregam bastante pigmentação, realmente me surpreendi com a qualidade. O resultado:


Materiais utilizados

  • Papel Concept Hahnemühle 200g;
  • Lápis de cor SuperSoft Faber-Castell e tons pastéis Cis;
  • Canetas metalizadas Cis, Giotto e Sakura.


Quem quiser acompanhar meu MerMay para além do blog, é só seguir pelo Instagram ou Facebook. Lembrando que a entrega de conteúdo varia de acordo com o que o algoritmo quer, às vezes não chega a 5% das pessoas que me seguem. Por aqui, vou tentar postar toda a semana, juntamente com os processos de criação. Sugiro também acompanhar o trabalho de outras ilustradoras que têm feito um lindo MerMay, como a Karina Beraldo.

E para quem curte acompanhar podcasts, vou deixar aqui o link para o We can be readers, da minha amiga Suellen Rubira, que também está com um blog, ambos dedicados à literatura. A arte ficou por minha conta, com uma das ilustras que mais amo:

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Redesenhando: Pirata


Demorou um pouquinho, mas consegui fazer mais um trabalho do meu projeto pessoal para este ano: redesenhar algumas ilustrações antigas, que gosto muito, como parte da comemoração pelos 10 anos do blog. E a escolhida é uma das minhas favoritas, e também a de muita gente: Pirata, de 2013.

Na época, essa ilustra significou muito para mim, pois ela foi feita de uma maneira muito rápida, com um material que curto bastante (esferográfica) e conseguiu dar um fôlego na minha produção. Senti que conseguia ser criativa, despretensiosa e obter um bom resultado se eu curtisse mais o processo e simplificasse algumas coisas.

O que resolvi mudar

Quando decidi mexer nessa ilustração, pensei em não inventar muito, não sair demais da proposta inicial. Aí veio o coronavírus, a quarentena, e toda essa carga emocional que paira sobre as nossas cabeças desde então. Senti que se fosse refazer a pirata nesse momento, ela precisaria carregar uma mensagem a mais. Por isso tomei a liberdade de fazer alterações bem significativas.


A primeira coisa que acrescentei foi um braço. A pirata de 2020 não quer continuar com um dos olhos fechados, por isso ela está prestes a tirar o tapa-olho. Ela quer ver tudo, ela quer ver a verdade. Esse foi o ponto central que trabalhei: ela não está ali para entreter. Ela não sorri, está levemente curvada para frente, com uma expressão cansada. O barco que ela carrega na cabeça está mais elaborado, mais pesado, e dele sai o cordão com uma âncora. Os pássaros também tomam uma forma menos abstrata do que gaivotas infantis sobrevoando a cena.



Depois, a mudança mais radical foi com o material. Utilizei aquarela e, se antes a figura estava flutuando na folha, agora ela emerge da água. E é na direção da água que está o cordão com a âncora. O cabelo tem a mesma cor do líquido, mas continua com a mesma marca que torna a primeira ilustra tão marcante. É um cabelo-kraken. Em seguida, toda a figura ganha cor, o que também deixa bastante diferente da proposta original.

A caneta dourada aqui vem para trazer a ideia de tesouro, que pode ser algo que aprisiona (a corrente no pescoço, a âncora) ou que liberta (os pássaros). Finalizei a figura com lápis de cor e caneta nanquim, como de costume. O resultado:

Materiais utilizados

  • Papel para aquarela grana fina Harmony Hahnemühle;
  • Aquarelas Van Gogh;
  • Pincel Keramik;
  • Lápis de cor SuperSoft Faber-Castell;
  • Canetas Sakura e Posca.


Acredito que a maior diferença está no espírito da figura: antes ela transmitia alegria, inocência, agora ela está afogada nesse mar de incerteza que o planeta se converteu, carregando seus próprios pesos, seus tesouros ou despojos de guerra, tentando não afundar, tentando equilibrar os sentimentos, mas com esse profundo desejo de liberdade, que está presente no movimento da mão prestes a retirar o tapa-olho.

Se antes o meio mal estava influenciando meu processo de criação, aqui ele está por todos os lados - até debaixo d'água. Deixe um comentário com a sua interpretação e o que você achou das mudanças. Em algum momento desse ano, volto com mais um redesenhando.

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Materiais Processo criativo

Testando: guache + sketchbook


Estou tentando usar mais o sketchbook, dentro do meu próprio método, e resolvi arriscar com guache e aquarela, mesmo sabendo que a gramatura das folhas poderia não suportar. Peguei um antigo kit de guache da TGA e fiz algo bem sem pretensão, pois realmente nunca estudei a técnica para elaborar algo decente, e provavelmente vou achar esse estudo péssimo no futuro. Mas, por hora, está valendo.

Meu próprio método de usar o sketchbook

Não curto muito usar o sketchbook para fazer rascunhos e estudos de ilustrações. Para isso, gosto de folhas sulfite comum, soltas, que posso manusear sem muito cuidado, sobrepor, recortar, estragar se for o caso.

No sketchbook gosto de fazer desenhos compactos (versões menores de ilustrações que faria usando papel A4), tabelas de cores dos lápis e tintas bem feitas, coisas bonitas mesmo e com unidade, que eu possa folhear depois de algum tempo e sentir que contei histórias ali. Por isso, tenho dificuldade em manter um caderno. Este ano, me propus a ser fiel ao meu método e tentar usar o sketchbook pelo menos uma vez por mês.

Um recado importante é: use o sketchbook da maneira que tiver vontade. Sempre. É o que realmente importa.


Utilizei o guache TGA para fazer as flores e a blusa da figura. Para a pele e o cabelo, aquarela. O fundo foi feito com aquarela perolada Sakura Koi. Eu tenho muito ranço com as aquarelas da Koi por serem extremamente opacas e lembrarem muito... um guache. Porém, é justamente essa qualidade da opacidade que torna as aquarelas shine melhores do que a de outras marcas, na minha opinião: com apenas uma camada elas cobrem razoavelmente uma área, conferindo um brilho perolado muito bonito e entregando bastante cor. As minhas são em pastilha avulsas, comprei na Koralle (link não patrocinado, mas poderia).


No fim das contas, o papel não enrugou muito, tanto que deu até para digitalizar. Os detalhes de corações foram feitos com caneta metalizada e o contorno da figura foi com lápis de cor, ao invés das canetas que costumo usar. Achei que deu mais leveza. Vou adotar.

Em tempo: maio está aí e, com ele, o MerMay? Ainda estou na dúvida se participo, como em todos os desafios, em todos os anos. Se rolar, vocês saberão, aqui tanto a arte como a blogueiragem é sempre no free style. 😊
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Sala de aula

Sobre professores, blogueiros e quarentena

Marilyn Monroe na Universidade da Califórnia (UCLA), onde estudou literatura. Foto de Mel Traxel, fevereiro de 1952.

Quem está vivendo no planeta Terra em 2020 tem lidado com o coronavírus e com diversos protocolos criados para resguardar ao máximo a saúde pública, incluindo aqui a quarentena, ou isolamento social. Desde meados de março, a Prefeitura de Rio Grande decretou quarentena nas escolas da rede municipal e também orientou as instituições a manterem contato com a comunidade escolar (se possível), via internet, postando atividades lúdicas, não conteudistas, a fim de reforçar que estamos aqui e que o vínculo entre professores e estudantes se mantém. 

As duas escolas nas quais trabalho estão se empenhando em engajar a comunidade, dentro da sua realidade, seja com atividades, vídeos, dicas, mensagens. Nós, professores, não paramos de trabalhar, nem estamos de férias, como algumas pessoas podem pensar. Só que outro debate acabou vindo à tona, que é o uso do ensino a distância (EaD) como forma de mediação entre escola e aluno, em tempos de pandemia.

Eu trabalhei mais de 10 anos com EaD. Comecei no meu TCC, depois como tutora e, por fim, como professora pesquisadora, função na qual fiquei oito anos, trabalhando diretamente com design instrucional. Sei como a EaD pública funciona e sugiro que pesquisem sobre como a Universidade Aberta do Brasil ajudou na interiorização da educação superior no país. Então, para mim, não foi novidade, e eu consegui ter uma visão bem racional da situação, antes de preparar qualquer tipo de material para enviar aos estudantes.

Porém, mais do que discutir modelos de interação e o impacto da EaD no ensino básico, começaram a pipocar textões pelas redes sociais, a maioria de autoria desconhecida, de professores falando sobre a carga física e mental que tem sido preparar aulas a distância (o que é uma realidade, sem dúvida), e de que eles haviam estudado para serem professores, e não blogueiros e youtubers. Aí eu comecei a ficar transtornada.

Esse tipo de afirmação sou professora e não blogueira, como se uma coisa estivesse em cima e a outra embaixo, me perturba. Porque usa de uma situação atípica, que é a pandemia, para desqualificar a atividade de quem trabalha com internet. Eu já era professora por formação quando criei um blog, mas nunca havia entrado numa sala de aula, e foi o blog que me manteve criativa, focada, atualizada sobre a minha área e, principalmente, ocupada, pois eu trabalhei muito a partir de clientes que chegavam por aqui. E quando eu realmente pisei no chão da escola, consegui estabelecer um diálogo com os estudantes muito pela minha relação com o blog.

Os professores terem virado blogueiros, vlogueiros, roteiristas, fotógrafos, diagramadores da noite para o dia, evidencia o quanto o poder público negligencia o uso das tecnologias digitais de informação e comunicação na educação, e como perderíamos muito menos tempo com isso se fôssemos capacitados para lidar com questões que envolvem as TDICs para muito além da teoria. 

Existe todo um universo de problemáticas quando se fala em enviar o material da aula pela internet: se a comunidade na qual a escola está inserida sofre com vulnerabilidade socioambiental, quais as condições que os estudantes têm de receber este material (desde suporte tecnológico até emocional), qual o grau de interação das famílias com as tecnologias, se o aluno tem comida na mesa, se não é agredido, abusado, e por aí vai. Também entram na conta a carga horária do professor, quantas escolas ele atende, se ele próprio tem familiaridade e condições de trabalhar com as tecnologias, se deseja inserir isso no seu cotidiano docente.

É o momento para discutir sobre tudo isso. Mas me entristece ver colegas achando que é algo horrível ser blogueiro, que ser youtuber é a maior inutilidade do mundo, que fazer roteiro é perda de tempo. Vamos pôr em perspectiva: blog nada mais é que registro, é diário de classe. Roteiro é plano de aula. O cientista que mais tem nos alertado sobre o coronavírus, Átila Iamarino, ganhou notoriedade com um canal no YouTube, no qual se dedica à divulgação científica.

Blogueiro e youtuber também é profissão, professor. Não vamos esvaziar um debate tão importante quanto o que está ocorrendo agora porque existe preconceito sobre essas profissões novas, que se aproximam demais com os anseios dos nossos estudantes. É um momento muito delicado, no qual todos sentem-se pressionados, de alguma maneira. Vamos tentar unir a nossa prática docente com a comunicação leve e despretensiosa que encontramos pela web, e agregar conhecimentos sem preconceitos ou estereótipos.

Resolvi ilustrar esse post com uma foto de Marilyn Monroe, durante o período que estudou literatura na UCLA, para nos fazer pensar. Marilyn foi um sexy symbol universal, muitas vezes encarnando o papel da loira burra no cinema. Mas na vida real a atriz era inteligente, leitora assídua dos clássicos e nunca parou de estudar. Morreu desejando ser levada a sério, ser reconhecida como a pessoa que era. Estereótipos nos aprisionam e nos impedem de entender a vivência do outro.
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Reflexões

10 anos de blog ✨


Ontem o blog completou 10 anos e não, não esqueci a data. Só senti que precisava escrever no momento certo. E os últimos tempos não têm sido certos para muitas coisas. Vivemos uma pandemia que marcará as próximas gerações, estamos em contato direto com o melhor e o pior da humanidade, enfrentando quarentena, colapso do sistema de saúde, descaso de muitos governantes, intolerância. E também solidariedade, empatia e, principalmente, a importância de se valorizar a arte, a saúde e a educação como nunca antes. 

Pela primeira vez em muitos anos, não estou me cobrando por não conseguir desenhar. Estou me dedicando às aulas, pois, mesmo com as escolas fechadas, nós professores estamos produzindo material para ser encaminhado aos estudantes. E escolhi para abrir esse post a imagem de um vídeo que gravei para os anos inciais (dá pra assistir aqui), contando a história de Leonardo da Vinci, pois  a contação vai ao encontro do que tenho me dedicado: resgatar histórias, atividades, ilustrações antigas, fragmentos de memórias que me constituíram profissional, ao longo desses dez anos.

O blog também chegou à marca de 1 milhão de acessos. É um feito enorme para um espaço sem monetização, sem impulsionamento, e quase sem divulgação, visto que não tenho uma quantidade enorme de seguidores nas redes sociais. Praticamente todo tráfego é orgânico, de pessoas que me acompanham, assinam o feed, ou simplesmente caem por aqui através da busca do Google, que já mandou muita coisa bizarra pra cá. Já recebi muito hate, que foi sumindo com os anos, já participei de blogagem coletiva, projetos, conheci muita gente. E agora quero fazer uma pequena retrospectiva, do fundo do coração.

Alguns números (até a escrita desse post)

  • Postagens: 472
  • Comentários: 2408
  • Acessos: 1004564 (o pico de acessos foi em junho de 2016)
  • Página mais acessada do blog: FAQ

Postagens mais acessadas

  • Como faço o efeito galáxia/nebulosa em aquarela
  • Maybe Tonight (Estelar)
  • Exposição "Mulheres"
  • Minhas aquarelas e pincéis favoritos (até o momento)
  • Links Bacanas #8

Postagens que mais gostei de escrever

  • Mostre Seu Trabalho
  • Grande Magia
  • Clipes com Referência na História da Arte (parte 1,  parte 2  e  parte 3)

Ilustras que considero um ponto de virada na minha vida

  • Sugar Skull: a primeira ilustração que vendi produtos - e fiquei conhecida por muito tempo pelas catrinas;
  • Pirate: mostrou meu potencial criativo;
  • Maybe Tonight (Estelar): minha primeira galáxia em aquarela;
  • Arabesque: primeira figura fora do padrão estético dominante;
  • Sereia: primeira aquarela que realmente gostei do resultado;
  • Summertime: marca o início do ano dos meus melhores trabalhos.

Curiosidades

  • O primeiro nome do blog foi Desenhar é Preciso, por causa da minha dissertação de mestrado;
  • O vídeo Minha mesa de luz artesanal, apesar de ser o mais assistido do meu canal no YouTube, nunca converteu muitas visualizações para o blog;
  • Tive que fechar os comentários da postagem sobre uma cola dimensional, de tanto que as pessoas me perguntavam o tempo de secagem da tal cola;
  • Também tive que apagar todos os posts sobre lojas virtuais, pois recebia muitos comentários sem noção, sobre quanto eu ganhava em dinheiro;
  • Durante anos o termo mais pesquisado do blog foi mulheres com a boca costurada (acredito que sejam as catrinas);
  • Todos os projetos de sketchbook viajante que participei nunca terminaram, muitos se perderam;
  • Já ajudei muitas pessoas que hoje tem números bem expressivos, mas que nunca disseram obrigada, e já tive até a sidebar plagiada por uma pessoa;
  • Acredito ter sido a primeira pessoa no Brasil a receber "mimos" da marca Derwent, antes mesmo dela vir para cá, em 2012.

Não sei se o blog vai ficar por aqui mais dez anos, se vai virar site, se a internet vai acabar... só sei que sou muito grata a todo mundo que me acompanhou um dia, que me acompanha até hoje, ou que recém chegou por aqui. Muito obrigada por curtir um espaço que, basicamente, contém meus delírios, e que nunca ousou ser grande coisa. Obrigada a todos os clientes que chegaram por aqui e confiaram no meu trabalho; aos alunos que vem dar uma olhadinha, de vez em quando, e a todas as amizades virtuais que fiz em decorrência do blog.

A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar. - Eduardo Galeano

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Dicas

Desenhos para colorir (e enfrentar o isolamento)

Pessoal, quando houve o boom de livros para colorir, fiz uma série de arquivos com desenhos meus para baixar, imprimir e soltar a criatividade. Resolvi resgatá-los para quem, assim como eu, está em quarentena e precisa encarar o isolamento social. É só clicar nas imagens e baixá-las. Lembrando que os desenhos são somente para uso pessoal - mas você é livre para compartilhar com quantas pessoas quiser!
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Portfólio

Jewel 💎


Eu sempre gostei muito de, no tratamento digital dos meus trabalhos, fazer o máximo de correções possíveis para que aquele desenho, feito num meio tradicional, não tivesse nada a perder, comparado a um trabalho feito digitalmente. Chegava a ser um excesso de limpeza, comigo horas na frente do computador limpando o fundo, removendo poeira do scanner, ajustando cor, e por aí vai.

Porém, de uns tempos pra cá, minha premissa tem sido: quero tudo sujo. O trabalho tradicional continua o mesmo, não mudei nada na minha técnica, mas na hora de digitalizar, quero ver até os poros do papel, quero que apareçam todas as granulações, o fundo, absolutamente todas as interferências possíveis. Não sei se existe alguma explicação freudiana para isso, só sei que tem sido ótimo esse ganho (no momento, estou achando um ganho, pode ser que no futuro me arrependa), que é uma nova versão do que fiz no papel. Não significa melhorar ou piorar o que fiz, acredito que se trata de uma terceira via, talvez em resposta ao excesso de imagens tratadas que vejo diariamente nas redes sociais. E com essa ilustra não foi diferente.

Algumas semanas antes do carnaval, comprei um kit de adesivos de pedraria para colar no rosto, que são muito usados em fantasias ultimamente. Em 2017, já havia feito algo semelhante em Carnavalesca, e gostaria de lançar mão desse recurso, de agregar um elemento diferente ao papel.  A ideia era fazer este trabalho entre 20 e 25 de fevereiro, mas não consegui, ele foi ficando para trás. Agora, com a quarentena imposta pelo COVID-19, consegui tirar um tempinho para finalizá-lo, antes de seguir com meus planos de aula.

Tem como ver algumas imagens do processo no meu Instagram, mas tenho estado cada vez mais preguiçosa para registrar as etapas, prefiro focar em terminar tudo sem tantas mexidas no celular e distrações. Usei pouquíssimos materiais: lápis grafite 2B, lápis de cor e os adesivos de pedraria. Assim como fiz lá em Carnavalesca. E o resultado ficou bem do jeito que eu queria: simples, enxuto, redondinho. Mas, para mim, a cereja do bolo veio na hora de digitalizar. A luz refletida das pedras criou um desfoque na imagem que deixou um aspecto antigo, tremido, meio anos 1980, que eu simplesmente AMEI:


Se pegarmos uma foto desse trabalho tirada com o celular, dá pra ver que é mais um trabalho meu normal, com os detalhes que gosto de colocar usualmente nas figuras. Mas, olhando para o arquivo digital, a estética de repente muda, deixa de ser algo glamouroso e passa a ser "fim de festa", como se fosse um registro feito espontaneamente, com uma polaroid. Achei fantástico e uma maneira de repensar meu próprio fazer.


Materiais utilizados

  • Papel para desenho Spiral creme 180g;
  • Lápis grafite Stabilo Othello 2B;
  • Lápis de cor Faber-Castell Super Soft;
  • Adesivo de pedraria para rosto (vende em lojas de maquiagem).

A linha Othello da Stabilo é excelente, o lápis 2B parece o 4B de qualquer outra marca em termos de suavidade da mina e intensidade da cor. Não é um lápis profissional caro (custa, em média, R$ 3,50), então dá para testar várias graduações e, para quem gosta de trabalhar de 4B para cima, considere começar com o 2B, pois os resultados são muito bons.

Resultado de imagem para achatar a curva gif

Para quem, assim como eu, está de quarentena (as escolas tiveram as aulas suspensas por causa do coronavírus), entenda a importância do isolamento, não só para você, como para aqueles que mais precisam neste momento, que são os idosos e as pessoas que dependem exclusivamente do SUS para tratamento. Não vamos sobrecarregar os sistemas de saúde, nem estocar comida ou álcool gel. O importante, neste momento, é ter empatia e pensar coletivamente. ❤
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